Adriano Dias

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Grooming: O crime silencioso que ameaça a infância na era digital 

Em um mundo hiperconectado, onde crianças e adolescentes transitam com fluidez pelas redes sociais, jogos on-line e aplicativos de mensagem, um inimigo oculto se aproveita do anonimato, da ausência de mediação e da ingenuidade típica da infância para se infiltrar em suas vidas. Trata-se do grooming, nome dado à prática de aliciamento sexual de menores pela internet, uma das formas mais perversas e crescentes de violência contra a infância e adolescência no Brasil e no mundo. A palavra grooming vem do inglês e significa “preparar”, “adestrar” ou “enganar com afeto”. No contexto digital, refere-se ao processo em que um adulto — geralmente com intenção de abuso sexual — aproxima-se de uma criança ou adolescente com o objetivo de ganhar sua confiança, manipular suas emoções e, progressivamente, conduzir a vítima a interações sexuais virtuais ou até encontros presenciais. Como o grooming acontece? O grooming é um processo planejado e estratégico. O agressor, muitas vezes, se passa por alguém da mesma faixa etária da vítima, utiliza linguagem adolescente, cria perfis falsos e escolhe ambientes digitais nos quais menores de idade estão presentes — como jogos on-line, TikTok, Instagram, Discord, salas de bate-papo ou grupos de WhatsApp. Com abordagens sutis e empáticas, começa a conversar, fazer elogios, oferecer atenção, criar vínculos emocionais. Esse processo pode durar semanas ou meses. Quando a vítima já está envolvida emocionalmente ou dependente da relação construída, o aliciador passa a solicitar conteúdos íntimos- fotos, vídeos, conversas picantes – e, muitas vezes, utiliza esses materiais para extorquir, chantagear ou ameaçar a criança. Esse desdobramento do crime é conhecido como sextorsão — e tem levado jovens a quadros graves de depressão, automutilação e até suicídio. Segundo dados da SaferNet Brasil, entre 2020 e 2023, houve aumento de mais de 200% nas denúncias de crimes de abuso e aliciamento sexual infantojuvenil em ambientes digitais. Em 2023, foram mais de 35 mil denúncias relacionadas à pornografia infantil na internet, com milhares delas envolvendo situações de grooming. Impactos emocionais e sociais O grooming não deixa marcas visíveis — mas causa profundas cicatrizes emocionais. Crianças e adolescentes vítimas desse tipo de abuso relatam sentimentos de vergonha, culpa, medo e isolamento. Em muitos casos, hesitam em contar o ocorrido por temerem represálias, não confiarem nos adultos ou não compreenderem que estão sendo vítimas de um crime. Além dos danos emocionais e psicológicos, há também impactos sociais: evasão escolar, retraimento social, conflitos familiares e desestruturação do desenvolvimento saudável. A internet, que deveria ser um espaço de aprendizado e lazer, se transforma em um cenário de violência e exploração. O que diz a legislação brasileira? O Brasil passou a tipificar o grooming como crime a partir da Lei nº 13.441/2017, que alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para incluir o artigo 241-D: > Art. 241-D – Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando qualquer dos crimes previstos no Capítulo VI do Título VI da Parte Especial do Código Penal, ou induzindo-o a praticá-los. Pena: reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos e multa. Além disso, os crimes relacionados à produção, posse, compartilhamento ou divulgação de material pornográfico envolvendo menores de idade estão previstos nos artigos 240 a 241-E do ECA, com penas que podem chegar a até 8 anos de prisão. A campanha da ComCausa: Crianças com Direitos Diante da crescente incidência de crimes virtuais contra crianças e adolescentes, a ComCausa lançou neste mês de maio a campanha permanente Crianças com Direitos, com foco especial no enfrentamento aos crimes sexuais cometidos no ambiente digital. A iniciativa integra as ações da organização durante a Semana Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, promovida pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania entre os dias 19 e 22 de maio. A campanha, que será