A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros de Oliveira, cumprirá agenda institucional em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, no dia 5 de agosto de 2026. A programação reunirá lideranças sociais e religiosas, representantes do poder público, gestores municipais de promoção da igualdade racial, organizações da sociedade civil e integrantes de comunidades tradicionais da região.

A visita será uma oportunidade para ampliar o diálogo entre o Governo Federal, os municípios da Baixada Fluminense e as organizações que atuam diretamente nos territórios. Entre os principais temas da agenda estarão o enfrentamento ao racismo, a defesa da liberdade religiosa, a valorização das culturas afro-brasileiras, o fortalecimento dos povos e comunidades tradicionais e a participação social na construção das políticas públicas.

Rachel Barros de Oliveira ocupa atualmente o cargo de ministra de Estado da Igualdade Racial, conforme informações oficiais do Governo Federal.

Baixada Fluminense como território estratégico para a igualdade racial

A Baixada Fluminense possui grande importância social, cultural, política e econômica para o estado do Rio de Janeiro. A região reúne milhões de habitantes e é marcada por uma expressiva presença da população negra, de povos de terreiro, comunidades tradicionais de matrizes africanas, coletivos juvenis, movimentos sociais, escolas de samba, organizações culturais e entidades de defesa dos direitos humanos.

Ao mesmo tempo, os municípios da região enfrentam desafios históricos relacionados à desigualdade social, ao racismo estrutural, à violência, ao saneamento, à mobilidade urbana e ao acesso aos serviços públicos. Essas desigualdades atingem de maneira especialmente intensa a população negra, as juventudes, as mulheres, as comunidades tradicionais e as famílias em situação de vulnerabilidade.

A presença da ministra em São João de Meriti poderá contribuir para dar visibilidade às demandas regionais, conhecer experiências desenvolvidas nos territórios e fortalecer uma agenda integrada entre o Governo Federal, as administrações municipais e a sociedade civil.

Racismo religioso afeta especialmente as religiões de matrizes africanas

O enfrentamento ao racismo religioso será um dos temas centrais da programação. Povos de terreiro e comunidades tradicionais de matrizes africanas ainda convivem com perseguições, ameaças, invasões de espaços sagrados, destruição de símbolos religiosos, constrangimentos, discursos de ódio e outras formas de violência.

Estudo publicado em 2025 pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro apontou que as religiões de matrizes africanas e indígenas enfrentam as formas mais intensas de violência religiosa, incluindo ataques físicos e destruição de espaços sagrados.

A Baixada Fluminense aparece há anos entre as regiões mais afetadas por ocorrências de intolerância e racismo religioso no estado. Dados apresentados pela antiga Coordenadoria de Promoção e Defesa da Liberdade Religiosa indicaram que a Baixada Fluminense e a Zona Oeste concentravam grande parte dos casos, especialmente em escolas, ruas e repartições públicas. O levantamento também registrou um crescimento de 17 casos, em 2012, para 123 casos, em 2019, no estado.

Embora esses números sejam anteriores e não representem a totalidade das ocorrências atuais, eles demonstram um problema persistente e marcado pela subnotificação. Muitas vítimas deixam de registrar formalmente as agressões por medo, insegurança, desconhecimento dos canais de denúncia ou falta de confiança nas instituições.

O Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro passou a divulgar dados relacionados à injúria por preconceito, discriminação e ultraje a culto religioso com base nos registros de ocorrência da Polícia Civil. O próprio órgão esclarece, entretanto, que os dados ainda não atendem integralmente às exigências legais de detalhamento, o que dificulta a produção de um diagnóstico completo sobre intolerância religiosa.

Casos recentes demonstram que o problema permanece presente na região. Em maio de 2026, a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro informou que acompanhava, em Nova Iguaçu, um caso de racismo religioso envolvendo perseguições, intimidações e ofensas recorrentes contra praticantes de religião de matriz africana.

Essas situações não podem ser compreendidas apenas como conflitos entre diferentes crenças. Em muitos casos, as agressões são manifestações de racismo direcionadas contra tradições, identidades, memórias e conhecimentos de origem africana.

