No dia 16 de março de 2022, a cidade de Campo Limpo Paulista (SP) foi profundamente abalada pelo desaparecimento de Lara Maria Oliveira Nascimento, de apenas 12 anos. O sumiço da adolescente gerou comoção e mobilização imediata entre familiares, amigos, moradores da região e forças de segurança, com campanhas sendo realizadas nas redes sociais e ampla divulgação pela imprensa.
Três dias depois, a esperança deu lugar ao luto. O corpo de Lara foi encontrado em um terreno próximo à sua residência, apresentando sinais evidentes de violência. O laudo do Instituto Médico Legal constatou traumatismo craniano decorrente de ao menos quatro golpes com instrumento contundente — possivelmente um martelo ou picareta — além da presença de cal sobre o corpo da vítima, o que indicava uma tentativa de ocultação.
A investigação policial examinou mais de 5 mil imagens de câmeras de segurança até identificar Wellington Galindo de Queiroz como o principal suspeito. Com antecedentes por tráfico de drogas, associação criminosa, receptação e crimes contra o patrimônio, Wellington foi flagrado em imagens dirigindo um veículo prata nas proximidades do local onde Lara foi vista pela última vez. A Polícia Civil solicitou sua prisão temporária em 25 de março daquele ano. No dia 28, a Justiça decretou sua prisão por 30 dias, mas o suspeito fugiu, iniciando uma longa caçada policial. Informações indicavam que ele poderia estar escondido na Paraíba ou em Pernambuco.

No dia 24 de maio de 2023, mais de um ano após o crime, a Justiça realizou a primeira audiência sobre o caso, com o Ministério Público requerendo a antecipação das provas testemunhais diante do risco de esquecimento de detalhes importantes pelas testemunhas.
Luto, dor e desafios para a família
Desde o assassinato brutal, a vida da família Nascimento se transformou completamente. Luana Nascimento, mãe de Lara, que trabalhava com confeitaria e decoração de festas, não conseguiu retomar suas atividades, impactada emocionalmente a ponto de não conseguir sequer tocar nos utensílios usados pela filha. O pai de Lara também precisou se afastar do trabalho. A família, que tem mais duas filhas, passou a depender da solidariedade de amigos para manter o sustento e cogita deixar a casa onde moraram pelos últimos seis anos.
A perda de Lara escancarou não apenas a dor do luto, mas os impactos sociais e psicológicos causados por crimes contra crianças, ressaltando a necessidade de apoio institucional e comunitário às famílias vítimas de violência.
Prisão do acusado após dois anos
Quase dois anos após o crime, em uma operação da Polícia Federal em Foz do Iguaçu (PR), Wellington Galindo de Queiroz foi finalmente localizado e preso, próximo à Ponte Internacional da Amizade. As autoridades já monitoravam a região da Tríplice Fronteira após receberem informações sobre a presença de um foragido de alta periculosidade.
Ao ser abordado, Wellington tentou se passar por outra pessoa, usando o nome falso de “Diego”. Durante o interrogatório, confessou ter fugido de São Paulo para o Paraná com a intenção de atravessar para o Paraguai, mas acabou fixando residência em Foz do Iguaçu, onde vivia realizando pequenos serviços manuais.
Além do mandado de prisão por homicídio e estupro de vulnerável, ele também possuía outra ordem de prisão expedida em Pernambuco por porte ilegal de arma de fogo. Após a prisão, foi encaminhado para audiência de custódia e aguarda transferência para São Paulo, onde responderá oficialmente pelos crimes.
ComCausa e o programa ACOLHER acompanham o caso
A ComCausa, por meio de seu programa ACOLHER, entrou em contato com a mãe de Lara para oferecer alguma fomra de apoio e passou acompanhar o caso.
O programa ACOLHER vai além do acolhimento psicológico, prestando acompanhamento contínuo às famílias vítimas de violência, promovendo sua escuta ativa, apoio técnico e conexão com redes de apoio e mobilização. A organização também atua na interlocução com movimentos sociais, imprensa e autoridades públicas, com o objetivo de assegurar que a dor da família não caia no esquecimento, que a verdade prevaleça e que a justiça seja feita. Para a ComCausa, a construção de uma cultura de paz e a Defesa da Vida passam por ações concretas de enfrentamento à violência e amparo às vítimas.
“A voz da família precisa ser ouvida. A verdade precisa ser revelada. A justiça precisa acontecer.” — lema do ACOLHER
A ComCausa reafirma seu compromisso com os direitos humanos, com a dignidade das famílias afetadas pela violência e com a transformação social por meio do engajamento coletivo. O caso de Lara Nascimento não será esquecido — será memória e luta por um futuro onde nenhuma criança precise viver (ou morrer) sob o medo.
O desaparecimento e morte de Lara Nascimento trouxeram não apenas dor, mas impactos profundos na vida cotidiana da família, ressaltando a necessidade de apoio psicológico e solidariedade da comunidade. Enquanto a investigação continua em busca de respostas, a família luta para reconstruir suas vidas, enfrentando uma jornada de superação diante da tragédia que os assolou.
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