desenvolvida de forma contínua e sistemática, propõe ações educativas nas redes sociais, rodas de conversa em escolas e comunidades, distribuição de materiais informativos e formação de agentes de proteção — como professores, conselheiros tutelares, assistentes sociais, psicólogos e agentes de segurança pública. O que a sociedade pode (e deve) fazer? O grooming é um crime silencioso, mas devastador. Ele acontece nas sombras de redes sociais e aplicativos, sob o disfarce de amizades e conexões. A resposta precisa ser coletiva, firme e constante. Com educação, diálogo, legislação aplicada e campanhas como a Crianças com Direitos, é possível transformar a internet em um lugar mais seguro. Porque proteger a infância é mais do que um dever: é um ato de amor. E o amor, ao contrário do grooming, não manipula, não esconde, não ameaça — ele liberta e cuida. Imagem de capa ilustrativa. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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ComuniSaúde amplia ações com circuito de palestras para valorizar o SUS e o direito à saúde gratuita

A ComCausa anunciou nesta semana uma ampliação significativa do projeto ComuniSaúde, com o lançamento de um circuito abrangente de palestras educativas e ações de mobilização comunitária em diversos municípios da Baixada Fluminense. O objetivo principal é fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e reafirmar o direito constitucional ao acesso gratuito e universal à saúde, destacando a importância estratégica do SUS como política pública fundamental para a justiça social e a dignidade humana. As atividades do projeto são realizadas em estreita colaboração com lideranças comunitárias locais, profissionais de saúde e moradores das áreas beneficiadas. Essas ações incluem desde escutas ativas até a capacitação das comunidades, visando proporcionar o empoderamento popular e fortalecer os vínculos com os serviços públicos de saúde. Os agentes comunitários, essenciais para a operacionalização e a efetividade do SUS, têm seu papel destacado no projeto, valorizando seu trabalho diário na prevenção e promoção da saúde e na construção de relações de confiança com a população. O ComuniSaúde já traz em sua bagagem experiências exitosas como o projeto “146x Favelas”, desenvolvido em parceria com a Fiocruz, e amplia sua atuação com palestras previstas para ocorrer em escolas, associações de moradores e unidades básicas de saúde. O circuito irá tratar de temas fundamentais como: História e princípios fundamentais do SUS; Estrutura e funcionamento da atenção básica; Controle social e importância dos conselhos locais de saúde; Valorização e importância do trabalho dos agentes comunitários; Direitos em saúde e formas de acesso aos serviços; Apresentação dos resultados e mapeamentos feitos pelo projeto e dos canais de comunicação disponíveis. Para a ComCausa, a ampliação do projeto ocorre em momento oportuno, quando o SUS passa a ser cada vez mais reconhecido pela população brasileira como um grande patrimônio democrático, especialmente após o papel fundamental desempenhado durante a pandemia da Covid-19. Segundo o renomado médico e cientista Drauzio Varella, “O Brasil é o único país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes que se propôs a oferecer saúde gratuita para todos. É uma tarefa absurda”. Para fortalecer ainda mais a comunicação com a comunidade, foi lançada a plataforma digital ComuniSaude.org.br, que oferece informações claras e atualizadas sobre os serviços disponíveis e formas de acesso. Além disso, o projeto disponibiliza um canal direto de comunicação via aplicativos de mensagem para orientar e esclarecer dúvidas da população. Saúde nas favelas: um modelo integrado e inclusivo As ações serão concentradas nas principais favelas dos municípios de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis e Mesquita, com apoio direto das secretarias municipais de saúde e outras instituições locais. Entre os focos estratégicos estão o combate ao lúpus e outras doenças que afetam desproporcionalmente mulheres negras em contextos vulneráveis, exigindo abordagens específicas e inclusivas que considerem questões