O enfrentamento ao racismo religioso exige ações permanentes de prevenção, formação, proteção, responsabilização e articulação entre o poder público e a sociedade civil. Também exige a participação direta das comunidades atingidas, das lideranças religiosas, das juventudes e das organizações que atuam nos territórios.

Agenda começa na Comunidade de São Benedito

A primeira atividade da comitiva da ministra Rachel Barros de Oliveira acontecerá às 12h, na Comunidade de São Benedito, onde funciona o Núcleo de Oração e Convivência Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.

O espaço está localizado na Rua Maestro Villa-Lobos, nº 231, no Centro de São João de Meriti. A chegada da ministra será marcada por um momento de acolhimento, convivência e diálogo com lideranças locais, representantes religiosos, integrantes da comunidade e organizações sociais.

A atividade permitirá apresentar experiências de mobilização comunitária desenvolvidas no território e as principais demandas relacionadas à igualdade racial, à liberdade religiosa e à proteção das comunidades tradicionais.

A referência local para a atividade será Maria José, pelo telefone (21) 97966-7404.

Ministra visitará a Casa de Cláudia, tradicional terreiro de Umbanda

Às 13h, a comitiva seguirá para a Casa de Cláudia, localizada na Rua Maria Emília, nº 136, no Centro de São João de Meriti.

A Casa de Cláudia é um terreiro umbandista que tem a fé, a humildade e a caridade como fundamentos de sua atuação religiosa e social. A instituição afirma desenvolver suas atividades sem cobrança por bênçãos ou trabalhos espirituais e com respeito à diversidade de práticas existentes dentro da Umbanda.

A história da Casa de Cláudia está ligada à trajetória do médium Luiz de Mattos e do Caboclo Pena Azul. Sua formação começou a partir de trabalhos espirituais realizados na Baixada Fluminense, até a instalação definitiva de sua sede em São João de Meriti, na década de 1970.

O nome é uma homenagem à Irmã Cláudia, entidade espiritual associada à história da instituição. A Casa também ficou conhecida como “A Morada da Fé” e desenvolveu, ao longo de sua trajetória, ações religiosas, assistenciais e comunitárias.

A instituição foi declarada de utilidade pública e se tornou uma referência da Umbanda em São João de Meriti. Além das atividades religiosas, a Casa defende a caridade, o acolhimento, o combate ao preconceito e o respeito entre diferentes tradições de fé.

A Casa de Cláudia também integra o Movimento Umbanda do Amanhã, iniciativa que atua no combate à intolerância religiosa, na defesa do meio ambiente e na valorização da Umbanda como uma religião comprometida com a caridade.

A visita contará com a participação de Mãe Marilena Matos e de outras lideranças ligadas ao espaço. A atividade deverá promover um diálogo sobre liberdade de crença e de culto, atuação comunitária, preservação da memória religiosa e enfrentamento ao racismo religioso.

O encontro também poderá destacar a contribuição dos terreiros e espaços religiosos para o acolhimento social, a solidariedade, a organização comunitária e a defesa dos direitos humanos.

A referência de contato para a atividade será Mãe Mariana, pelo telefone (21) 98781-1148.

Centro Cultural Meritiense receberá encontro regional

Após a visita à Casa de Cláudia, a programação seguirá para o Centro Cultural Meritiense, equipamento vinculado à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de São João de Meriti.

O espaço está localizado na Rua Panamense, sem número, no bairro Jardim Meriti, próximo à Praça da Prefeitura. O encontro deverá reunir gestores e gestoras de promoção da igualdade racial dos municípios da Baixada Fluminense, representantes do poder público, lideranças sociais, organizações da sociedade civil e comunidades religiosas.

A atividade será um espaço para a apresentação de experiências municipais, projetos em desenvolvimento, desafios institucionais e propostas de cooperação entre o Governo Federal e os municípios.

A reunião também poderá contribuir para fortalecer os organismos municipais de promoção da igualdade racial e construir uma agenda regional compartilhada. Entre os assuntos que poderão ser debatidos estão o enfrentamento ao racismo institucional, a valorização da cultura afro-brasileira, a proteção dos povos e comunidades tradicionais, a formação de gestores públicos, a liberdade religiosa e o fortalecimento da participação social.

