No Brasil, o desaparecimento de pessoas é uma das mais cruéis e silenciadas tragédias cotidianas. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 80 mil pessoas desaparecem todos os anos no país. Por trás de cada número, há uma história interrompida, um nome esquecido pelo poder público e, principalmente, mães, pais e familiares que enfrentam a dor da ausência e o abandono institucional.
Diante dessa realidade, familiares de desaparecidos, especialmente mães e pais que transformaram sua dor em luta, com apoio a OSC ComCausa Defesa da Vida, lança a ação “Acolher: Desaparecidos”. A iniciativa integra e fortalece o projeto Memória Viva como uma resposta concreta à omissão histórica do Estado. Mais do que uma campanha de visibilidade, trata-se de um compromisso público com a memória, a dignidade e a justiça, protagonizado por quem vive diariamente o luto suspenso da incerteza.
Frente ativa construída por quem sente na pele a ausência
A ação nasce de associações de mães e pais, grupos e coletivos de familiares de desaparecidos junto com a OSC ComCausa e formam uma frente ativa de escuta, acolhimento e mobilização. Essa construção coletiva reconhece o saber e a experiência das famílias como elementos centrais para qualquer resposta efetiva. Como parte dessa articulação, foram criados canais exclusivos de contato: o e-mail acolher.desaparecidos@gmail.com e as redes sociais no Instagram e Facebook (@acolher.desaparecidos). Esses espaços estão a serviço dos familiares para que possam denunciar, relatar, atualizar informações e dar visibilidade aos casos, com escuta atenta, sensível e respeitosa.
Galeria digital permanente com tecnologia a serviço da memória
A ação prevê ainda a criação de uma galeria digital permanente, concebida como um memorial vivo onde os rostos e histórias das pessoas desaparecidas serão preservados. Com o uso de inteligência artificial para atualização progressiva das imagens dos rostos, a ferramenta visa ampliar as chances de reconhecimento e localização, respeitando as memórias afetivas das famílias.
Mães, pais e irmãos serão ouvidos individualmente para a construção de perfis, que também terão suas histórias divulgadas nos portais RedeDH.org.br e PortalC3.net. A cada rosto publicado, uma resistência ao apagamento. A cada nome resgatado, a reafirmação de que ninguém desaparece sozinho — e de que cada vida importa.
Campanhas públicas e mobilização popular com protagonismo familiar
Os familiares serão os protagonistas das campanhas de sensibilização e busca ativa, com projeções de rostos e nomes de desaparecidos em eventos públicos, além da distribuição de cartazes, adesivos e ações visuais em espaços culturais.
Incidência política e enfrentamento estrutural
Com base nessa aliança com os familiares, a ComCausa pretende ampliar sua atuação no campo da incidência política, promovendo articulação direta com a Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), o Ministério Público, a Defensoria Pública, FIA, conselhos tutelares, comissões legislativas e outras entidades estratégicas. O objetivo é construir mecanismos institucionais permanentes de escuta e resposta, não apenas para os casos em andamento, mas para prevenir novos desaparecimentos e reparar historicamente as omissões do Estado.
O desaparecimento não é um evento isolado. Em muitos casos, ele é consequência direta de ciclos de violência estrutural, como o racismo, a exclusão das periferias, o abandono de crianças e adolescentes, a violência contra mulheres, o tráfico de pessoas e a atuação de grupos criminosos. As famílias denunciam, apontam caminhos e exigem coragem institucional para enfrentar esse fenômeno com políticas públicas estruturadas e sensíveis.
Resposta coletiva de quem se recusa a aceitar o esquecimento
A ComCausa reconhece que são mães, pais e familiares os verdadeiros protagonistas da luta por justiça. São eles que denunciam, mobilizam e exigem respostas, mesmo diante da ausência do Estado e da escassez de recursos. O “Acolher: Desaparecidos” é uma resposta construída com e pelas famílias, que transformam dor em ação. É uma aliança entre quem sofre e quem resiste. Estaremos juntos — nas ruas, nas redes, nos palcos e nos parlamentos — para garantir que cada desaparecido tenha seu nome, sua história e sua dignidade reconhecidos.
Porque memória é resistência. E cada história contada por uma mãe, um pai, um irmão ou uma filha é uma vida que não se apaga.
Imagem de capa ilustrativa
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