sociais, raciais e de gênero. O Plano Integrado de Saúde nas Favelas, criado em 2021 com investimento superior a R$ 22 milhões, através da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ, reúne instituições como Fiocruz, IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, ALERJ e Abrasco. Essa colaboração institucional visa assegurar que os serviços de saúde sejam eficazes e acessíveis aos territórios historicamente negligenciados. Nesse sentido, o ComuniSaúde se torna uma referência não apenas em mobilização popular, mas também em defesa dos direitos humanos e valorização dos trabalhadores da saúde, cumprindo assim a missão institucional da ComCausa de defender a vida e promover o direito à saúde como expressão máxima da dignidade humana. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde visa melhorar o acesso ao atendimento básico, promover saúde mental e fortalecer as redes comunitárias nas favelas da Baixada Fluminense. O projeto será implementado nas principais favelas de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis e Mesquita, em colaboração com secretarias municipais de saúde e instituições locais. O envolvimento dos moradores será crucial para mapear as necessidades e garantir que a campanha atinja todos de forma inclusiva. O lançamento da plataforma digital ComuniSaude.org.br também será parte importante do projeto, fornecendo informações detalhadas sobre os serviços de saúde disponíveis. A ComCausa também disponibilizará um número de telefone com aplicativos de mensagens para fornecer suporte durante a campanha, garantindo que a população tenha fácil acesso a orientações sobre os serviços de saúde. Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a  Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Mais notícias | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Maio Laranja mobiliza autoridades e sociedade em Mesquita no combate à pedofilia e à violência sexual infantojuvenil

Na quarta-feira, 14 de maio de 2025, a sede da OAB Mesquita foi palco de um importante debate público voltado ao enfrentamento da pedofilia e da violência sexual contra crianças e adolescentes. A iniciativa integrou o calendário do Maio Laranja — campanha nacional de mobilização em defesa da infância, com foco no 18 de Maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O evento reuniu representantes do sistema de justiça, das forças de segurança, especialistas, lideranças sociais, conselheiros tutelares e membros da comunidade local. A proposta foi promover um espaço de diálogo qualificado e construção de estratégias intersetoriais voltadas à prevenção e enfrentamento das múltiplas formas de violência sexual Leniel Borel defende efetivação da Lei Henry BorelA abertura foi conduzida pelo vereador Leniel Borel, pai do menino Henry Borel, cuja trágica morte inspirou a criação da Lei nº 14.344/2022, conhecida como Lei Henry Borel. A legislação estabelece medidas protetivas específicas para crianças vítimas de violência doméstica. Em sua fala, Leniel destacou a urgência de sua regulamentação nos municípios brasileiros, com a criação de varas especializadas, centros de atendimento e equipes multidisciplinares. “É preciso transformar dor em luta e luta em política pública permanente”, declarou, ao mencionar que, apenas em 2023, mais de 5 mil casos de violência sexual contra crianças e adolescentes foram registrados no estado do Rio de Janeiro, números que, segundo ele, ainda são subnotificados. Especialistas defendem aprimoramento institucionalNa continuidade das exposições, o advogado Valdo Tavares — presidente da Comissão Especial de Segurança Pública da OAB Subseção Nova Iguaçu — fez uma análise da realidade jurídica brasileira frente aos desafios contemporâneos do enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. Em sua fala, Tavares destacou que, embora haja um arcabouço normativo razoavelmente estruturado, ainda persistem lacunas importantes no que se refere à tipificação penal e à efetividade das sanções aplicadas aos crimes sexuais cometidos contra menores de idade. Para Valdo, “a legislação atual necessita ser aprimorada com a incorporação de dispositivos mais