“Ser aliado”: o que homens podem fazer quando veem assédio no Carnaval?

Ser aliado no Carnaval - Campanha Carnaval ComCausa com apoio UNFPA

Homens que desejam atuar como aliados no combate ao assédio durante o Carnaval podem fazer diferença real quando sabem como intervir de forma segura, apoiar a vítima e contribuir para a responsabilização do agressor. Essa é a premissa de um guia prático divulgado no âmbito da campanha de Carnaval da ComCausa, com apoio do UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas), voltada à promoção de masculinidades positivas e à prevenção de violências contra mulheres.

O material parte de um princípio central: segurança vem sempre em primeiro lugar. Em situações de risco de violência física — quando o agressor está alterado, em grupo, armado ou em local isolado — a orientação é clara: não confrontar sozinho. Nesses casos, a ação mais eficaz é buscar apoio imediato, acionando seguranças do bloco ou do evento, brigadistas, equipes de organização, policiamento ou pessoas de apoio próximas.

A proposta do guia é deslocar o enfrentamento do assédio de uma responsabilidade individual das mulheres para uma ação coletiva, com protagonismo dos homens, sobretudo quando o agressor é outro homem. A lógica é simples: quando homens intervêm, rompem o silêncio que sustenta a violência e reduzem a sensação de impunidade comum em ambientes de festa e multidão.

Para orientar a prática, o guia apresenta cinco formas de intervenção segura, que podem ser escolhidas de acordo com o contexto. A primeira é distrair, quebrando a dinâmica do assédio sem confronto direto. Entrar na frente, puxar um assunto neutro, oferecer ajuda ou convidar a pessoa a sair do local são estratégias que ajudam a encerrar o contato e criar uma saída segura.

Outra possibilidade é delegar, acionando quem tem autoridade ou estrutura para agir. Em muitos casos, chamar segurança, organizadores, brigadistas, policiais ou até ambulantes próximos é o caminho mais rápido e seguro para interromper a violência, especialmente em locais cheios.

O guia também cita a documentação com cuidado, apenas quando houver segurança. Anotar horário, local e características do agressor pode ajudar posteriormente, mas o registro nunca deve expor a vítima nem substituir o acolhimento. Gravar imagens só faz sentido se contribuir para a proteção e se a vítima concordar.

Há ainda a intervenção direta, chamada de direcionar, que consiste em interromper o agressor com frases curtas e firmes, como “Parou. Ela disse não” ou “Respeita”. A recomendação é evitar xingamentos ou disputas de ego, que tendem a escalar a situação. O objetivo é cessar o assédio e permitir que a vítima se afaste.

Depois da interrupção, entra o passo considerado essencial: acolher e acompanhar. O aliado deve perguntar o que a pessoa deseja — sair do local, encontrar amigas, ir a um ponto seguro ou denunciar — e oferecer apoio prático, respeitando sempre a decisão da vítima. A orientação é devolver a ela o controle da situação, sem pressionar ou minimizar o ocorrido.

O guia também destaca o que não deve ser feito, mesmo com boas intenções. Minimizar a violência com frases como “é só brincadeira” ou “Carnaval é assim”, culpar a vítima, pressionar para denunciar imediatamente ou expor a situação em redes sociais são atitudes que reforçam a violência em vez de combatê-la.

Um ponto central da campanha é a responsabilização entre homens. Quando o agressor é amigo ou conhecido, a recomendação é chamar de canto e ser direto: “Não foi consentido. Isso é assédio. Para agora.” Além disso, cortar risadas, aplausos e qualquer forma de validação social é visto como essencial para mudar a cultura que normaliza o assédio.

Em casos de risco imediato, o guia reforça a importância de acionar os canais oficiais: o 190 para emergências, o 180 — Central de Atendimento à Mulher — para orientação e encaminhamento, e o Disque 100 para denúncias de violações de direitos humanos. Em blocos e eventos, equipes de segurança e organização também devem ser procuradas.

Ao transformar orientação em prática, a ComCausa aposta que homens aliados podem contribuir de forma concreta para um Carnaval mais seguro, ajudando a interromper violências no momento em que elas acontecem e fortalecendo uma cultura de respeito, cuidado e Defesa da Vida.

ComCausa – Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida

ComCausa – Defesa da Vida, com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU), estrutura o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida como um caminho comunitário: rodas de conversa orientadas, pactos de convivência, ferramentas práticas de maturidade emocional e mobilização pública para transformar autocontrole em proteção real, dentro e fora de casa.

Este artigo integra o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, estruturado pela ComCausa – Defesa da Vida com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU). A proposta enfrenta padrões de masculinidade associados a conflitos familiares e violências cotidianas, com foco em atitudes práticas: autocontrole, convivência pacífica, respeito, corresponsabilidade e cuidado.

Parceria UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU):

UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU) ComCausa Masculinidades

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