João Oscar

Encontro no MUF marca Dia Estadual de Saúde nas Favelas no Rio

O Dia Estadual de Saúde nas Favelas teve nesta terça-feira, 10 de fevereiro, seu ponto central no Museu de Favela (MUF), no Complexo Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, no Rio de Janeiro. Organizações dos territórios participaram de um encontro de escuta, troca de experiências e construção coletiva, dentro da programação coordenada pelo Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, iniciativa vinculada à Fiocruz que reúne organizações sociais, universidades e coletivos comunitários em diferentes regiões do estado, segundo os organizadores. Mais do que uma agenda simbólica, o encontro funcionou como recado político: uma saúde que se diz universal não pode existir como promessa abstrata, distante do território onde a vida acontece. A avaliação compartilhada no evento foi que, sem reconhecer as formas de cuidado que já sustentam as favelas, o Estado tende a repetir um modelo que chega tarde, fragmentado e sem vínculo com a realidade concreta. A mobilização também retomou uma ideia que vem ganhando força no debate público: o cuidado nas favelas já ocorre de forma coletiva e cotidiana e precisa ser tratado como parte estruturante da saúde pública — não como exceção. Para participantes, essas redes operam como proteção social e sanitária em tempo real, articulando solidariedade e respostas imediatas diante das desigualdades. Cuidado que vira política Ao reunir organizações para compartilhar práticas e definir prioridades, o encontro reforçou que saúde não se limita a serviços formais. O que está em disputa, segundo as falas no MUF, é o reposicionamento do território: as práticas sociais que garantem continuidade, acolhimento e sobrevivência precisam orientar planejamento, investimento e organização do SUS. A ComCausa esteve presente e foi representada por Adriano Dias. Ele resumiu o sentido do encontro: “Quando a favela fala de cuidado, ela fala de sobrevivência e de política pública ao mesmo tempo. O que a gente faz no território é saúde em movimento, mas isso precisa ser reconhecido, apoiado e integrado às políticas do Estado.” A discussão apontou que dar visibilidade às redes de cuidado não é só reconhecimento simbólico. É condição material para entrar no planejamento, orientar orçamento e virar prioridade contínua. “O que não aparece, não conta. E o que não conta, não recebe investimento. Por isso a gente insiste: dar visibilidade é proteger a vida”, afirmou Adriano, no encontro. Nesse contexto, participantes citaram a importância de ferramentas de mapeamento das práticas de cuidado como forma de evidenciar quem cuida, onde o cuidado acontece e quais são os vazios de política pública no entorno. “Quando você mapeia o cuidado, você prova que ele existe, mostra como ele funciona e revela onde o Estado está ausente. Isso muda a conversa: deixa de ser opinião e vira evidência”, disse. Outro ponto repetido nas falas foi o alerta contra a ideia de que cuidado comunitário deve depender de “boa vontade” permanente. Para Adriano, rede precisa de condições, formação, apoio e integração. Caso contrário, o território fica preso à lógica da emergência, sempre “apagando incêndio”. Ao reafirmar que políticas de cuidado nas favelas produzem saúde para todas as pessoas, o Dia Estadual deslocou o olhar tradicional sobre esses territórios. Em vez de reduzir favelas à “carência”, as organizações defenderam reconhecê-las como produtoras de saber, tecnologia social e soluções coletivas. A síntese do encontro foi que fortalecer essas redes é, ao mesmo tempo, justiça social e estratégia de saúde pública: quando o cuidado territorial é reconhecido e integrado, a resposta do sistema melhora para a cidade inteira. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. Imagem de capa ilustrativa. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Ser aliado no Carnaval - Campanha Carnaval ComCausa com apoio UNFPA

“Ser aliado”: o que homens podem fazer quando veem assédio no Carnaval?