rígidos e específicos, capazes de responder com maior contundência à complexidade e gravidade desses delitos”. Reforçou ainda que a atuação isolada das instituições tem se mostrado ineficaz, sendo urgente a construção de uma articulação permanente entre os poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, de modo a garantir coerência, agilidade e resolutividade nas ações voltadas à responsabilização dos agressores e à proteção das vítimas. Na sequência, o delegado federal Clayton Bezerra — uma das principais autoridades nacionais no enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes — apresentou um panorama preocupante sobre o avanço das redes criminosas no país. Cleiton ressaltou que tais redes se aproveitam do anonimato, da fluidez e da velocidade da internet para produzir, disseminar e comercializar material abusivo envolvendo crianças, muitas vezes em tempo real e com alcance global. “Não basta apenas reagir aos crimes já consumados. É preciso atuar de forma preventiva e estratégica, ampliando os investimentos em inteligência cibernética, rastreamento digital, cooperação internacional e, sobretudo, em campanhas permanentes de conscientização da sociedade civil sobre os riscos e responsabilidades no ambiente virtual”, afirmou o delegado federal Cleiton. Complementando o painel técnico, a inspetora Vanessa Vieira, da 53ª Delegacia de Polícia de Mesquita, trouxe para o debate a perspectiva prática do trabalho policial cotidiano na ponta da rede de proteção. Com experiência no atendimento de casos de abuso e exploração sexual na região da Baixada Fluminense, a inspetora relatou situações vividas no contato direto com crianças vítimas e suas famílias, ressaltando os desafios emocionais, técnicos e estruturais enfrentados pelos profissionais da segurança pública. Vanessa deu especial ênfase à importância dos protocolos de escuta protegida — mecanismo previsto em normativas nacionais e internacionais como forma de garantir a integridade emocional da criança durante os procedimentos legais — e defendeu o aperfeiçoamento constante dos profissionais da rede de atendimento. “É imprescindível que os servidores públicos envolvidos nesses casos estejam não apenas tecnicamente preparados, mas também emocionalmente habilitados para lidar com situações de extrema vulnerabilidade e dor. Muitas vezes, a primeira escuta de uma criança pode determinar o rumo de todo o processo de responsabilização do agressor e a efetividade das medidas protetivas”, destacou, conclamando o poder público a investir na formação e valorização dos profissionais que atuam na linha de frente da proteção infantojuvenil. Participação plural e construção coletiva de soluções A atividade foi promovida pela OAB Mesquita, em articulação com a Secretaria Municipal de Saúde de Mesquita, a AGANIM Direitos Humanos e com o apoio da ComCausa. O evento contou com a presença de representantes do sistema de justiça, profissionais da área jurídica, educadores, estudantes, gestores públicos e lideranças comunitárias, configurando-se como um espaço plural de diálogo, escuta ativa e construção coletiva de estratégias. O Maio Laranja foi reafirmado, assim, como um marco essencial de sensibilização, mobilização social e articulação interinstitucional em defesa de uma infância livre de qualquer forma de violência. Entre os participantes pela sociedade civil estava o jornalista Adriano Dias, fundador da ComCausa, que articulou a vinda de Leniel Borel e do delegado Cleiton que, em diálogo com lideranças presentes, enfatizou que o combate à pedofilia não pode ser episódico ou reativo, mas sim contínuo, articulado e sustentado por ações educativas, mobilizações comunitárias e enfrentamento à cultura de silêncio que ainda permeia muitos territórios. “Precisamos romper o silêncio que ainda protege muitos agressores. Campanhas educativas, formação continuada e ações intersetoriais devem ser parte de um esforço permanente para garantir que nenhuma criança sofra calada. A proteção da infância é um dever coletivo e inegociável”, afirmou Adriano, que também ressaltou que a efetividade das políticas públicas depende diretamente da integração entre sociedade