As referências de contato para o encontro no Centro Cultural Meritiense serão Frei Tatá, pelo telefone (21) 98138-2200, e Regina Célia, pelo telefone (21) 98856-9903.

Participação social e fortalecimento das políticas públicas

A agenda da ministra poderá ampliar a interlocução entre os municípios da Baixada Fluminense e contribuir para a construção de políticas públicas articuladas regionalmente.

A participação da sociedade civil é fundamental para identificar demandas, acompanhar a execução das políticas públicas e desenvolver soluções adequadas às realidades locais. Lideranças religiosas, juventudes, povos de terreiro, movimentos sociais e organizações comunitárias precisam ocupar os espaços de diálogo e decisão relacionados à promoção da igualdade racial e à defesa da liberdade religiosa.

A visita também poderá estimular a formação de redes regionais de proteção, ampliar a circulação de informações e promover ações conjuntas de enfrentamento ao racismo, à discriminação e às violações de direitos.

ComCausa apresentará projeto voltado às juventudes no encerramento da agenda

Durante o encontro no Centro Cultural Meritiense, a ComCausa – Defesa da Vida apresentará, ao final da programação, o projeto “Juventudes pela Liberdade Religiosa: Igualdade Racial, Participação Social e Enfrentamento ao Racismo Religioso”.

A iniciativa foi aprovada pela Secretaria Nacional de Juventude, vinculada à Secretaria-Geral da Presidência da República, e pretende mobilizar jovens para a promoção da igualdade racial, da liberdade de crença e de culto, dos direitos humanos e da participação social.

O projeto prevê ações de formação, mobilização comunitária, comunicação, produção de conhecimento e articulação com instituições públicas, povos de terreiro, comunidades religiosas e organizações sociais.

A proposta busca fortalecer o protagonismo juvenil na prevenção e no enfrentamento à intolerância, à discriminação e ao racismo religioso. Também pretende contribuir para que os jovens reconheçam situações de violência, conheçam seus direitos e participem da construção de estratégias de proteção e transformação social.

Durante a apresentação, serão expostos os objetivos, a metodologia, o público prioritário, as atividades previstas e as possibilidades de articulação com o Ministério da Igualdade Racial, os gestores municipais e as redes locais de defesa de direitos.

CAIS ComCausa atuará na retaguarda de casos de violações

A ComCausa também apresentará a atuação do CAIS ComCausa – Autonomia e Inclusão, executado em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos.

O CAIS ComCausa poderá atuar na retaguarda das ações, oferecendo acolhimento, escuta, orientação e encaminhamento em situações de violação de direitos identificadas durante as atividades ou apresentadas pelas comunidades participantes.

Essa atuação poderá alcançar casos de racismo religioso, intolerância, discriminação, violência, vulnerabilidade social, rompimento de vínculos familiares e comunitários e dificuldades de acesso aos serviços públicos.

Quando necessário, os casos poderão ser encaminhados para serviços das áreas de assistência social, saúde, direitos humanos, igualdade racial, proteção às mulheres, juventude, segurança pública e justiça. Também poderão ser realizadas articulações com a Defensoria Pública, o Ministério Público, conselhos de direitos e outras instituições integrantes da rede de garantia de direitos.

A integração entre o projeto “Juventudes pela Liberdade Religiosa” e o CAIS ComCausa permitirá unir ações de formação e prevenção a uma estrutura de acolhimento e orientação. A atuação não substituirá os órgãos públicos responsáveis, mas buscará facilitar o acesso das pessoas aos serviços, mecanismos de proteção e políticas públicas existentes.

Agenda da ministra Rachel Barros de Oliveira – 5 de agosto

12h – Comunidade de São Benedito
Núcleo de Oração e Convivência Nossa Senhora do Rosário e São Benedito
Rua Maestro Villa-Lobos, 231 – Centro – São João de Meriti

13h – Casa de Cláudia – A Morada da Fé
Rua Maria Emília, 136 – Centro – São João de Meriti

Após a visita – Centro Cultural Meritiense
Rua Panamense, s/nº – Jardim Meriti – São João de Meriti

A programação poderá sofrer alterações.

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