Homens que desejam atuar como aliados no combate ao assédio durante o Carnaval podem fazer diferença real quando sabem como intervir de forma segura, apoiar a vítima e contribuir para a responsabilização do agressor. Essa é a premissa de um guia prático divulgado no âmbito da campanha de Carnaval da ComCausa, com apoio do UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas), voltada à promoção de masculinidades positivas e à prevenção de violências contra mulheres. O material parte de um princípio central: segurança vem sempre em primeiro lugar. Em situações de risco de violência física — quando o agressor está alterado, em grupo, armado ou em local isolado — a orientação é clara: não confrontar sozinho. Nesses casos, a ação mais eficaz é buscar apoio imediato, acionando seguranças do bloco ou do evento, brigadistas, equipes de organização, policiamento ou pessoas de apoio próximas. A proposta do guia é deslocar o enfrentamento do assédio de uma responsabilidade individual das mulheres para uma ação coletiva, com protagonismo dos homens, sobretudo quando o agressor é outro homem. A lógica é simples: quando homens intervêm, rompem o silêncio que sustenta a violência e reduzem a sensação de impunidade comum em ambientes de festa e multidão. Para orientar a prática, o guia apresenta cinco formas de intervenção segura, que podem ser escolhidas de acordo com o contexto. A primeira é distrair, quebrando a dinâmica do assédio sem confronto direto. Entrar na frente, puxar um assunto neutro, oferecer ajuda ou convidar a pessoa a sair do local são estratégias que ajudam a encerrar o contato e criar uma saída segura. Outra possibilidade é delegar, acionando quem tem autoridade ou estrutura para agir. Em muitos casos, chamar segurança, organizadores, brigadistas, policiais ou até ambulantes próximos é o caminho mais rápido e seguro para interromper a violência, especialmente em locais cheios. O guia também cita a documentação com cuidado, apenas quando houver segurança. Anotar horário, local e características do agressor pode ajudar posteriormente, mas o registro nunca deve expor a vítima nem substituir o acolhimento. Gravar imagens só faz sentido se contribuir para a proteção e se a vítima concordar. Há ainda a intervenção direta, chamada de direcionar, que consiste em interromper o agressor com frases curtas e firmes, como “Parou. Ela disse não” ou “Respeita”. A recomendação é evitar xingamentos ou disputas de ego, que tendem a escalar a situação. O objetivo é cessar o assédio e permitir que a vítima se afaste. Depois da interrupção, entra o passo considerado essencial: acolher e acompanhar. O aliado deve perguntar o que a pessoa deseja — sair do local, encontrar amigas, ir a um ponto seguro ou denunciar — e oferecer apoio prático, respeitando sempre a decisão da vítima. A orientação é devolver a ela o controle da situação, sem pressionar ou minimizar o ocorrido. O guia também destaca o que não deve ser feito, mesmo com boas intenções. Minimizar a violência com frases como “é só brincadeira” ou “Carnaval é assim”, culpar a vítima, pressionar para denunciar imediatamente ou expor a situação em redes sociais são atitudes que reforçam a violência em vez de combatê-la. Um ponto central da campanha é a responsabilização entre homens. Quando o agressor é amigo ou conhecido, a recomendação é chamar de canto e ser direto: “Não foi consentido. Isso é assédio. Para agora.” Além disso, cortar risadas, aplausos e qualquer forma de validação social é visto como essencial para mudar a cultura que normaliza o assédio. Em casos de risco imediato, o guia reforça a importância de acionar os canais oficiais: o 190 para emergências, o 180 — Central de Atendimento à Mulher — para orientação e encaminhamento, e o Disque 100 para denúncias de violações de direitos humanos. Em blocos e eventos, equipes de segurança e organização também devem ser procuradas. Ao transformar orientação em prática, a ComCausa aposta que homens aliados podem contribuir de forma concreta para um Carnaval mais seguro, ajudando a interromper violências no momento em que elas acontecem e fortalecendo uma cultura de respeito, cuidado e Defesa da Vida. ComCausa – Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida a ComCausa – Defesa da Vida, com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU), estrutura o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida como um caminho comunitário: rodas de conversa orientadas, pactos de convivência, ferramentas práticas de maturidade emocional e mobilização pública para transformar autocontrole em proteção real, dentro e fora de casa. Este artigo integra o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, estruturado pela ComCausa – Defesa da Vida com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU). A proposta enfrenta padrões de masculinidade associados a conflitos familiares e violências cotidianas, com foco em atitudes práticas: autocontrole, convivência pacífica, respeito, corresponsabilidade e cuidado. Parceria UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU): Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Em nota pública ComCausa cobra políticas de paz após ataque que matou seis em Nova Iguaçu