civil organizada, poder público e movimentos sociais, que devem atuar de forma colaborativa para a construção de uma rede de proteção robusta, ética e eficiente. ComCausa lança campanha especial no 18 de Maio Como desdobramento das atividades do Maio Laranja, a ComCausa anunciou que, a partir do próximo 18 de maio, será lançada uma campanha especial com duração de sete dias, inteiramente dedicada à conscientização e ao enfrentamento da exploração sexual infantil. A iniciativa prevê uma série de ações, incluindo rodas de conversa, mobilizações em espaços públicos, distribuição de materiais educativos em unidades escolares e intensa atuação nas redes sociais, em parceria

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Divaldo Franco

Divaldo Franco: a despedida de um mestre da espiritualidade que dedicou a vida à paz, ao amor e à caridade

O Brasil e o mundo espiritualista se despedem de uma de suas maiores referências: Divaldo Pereira Franco, médium, educador e filantropo, faleceu nesta terça-feira, deixando um legado inestimável de amor, caridade e sabedoria. Sua trajetória foi marcada por uma dedicação profunda ao próximo, à doutrina espírita e à transformação de vidas por meio da educação e da espiritualidade. Nascido em Feira de Santana (BA) em 5 de maio de 1927, Divaldo Franco teve sua mediunidade aflorada desde cedo. Ao longo de sua vida, tornou-se um dos principais divulgadores do Espiritismo no Brasil e no mundo, sendo responsável por conferências em mais de 60 países, além da publicação de centenas de livros psicografados, muitos deles assinados pelo espírito Joanna de Ângelis, sua mentora espiritual. Mas Divaldo foi muito além da palavra. Em 1952, fundou a Mansão do Caminho, instituição localizada em Salvador que acolheu e educou milhares de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. O espaço, que começou com atendimento a poucos órfãos, transformou-se em um complexo educacional e social que continua ativo, sendo exemplo concreto de como o amor pode se transformar em ação. Com uma oratória cativante e uma presença sempre acolhedora, Divaldo utilizou cada palestra, entrevista e conversa como instrumentos para semear a paz, combater o preconceito e despertar consciências. Sempre com serenidade, enfrentou desafios, preconceitos e resistências, mas nunca se afastou da sua missão de promover a evolução espiritual e o autoconhecimento. Sua partida representa não apenas o fim de um ciclo terreno, mas também o reencontro de um espírito que, segundo a crença espírita, retorna à pátria espiritual após cumprir, com excelência, sua missão. Para os que ficam, permanece a certeza de que seu exemplo seguirá vivo — nas páginas de seus livros, nas obras da Mansão do Caminho, nas memórias dos que o ouviram e nas almas que ajudou a curar. Em nota, instituições espíritas de todo o mundo lamentaram a perda, destacando sua contribuição insubstituível à divulgação da doutrina codificada por Allan Kardec. Personalidades do meio religioso, espiritualista e humanitário prestaram homenagens, lembrando de sua humildade, dedicação e força moral. Mais do que um médium, Divaldo Franco foi, para muitos, um verdadeiro embaixador da luz. Um homem que escolheu servir e que, com esse serviço, iluminou o caminho de incontáveis pessoas. Sua vida foi uma prece em movimento. Sua morte, um retorno ao lar que sempre anunciou. Gratidão eterna, Divaldo. Que sua luz continue a brilhar nos corações de todos que acreditam em um mundo mais fraterno, justo e espiritualizado. Mais notícias | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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As Mães de Maio: a luta incansável por justiça e memória

