Nesta terça-feira, 16 de dezembro de 2025, das 9h às 13h, as escadarias da Câmara dos Vereadores, na Cinelândia (Centro do Rio), recebem a Confraternização de Natal – Luz de Esperança, atividade que marca o encerramento anual do Encontro Mensal em Prol dos Desaparecidos. A ação reúne familiares, redes de apoio e organizações parceiras em um momento público de memória, acolhimento e mobilização.
A iniciativa integra uma caminhada contínua de resistência e cuidado promovida por familiares — principalmente mães — que seguem buscando justiça, verdade e políticas públicas diante do desaparecimento de seus filhos e filhas. O Encontro Mensal é organizado pelas Mães Virtuosas do Brasil e Mães Braços Fortes, com apoio da ComCausa – Defesa da Vida, que atua ao lado das famílias na defesa de direitos, no fortalecimento de redes e na visibilidade responsável dessa pauta.
Um encerramento que não significa pausa
Apesar do caráter simbólico de fim de ano, a Confraternização reafirma que a mobilização não pode ser interrompida. As famílias destacam que o desaparecimento é uma violação de direitos que exige política pública permanente, com protocolos de busca imediata e investigação, integração de informações entre órgãos, atendimento humanizado e apoio psicossocial contínuo para familiares.
“Quando uma pessoa desaparece, não desaparece só um corpo: desaparece a paz de uma casa inteira. O que essas mães constroem aqui, mês após mês, é uma rede de cuidado que o poder público precisa reconhecer, fortalecer e transformar em política permanente — com busca imediata, acolhimento digno e respostas reais. A Luz de Esperança é memória, mas é também cobrança de justiça e compromisso com a vida”, afirma Adriano Dias, coordenador de ações da ComCausa – Defesa da Vida
ComCausa retoma o Acolher: Desaparecidos e o Acolher: Memória e Justiça
Durante a atividade desta terça, a ComCausa reforça que vai retomar, de maneira sistemática, duas frentes estruturantes do seu trabalho: Acolher: Desaparecidos e Acolher: Memória e Justiça — com continuidade, calendário e presença territorial. A retomada será organizada a partir de encontros periódicos com familiares, em rodas de conversa e espaços de escuta qualificada, fortalecendo vínculos e construindo encaminhamentos práticos e incidência pública. A proposta dialoga com a trajetória do Programa Acolher, que reúne ações de acolhimento e apoio, orientação e encaminhamentos, articulação institucional e construção de memória coletiva.
Varais da Memória: presença pública para impedir o apagamento
Além das rodas e encontros, a retomada prevê ações na rua com Varais da Memória — intervenções públicas que reúnem imagens, nomes, relatos e mensagens, transformando o luto em presença social e ampliando a visibilidade responsável dos casos, sem revitimização. Os Varais também serão articulados com informações úteis e caminhos de orientação, conectando memória, acolhimento e mobilização em diálogo com a rede de serviços e com as instituições responsáveis por protocolos de busca e investigação.
Memoriais virtuais: histórias preservadas e orientação permanente
Outro eixo central será o fortalecimento de memoriais virtuais, ampliando o acervo de memória e informação de modo acessível, curado e responsável. A iniciativa busca preservar histórias, organizar registros e oferecer orientação permanente às famílias — reforçando que memória, nesse contexto, também significa proteção, prevenção e incidência social.
Encontros no início de 2026 na Baixada Fluminense
Como parte do planejamento para o início de 2026, as organizações confirmam que os encontros de janeiro, fevereiro e março serão realizados na Baixada Fluminense, ampliando a presença territorial da mobilização e fortalecendo o vínculo direto com famílias e redes comunitárias que vivenciam o impacto cotidiano dessa violação de direitos. A decisão de levar os primeiros atos do ano para a Baixada reforça a necessidade de descentralizar a agenda pública e aproximar o debate de onde a ausência e a busca por respostas atravessam a vida comunitária de forma cotidiana.
Desaparecimento exige política pública permanente
As famílias reafirmam que é urgente transformar a pauta em compromisso de Estado, com o fortalecimento de protocolos de busca imediata e investigação, integração de bancos de dados e fluxos entre órgãos, atendimento humanizado nos registros e delegacias, apoio psicossocial contínuo e transparência sobre procedimentos e atualizações dos casos. A mobilização chama atenção para o fato de que o desaparecimento precisa ser enfrentado com prioridade, orçamento, treinamento de equipes e uma rede institucional que não jogue a responsabilidade de buscar respostas exclusivamente sobre os ombros das mães.
Luz de Esperança: memória como mobilização
Neste período do ano, a Luz de Esperança ganha ainda mais força simbólica. É o gesto coletivo que transforma o luto em presença pública, o silêncio em palavra e a ausência em exigência de justiça. Em cada foto erguida, em cada nome lembrado, as famílias reafirmam que ninguém desaparece sozinho quando existe memória organizada, acolhimento e luta coletiva.
Serviço
Confraternização de Natal – Luz de Esperança
Encerramento do Encontro Mensal em Prol dos Desaparecidos
Organização: Mães Virtuosas do Brasil e Mães Braços Fortes
Apoio: ComCausa – Defesa da Vida
Data: 16/12/2025 (terça-feira)
Horário: 9h às 13h
Local: Escadarias da Câmara dos Vereadores – Cinelândia (Centro do Rio)
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| Colaborou na matéria: João Bernardo Dias
| Texto original: RedeDH.org.br
| Imagem de capa: ilustrativa
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