A ComCausa, organização voltada aos direitos humanos, divulgou uma nota pública pedindo “paz e vida na Baixada Fluminense” após um ataque a tiros em Nova Iguaçu que, segundo o texto, matou seis pessoas e deixou outras feridas. A entidade manifestou solidariedade às famílias e cobrou investigação rigorosa, transparência e responsabilização dos autores. No posicionamento, a ComCausa afirma que cada morte representa uma “ruptura irreparável” e aponta que o caso expõe a vulnerabilidade cotidiana de quem vive e circula na Baixada Fluminense. A organização também critica a naturalização de chacinas e execuções, dizendo que esse tipo de crime não pode ser tratado como parte do dia a dia. Por que isso importa A nota destaca que episódios de violência armada têm impacto que vai além do número de vítimas: ampliam o medo, mudam rotinas, afetam o comércio local, a circulação em espaços públicos e o acesso a serviços. Para a ComCausa, a resposta do poder público não deve se limitar ao “pós-crime”, mas envolver ações contínuas que interrompam ciclos de violência. A entidade defende que, junto da apuração do caso, o Estado precisa reforçar políticas públicas de prevenção, inteligência, controle de armas e cuidado com as populações mais expostas à violência. “A Baixada Fluminense precisa de investimento social, presença do Estado que proteja — e não apenas reprima — e ações contínuas”, diz o texto. Falhas históricas e responsabilidades A ComCausa atribui o cenário a falhas históricas na garantia de segurança pública e na prevenção da violência, cobrando medidas estruturais. Na avaliação da organização, o território demanda políticas integradas que unam proteção, prevenção e acesso a direitos, com foco na preservação da vida. A nota também reforça compromisso com a Defesa da Vida e com os direitos humanos, e conclui com uma frase-síntese: “Não há desenvolvimento possível sem segurança, não há segurança sem justiça, e não há justiça sem a centralidade da vida.” As informações detalhadas sobre dinâmica do ataque, autoria e andamento oficial da investigação não estão confirmadas neste material de entrada. Para confirmação, é recomendado acompanhar comunicados de órgãos oficiais responsáveis pela apuração e atualizações de veículos jornalísticos locais e do Rio de Janeiro. Nota pública da ComCausa – Pela paz e pela vida na Baixada Fluminense A ComCausa manifesta profunda solidariedade às famílias e pessoas afetadas pelo ataque a tiros ocorrido em Nova Iguaçu, que resultou na morte de seis pessoas e deixou outras feridas. Cada vida perdida representa uma ruptura irreparável e reforça a urgência de enfrentar a violência armada que atinge, de forma recorrente, a Baixada Fluminense. O massacre evidencia a vulnerabilidade cotidiana de quem vive e circula pelo território e expõe falhas históricas na garantia de segurança pública, prevenção da violência e proteção da vida. A naturalização de chacinas e execuções não pode ser aceita como parte do cotidiano. A ComCausa defende que a resposta a crimes dessa gravidade deve ir além da investigação pontual. É fundamental assegurar apuração rigorosa, transparência e responsabilização dos autores, ao mesmo tempo em que se fortalecem políticas públicas de prevenção, inteligência, controle de armas e cuidado com as populações mais expostas à violência. Reafirmamos nosso compromisso com a Defesa da Vida, com os direitos humanos e com a construção de uma cultura de paz. A Baixada Fluminense precisa de investimento social, presença do Estado que proteja — e não apenas reprima — e ações contínuas que interrompam ciclos de violência. Não há desenvolvimento possível sem segurança, não há segurança sem justiça, e não há justiça sem a centralidade da vida. ComCausaPela vida. Pela paz. Pela Baixada Fluminense. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Campanha Carnaval ComCausa com apoio UNFPA