Em maio de 2006, uma onda de violência tomou conta de São Paulo, resultando na morte de mais de 500 pessoas. As vítimas eram em sua maioria jovens negros, pobres e moradores de periferias. O episódio ficou conhecido como os “Crimes de Maio”. Mas para um grupo de mulheres, a dor da perda se transformou em luta por justiça e memória. Essas mulheres são conhecidas como as Mães de Maio. Crimes de Maio Em maio de 2006, o estado de São Paulo viveu uma onda de violência sem precedentes. Policiais e grupos paramilitares ligados à polícia realizaram uma série de execuções sumárias, em retaliação aos “ataques do PCC”, como foram rotulados pela mídia tradicional. Em apenas nove dias, entre 12 e 21 de maio, ocorreram 425 execuções e quatro pessoas desapareceram. A matança continuou nos dias seguintes, resultando na morte de mais 80 civis. Desde então, as famílias das vítimas da violência policial têm lutado incansavelmente por justiça e memória. Surgiu então as “Mães de Maio”, que no último anos tem promovido diversas atividades nessa luta, incluindo o acolhimento e a solidariedade entre familiares e amigos das vítimas do Estado, a denúncia sistemática dos casos e da situação das investigações e processos, a participação em debates, seminários, encontros e conferências, bem como a organização de atividades de luta, como protestos, marchas e vigílias. O movimento Mães de Maio é composto por mães, familiares, amigos e amigas de vítimas da violência do Estado em São Paulo, principalmente na capital e na Baixada Santista. Desde os Crimes de Maio, essas mulheres têm se unido para lutar pela verdade, memória e justiça para todas as vítimas da violência discriminatória, institucional e policial contra a população pobre, negra e os movimentos sociais brasileiros, de ontem e de hoje. Apesar de enfrentarem ameaças, intimidações e violência, as Mães de Maio seguem firmes na luta por justiça e memória. Elas realizam manifestações pacíficas, atos políticos, vigílias e encontros para discutir estratégias e organizar ações. O grupo também participa de iniciativas de outros grupos e entidades públicas, além de publicar o livro “Do luto à luta”, que teve boa repercussão na imprensa nacional. As Mães de Maio se tornaram um símbolo de resistência e solidariedade, apoiando outras lutas por justiça e memória, como a luta das famílias de vítimas da Chacina de Osasco. Elas se tornaram uma voz importante na denúncia da violência do Estado e na defesa dos direitos humanos. E enquanto houver injustiça e impunidade, essas mulheres seguirão lutando para que a memória de seus filhos e filhas seja honrada, e para que a justiça seja feita. Para saber mais, acesse este link! | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Chacina Jacarezinho

Memória: Chacina Jacarezinho

No dia 6 de maio de 2021, a Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou uma operação na favela do Jacarezinho, situada na Zona Norte, resultando na morte de 28 pessoas da comunidade. No início da operação, o policial civil André Leonardo de Mello Frias foi fatalmente atingido na cabeça por um tiro. Além das trágicas mortes, houve relatos dos moradores sobre casos de tortura, abuso de autoridade, invasões de residências sem mandado judicial e confisco de telefones celulares. Na época, a Secretaria da Polícia Civil do Rio de Janeiro declarou sigilo de cinco anos sobre documentos relacionados a operações realizadas desde junho de 2020, incluindo a operação no Jacarezinho. Essa invasão policial violou uma decisão do Supremo Tribunal Federal que restringia operações em favelas durante a pandemia. A maior chacina em operação policial do Rio Após a chacina da Baixada em 2005, na qual 29 pessoas foram mortas por policiais militares, a operação realizada na comunidade do Jacarezinho se tornou a com o maior número de mortos na história, totalizando 27 vítimas da população. Esse terrível incidente é agora a segunda maior chacina em termos de número de mortos e a primeira ocorrida em uma operação policial. Veja as pessoas que perderam a vida no episodio: A primeira vítima na operação foi o policial civil André Leonardo de Mello Frias. Ele era lotado na Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), cuja missão é investigar as quadrilhas de traficantes no Estado do Rio de Janeiro. Durante o início da operação, o inspetor foi ferido e o delegado de polícia Marcus Amin, titular da Dcod, que estava ao seu lado, quase foi atingido também. Segundo os investigadores, o tiro que atingiu o policial foi disparado por um criminoso que se encontrava em uma laje na favela. Os colegas descrevem o policial André como tendo um perfil