No próximo dia 28 de fevereiro, às 14h, São João de Meriti, na Baixada Fluminense, será palco do Fórum de Reparação Histórica do Povo Negro. O encontro será realizado na Rua das Acácias, s/n, Vila São José, no Morro do Embaixador, ao lado do Museu Marinheiro João Cândido — um território carregado de significado histórico e simbólico.
A escolha do local vai além da geografia. Promover um debate sobre reparação histórica em um espaço popular, inserido na realidade da comunidade, reforça a conexão entre memória, resistência e transformação social. O Fórum se apresenta como uma iniciativa necessária em um país que ainda enfrenta as consequências profundas da escravidão e do racismo estrutural.
Mais do que um encontro pontual, o evento propõe uma reflexão sobre memória, justiça histórica e políticas de reparação voltadas à população negra. A discussão coloca no centro da agenda pública uma dívida histórica que atravessa gerações. Reparação histórica significa reconhecer que desigualdades contemporâneas não surgiram por acaso, mas são resultado de processos históricos de exclusão, violência e negação de direitos.
O debate envolve ações afirmativas, valorização da memória, revisão de narrativas oficiais e fortalecimento de políticas públicas que promovam equidade racial. Nesse contexto, o simbolismo do Museu Marinheiro João Cândido amplia o significado do Fórum. O espaço homenageia João Cândido Felisberto, líder da Revolta da Chibata (1910), símbolo da luta contra os castigos físicos na Marinha e figura central na resistência negra no Brasil. Discutir reparação histórica ao lado de um memorial dedicado a essa trajetória reafirma a importância de revisitar a história sob a perspectiva daqueles que enfrentaram estruturas de opressão e contribuíram para a construção do país.
A presença do Bloco Afro Agbara Dudu reforça o caráter cultural e identitário do encontro. Blocos afro historicamente atuam como espaços de afirmação da cultura negra, resistência e mobilização política. Sua participação conecta o debate institucional à força da expressão cultural e da ancestralidade.
A organização do evento é do Museu Marinheiro João Cândido, com apoio da Prefeitura de São João de Meriti, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. A ComCausa – Defesa da Vida também estará presente, apoiando a iniciativa e contribuindo com a logística necessária para a realização do encontro, fortalecendo o diálogo e ampliando o alcance da mobilização.
Para Rodrigo Almeida, da ComCausa – Defesa da Vida, a realização do Fórum em um território popular reafirma o sentido prático da reparação histórica. “Falar de reparação é assumir que o Brasil ainda carrega marcas profundas da escravidão e do racismo estrutural. Estar no Morro do Embaixador, junto ao Museu João Cândido, é reconhecer que a memória e a resistência negra não são passado: são caminho para políticas públicas, justiça e transformação social no presente”, afirmou.
Rodrigo destaca que a participação da ComCausa reforça o compromisso com ações concretas. “A ComCausa chega para somar com a organização e garantir condições estruturais para que a comunidade participe, dialogue e fortaleça a mobilização. Reparação histórica também passa por garantir espaço, voz e escuta para quem vive diariamente as desigualdades que precisam ser enfrentadas”, completou.
Serviço
Evento: Fórum de Reparação Histórica do Povo Negro
Data: 28 de fevereiro
Horário: 14h
Local: Rua das Acácias, s/n – Vila São José (Morro do Embaixador)
Município: São João de Meriti (RJ)
Participação: Bloco Afro Agbara Dudu
Realização: Museu Marinheiro João Cândido
Apoio: Prefeitura de São João de Meriti – Secretaria de Cultura e Turismo
Apoio e logística: ComCausa – Defesa da Vida
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