ComCausa lança campanha de Carnaval para engajar homens no combate ao assédio

A ComCausa lançou uma campanha de Carnaval voltada à promoção de masculinidades positivas e à prevenção de violências contra mulheres, com apoio do UNFPA — Fundo de População das Nações Unidas. A iniciativa busca engajar homens como aliados ativos no enfrentamento do assédio, problema recorrente durante a maior festa popular do país. Com o lema “Ser aliado faz Carnaval seguro”, a campanha chama atenção para a responsabilidade coletiva dos homens, especialmente no enfrentamento de comportamentos violentos praticados por outros homens. A proposta é transformar padrões de masculinidade historicamente associados à coerção, à agressividade e à exclusão, substituindo-os por atitudes de cuidado, respeito e corresponsabilidade. Assédio no Carnaval é realidade para metade das mulheres Dados de um levantamento nacional do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro Brasil mostram que cerca de 50% das mulheres brasileiras já sofreram assédio sexual durante o Carnaval. O medo também é generalizado: 73% das entrevistadas afirmaram sentir receio de passar por esse tipo de violência durante a folia. Entre mulheres negras, os números são ainda mais alarmantes. Segundo a pesquisa, aproximadamente 52% relatam já ter sido assediadas no Carnaval, e 75% dizem sentir medo de sofrer violência nesse período, evidenciando como gênero e raça ampliam a vulnerabilidade nos espaços festivos. Mudança de foco: homens no centro da prevenção Historicamente, as campanhas contra o assédio no Carnaval têm se concentrado quase exclusivamente nas mulheres, com ações de orientação, denúncia e autoproteção. Mesmo homens que se identificam como aliados, em geral, permanecem como observadores. A campanha da ComCausa propõe romper com essa lógica. A ideia é convocar os homens a assumirem um papel ativo, intervindo, apoiando vítimas e questionando atitudes machistas entre seus pares, como estratégia central para a construção de ambientes mais seguros. A iniciativa dialoga com diretrizes do UNFPA, que defende o envolvimento de homens e meninos na promoção da igualdade de gênero como caminho fundamental para a prevenção de violências e a Defesa da Vida de mulheres e meninas. Materiais e ações previstas A campanha contará com materiais impressos e digitais sobre masculinidades positivas e prevenção ao assédio, produzidos em linguagem acessível e distribuídos amplamente nas redes. Também serão disponibilizados materiais de apoio para rodas de conversa e encontros virtuais, com o objetivo de ampliar o alcance da iniciativa e estimular o debate em diferentes territórios. A expectativa da ComCausa é que a campanha contribua para deslocar o enfrentamento da violência de uma responsabilidade individual das mulheres para uma ação coletiva, com protagonismo masculino na construção de um Carnaval mais seguro, diverso e respeitoso. ComCausa – Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida a ComCausa – Defesa da Vida, com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU), estrutura o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida como um caminho comunitário: rodas de conversa orientadas, pactos de convivência, ferramentas práticas de maturidade emocional e mobilização pública para transformar autocontrole em proteção real, dentro e fora de casa. Este artigo integra o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, estruturado pela ComCausa – Defesa da Vida com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU). A proposta enfrenta padrões de masculinidade associados a conflitos familiares e violências cotidianas, com foco em atitudes práticas: autocontrole, convivência pacífica, respeito, corresponsabilidade e cuidado. Parceria UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU): Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Luiz Felipe Silva dos Santos, acervo da familia

Caso Luiz Felipe: cusado é condenado a 15 anos em regime fechado por morte de homem em situação de rua na Praça Mauá