operacional, gostando de participar em ações policiais e tendo amplo conhecimento em armas de fogo. Moradores do Jacarezinho: 1. Bruno Brasil (Bruninho) Bruno Brasil, morto em operação no Jacarezinho — Foto: Reprodução Bruno Brasil aparece em um relatório de inteligência da Polícia Civil sobre a operação no Jacarezinho como suspeito por associação para o tráfico de drogas e também com passagens pelo tráfico de drogas. Ficou preso de 2002 a 2005. Foi morto na rua do Areal. “Meu marido não era bandido. Era trabalhador, mas estava desempregado. Ele saía todo dia de madrugada para comprar água e doces no mercado para vender na rua. Era como ele sustentava a casa. Ele estava saindo de casa quando os policiais o pegaram no Beco da Zélia, levaram para uma casa e deram um tiro na cabeça.” 2. Caio Da Silva Figueiredo (Di Galo) Caio da Silva Figueiredo, morto em operação no Jacarezinho — Foto: Reprodução Menor de idade, ele faria 18 anos no dia 31 de maio. Caio não tinha antecedentes criminais, segundo a Polícia Civil. Foi um dos três mortos na Travessa do Areal. Segundo a polícia, a irmã prestou depoimento e disse que soube da morte pelo WhatsApp através de amigos. De acordo com o depoimento, ele era morador de Paracambi e conheceu, há alguns meses, moradores do Jacarezinho, para aonde foi há cerca de um mês. Ainda de acordo com a polícia, a irmã teria dito que o irmão é usuário de drogas. 3. Carlos Ivan Avelino Da Costa Junior (Bracinho) Carlos Ivan, morto em operação no Jacarezinho — Foto: Reprodução Foi morto no Campo do Abóbora, no Jacarezinho. Já havia sido preso por tráfico de drogas em 2015. Na ocasião, segundo a polícia, ele foi pego com 121 embalagens de cocaína, um rádio comunicador e R$ 35. Estava em Triagem, na Zona Norte, e tentou fugir da polícia correndo, desarmado. A mãe de Carlos prestou depoimento, afirmando que o filho morava na rua e era viciado em drogas havia quatro anos. Ela disse que não sabia de sua participação com o tráfico de drogas, embora já tivesse sido preso. 4. Cleyton Da Silva Freitas De Lima (Sabará) Cleyton, morto em operação no Jacarezinho — Foto: Reprodução Aparece em mensagens de redes sociais como integrante do tráfico de drogas do Jacarezinho. Após a morte, faixas homenageiam seu nome dentro da comunidade, segundo as investigações da Polícia Civil. O registro de ocorrência aponta que ele foi morto na Rua Darci Vargas. A mulher de Cleyton afirma que ele foi assassinado e criticou a operação, em entrevista ao site “Metrópoles”. “Eles foram para matar. Falei com meu marido no telefone ainda vivo. Ele estava com tiro na perna e depois apareceu morto com quatro. Nunca vi uma operação assim”, disse ao portal. Familiares afirmam que souberam que o parente foi baleado e tentaram ir ao local, mas foram impedidos pela polícia. No reconhecimento do corpo, ele tinha perfurações no ombro e no abdômen. 5. Diogo Barbosa Gomes (Descontrolado ou Petrolino) Diogo Barbosa Gomes, morto em operação no Jacarezinho — Foto: Reprodução Em postagens e fotos de redes sociais, Diogo aparece segurando um fuzil. Tem passagens por desacato e desistência. Foi um dos sete mortos na rua do Areal, próximo ao Pontilhão. A equipe de reportagem não conseguiu contato com familiares. 6. Evandro Da Silva Santos (Playboy) Evandro, morto em operação no Jacarezinho — Foto: Reprodução Preso em 2013 por porte ilegal de arma de fogo, já tinha passagem na polícia por uso de entorpecentes. Tinha 49 anos. Foi um dos sete mortos na rua do Areal, próximo ao Pontilhão. A equipe de reportagem não conseguiu contato com familiares. 7. Francisco Fábio Dias Araújo Chaves Francisco, morto em operação no Jacarezinho — Foto: Reprodução Foi preso em 2017 por tráfico de drogas e conseguiu a liberdade em 2020. Foi um dos três mortos na Travessa do Areal. Familiares dizem que viram Francisco sendo levado em um caveirão com um tiro na mão. Pouco depois, os parentes foram avisados que ele tinha sido morto. Ao “Extra”, disseram que ele foi morto a facadas. A Polícia Civil informou que as perícias descartaram ferimentos por faca. Antes disso, ainda de acordo com o relato,

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