A Justiça do Rio de Janeiro condenou nesta terça-feira (3) o acusado pela morte de Luiz Felipe Silva dos Santos, de 43 anos, homem em situação de rua, ocorrida na Praça Mauá, no Centro da cidade. O Tribunal do Júri fixou a pena em 15 anos de reclusão, em regime fechado, após considerar o réu culpado por homicídio doloso. O crime aconteceu na manhã de 23 de agosto de 2024 e ganhou repercussão nacional pela brutalidade das agressões e pelo fato de parte da ação ter sido registrada por câmeras de segurança. Movimentos sociais e entidades de direitos humanos acompanharam o caso desde o início, sustentando que não se tratou de um “incidente”, mas de um homicídio atravessado por preconceito contra a população em situação de rua. O que aconteceu na Praça Mauá Segundo reportagens publicadas à época por veículos como g1 e O Globo, Luiz Felipe foi agredido com um cassetete ou pedaço de madeira após um desentendimento nas imediações do Restaurante Flórida, na Praça Mauá. Relatos indicam que ele teria entrado no local para pedir comida, quando a discussão começou. Imagens analisadas pela investigação mostram que a agressão continuou do lado de fora. Luiz Felipe tentou se afastar, caiu, se levantou e ainda lançou uma pedra na direção do agressor antes de ser perseguido. Pouco depois, foi alcançado e espancado até a morte. Quando a Polícia Militar chegou, o autor das agressões já havia fugido. Omissão e atuação do poder público O caso também levantou questionamentos sobre a atuação do poder público. De acordo com informações divulgadas durante a investigação, dois agentes da Guarda Municipal teriam presenciado o início da confusão e não intervieram. Após a repercussão, os guardas foram afastados de suas funções. A apuração administrativa sobre a conduta deles foi noticiada, mas seus desdobramentos completos não foram divulgados até o julgamento. Quem é o condenado As investigações da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) apontaram como autor do crime Carlos Alberto Rodrigues do Rosário Júnior, preso em flagrante e identificado por imagens de câmeras e testemunhos. A defesa alegou que ele não era segurança formal do restaurante, informação que também foi confirmada pelo estabelecimento em nota, o que abriu debate público sobre terceirização e atuação informal de seguranças na região portuária. Repercussão e mobilização social Entidades e coletivos reagiram com indignação ao caso. Em nota, o Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para a População em Situação de Rua (CIAMP-Rua Nacional) classificou o episódio como violação de direitos humanos e reforçou a mensagem: “A fome não é crime. Comer é um direito”. Organizações destacaram que a violência contra pessoas em situação de rua é frequentemente naturalizada, sobretudo quando o conflito tem como gatilho a busca por alimento ou abrigo. Para esses grupos, o homicídio de Luiz Felipe expôs a desumanização cotidiana enfrentada por quem vive nas ruas. Julgamento e condenação No julgamento realizado em 3 de fevereiro de 2026, juradas e jurados do Tribunal do Júri reconheceram a responsabilidade penal do réu. A sentença fixou a pena em 15 anos de prisão, em regime fechado, conforme prevê a legislação brasileira para homicídio doloso, quando há intenção de matar. A condenação representa a responsabilização individual pelo crime, mas também carrega um peso simbólico. Para movimentos sociais, ela reafirma que a vida de uma pessoa em situação de rua tem valor e que pedir comida não pode ser tratado como justificativa para violência. O caso segue sendo acompanhado pelo Acolher da ComCausa, que cobra políticas públicas efetivas e responsabilização diante da violência contra a população em situação de rua, reforçando que Justiça não se limita à sentença, mas também à prevenção de novas mortes evitáveis. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Frei Sérgio Antônio Görgen

Morre Frei Sérgio Görgen aos 70 anos em Candiota no Rio Grande do Sul

O frade franciscano Sérgio Antônio Görgen, conhecido como Frei Sérgio, morreu na manhã desta terça-feira (3), aos 70 anos, após sofrer um infarto em casa, na comunidade dos Franciscanos em Candiota, no Rio Grande do Sul. A morte foi confirmada pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), entidade da qual ele era dirigente histórico. Em nota, o MPA afirmou que Frei Sérgio foi “mais do que um dirigente; foi um pastor” profundamente ligado à luta por soberania alimentar e dignidade camponesa. O movimento destacou ainda que o legado do frade permanece vivo “em cada semente crioula plantada neste solo”, reforçando sua importância para a organização dos pequenos agricultores em todo o país. Trajetória política e compromisso com o campo Frei Sérgio foi deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT) entre 1999 e 2002. Natural do Rio Grande do Sul, dedicou a vida à articulação política e espiritual dos excluídos e teve papel central na fundação do MPA, em 1996, segundo a própria entidade. Sua trajetória foi marcada por ações de denúncia e resistência. De acordo com o MPA, Frei Sérgio participou de cinco greves de fome ao longo da vida, em lutas por crédito agrícola nos anos 1990, contra a Reforma da Previdência em 2017 e em defesa da democracia em 2018, em vigília em frente ao Supremo Tribunal Federal. Repercussão nacional A morte do frade gerou forte repercussão entre lideranças políticas e movimentos sociais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou o falecimento e destacou a trajetória de Frei Sérgio na defesa do povo do campo e das causas populares, reconhecendo sua contribuição histórica para a agricultura camponesa e para a luta por justiça social. Também se manifestaram dirigentes de movimentos e parlamentares. João Pedro Stédile, do MST, afirmou ter perdido “um camarada de 40 anos de luta” e ressaltou o legado deixado para a militância camponesa. Miguel Rossetto descreveu Frei Sérgio como “lutador incansável do povo da terra”. O deputado federal Elvino Bohn Gass destacou sua atuação contra a desigualdade, e a ex-deputada Manuela d’Ávila afirmou que o país se despede de “um professor de coerência e coragem”. Memória, escrita e resistência Frei Sérgio também se dedicou à produção intelectual. Sobrevivente e cronista do Massacre da Fazenda Santa Elmira, em 1989, assumiu a missão de preservar a memória das lutas camponesas. É autor de obras como “Trincheiras da Resistência Camponesa” e “A Gente Não Quer Só Comida”, nas quais defendeu a agricultura camponesa como um projeto de vida e de sociedade. Desde 2010, colaborou com artigos de opinião publicados no site Sul21, sendo uma de suas últimas contribuições o texto “Questões emergentes no tempo em que vivemos”, em 2024. Nota na íntegra do Movimento dos(as) Pequenos(as) Agricultores(as) MPA Brasil  NOTA DE FALECIMENTO: Frei Sérgio Görgen, o Profeta da Resistência Camponesa. É com imenso pesar, mas guiados pela esperança que ele sempre semeou, que o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) comunica o falecimento de seu dirigente histórico, Frei Sérgio Antônio Görgen. Frade franciscano, escritor e intelectual orgânico das causas populares, Frei Sérgio foi mais do que um dirigente; foi um pastor que escolheu o “cheiro das ovelhas” e o barro das trincheiras. Sua partida deixa um vazio imenso na luta social brasileira, mas seu legado de soberania alimentar e dignidade camponesa permanece vivo em cada semente crioula plantada neste solo. Uma Vida Entregue ao Povo do CampoNatural do Rio Grande do Sul, Frei Sérgio (OFM) dedicou sua existência à articulação política e espiritual dos excluídos. Foi peça fundamental na fundação do MPA em 1996, nascido da urgência das secas e da necessidade de voz para o pequeno agricultor. Sua trajetória foi marcada pelo sacrifício pessoal em prol do coletivo. Frei Sérgio utilizou seu próprio corpo como ferramenta de denúncia através de cinco greves de fome, destacando-se as lutas por crédito agrícola nos anos 90, a resistência contra a Reforma da Previdência em 2017 e a jornada pela democracia em 2018, em frente ao STF. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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