No último sábado, 16 de agosto, a comunidade de Tinguá, em Nova Iguaçu, se reuniu em um ato emocionante e contundente em memória de Gabriel, jovem morto em circunstâncias ainda não esclarecidas. O encontro, realizado às 15h30 no exato local onde o rapaz perdeu a vida, mobilizou familiares, amigos, lideranças comunitárias, organizações de direitos humanos e moradores da região.

O ato foi marcado por falas de denúncia, protestos contra a impunidade e apelos por respostas das autoridades públicas. Com cartazes, cruzes, velas e palavras de ordem, os presentes lembraram que Gabriel não pode ser apenas mais um número nas estatísticas de violência.

“Cada passo aqui é um grito por justiça. Gabriel tinha sonhos, família, amigos. E a dor da perda se multiplica com o silêncio do Estado”, afirmou uma das lideranças presentes.

Luta coletiva por justiça e memória

Mais do que uma homenagem, a mobilização teve como objetivo central pressionar por avanços nas investigações, cobrar a responsabilização dos culpados e exigir ações efetivas do poder público frente à crescente letalidade de jovens na Baixada Fluminense.

O ato se somou a uma série de atividades que vêm sendo organizadas pela comunidade e por entidades comprometidas com os direitos humanos e a justiça social, e que veem em casos como o de Gabriel uma expressão da negligência estrutural com vidas periféricas.

A ComCausa Defesa da Vida, por meio do projeto Acolher, tem acompanhado o caso desde o início, prestando orientação jurídica à família, articulando o apoio institucional e reunindo documentos e informações para garantir visibilidade e consistência ao processo de cobrança por justiça.

Reuniões com órgãos públicos e estratégicas com movimentos sociais estão em andamento para definir as próximas etapas da mobilização, que deve incluir audiências públicas, atos conjuntos e denúncias em instâncias superiores.

“Nosso compromisso é com a memória de Gabriel e com a luta para que nenhuma família mais enfrente o abandono do Estado diante da perda de um filho para a violência”, destacou um Adriano Dias fundador da ComCausa.

Justiça e verdade para Gabriel

A mobilização em Tinguá foi mais um capítulo da resistência das famílias vítimas da violência que se recusam a aceitar o esquecimento. Com cada vela acesa e cada nome gritado, a comunidade reforçou que Gabriel vive na luta por justiça, e que sua história não será apagada.

A mentira para justificar o injustificável: caso Gabriel desmonta versão oficial e expõe distorções em ação policial

Após o assassinato de Gabriel, jovem morto durante uma abordagem policial em Tinguá, Nova Iguaçu, uma narrativa distorcida passou a circular para tentar justificar o ocorrido. A versão — amplamente disseminada em redes sociais e canais informais — alegava que o jovem teria “empinado a moto” e “jogado o veículo contra o policial”, o que supostamente explicaria o disparo.

No entanto, testemunhas oculares afirmaram de forma categórica que Gabriel trafegava normalmente, sem realizar manobras perigosas, e não reagiu à abordagem. O vídeo divulgado pela ComCausa Defesa da Vida, extraído de câmeras de segurança próximas ao local, confirma visualmente que não houve qualquer ameaça ou conduta agressiva por parte da vítima.

Para familiares e defensores de direitos humanos, trata-se de uma tentativa clássica de criminalizar a vítima e legitimar o uso da força letal, uma prática frequente em casos de violência policial que envolvem jovens negros das periferias.

“Tentaram matar a reputação do Gabriel depois de matarem sua vida”, disse um parente durante reunião com a ComCausa. “A cada dia sem resposta, não é só a dor que aumenta. É a sensação de que o sistema já decidiu quem vale e quem não vale ser defendido.”

Mesmo com provas, processo está parado

Apesar das evidências audiovisuais, dos depoimentos de testemunhas e da repercussão do caso, o processo judicial segue sem avanços concretos. Nenhum agente foi afastado ou responsabilizado formalmente. Para a família, a demora não representa apenas um atraso processual, mas sim um ataque direto à ideia de justiça.

Um caso que revela uma estrutura maior

A morte de Gabriel não é um caso isolado — ela revela um padrão recorrente de violência estatal que atinge, com mais intensidade, as regiões mais vulneráveis do estado. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) confirmam que a Baixada Fluminense concentra alguns dos maiores índices de mortes por intervenção policial no estado do Rio de Janeiro.

Essas mortes, segundo estudos de organizações de direitos humanos, atingem majoritariamente jovens negros, moradores de áreas periféricas, e muitas vezes ocorrem em situações onde o uso da força letal poderia e deveria ter sido evitado.

Para a ComCausa Defesa da Vida, que acompanha o caso por meio do projeto Acolher, é urgente rever protocolos policiais, garantir investigações transparentes e promover ações institucionais que coloquem fim à naturalização da violência contra determinadas populações.

Impunidade que perpetua o ciclo

Quando o Estado permite que versões falsas prevaleçam, que provas sejam ignoradas e que agentes não sejam responsabilizados, ele reafirma um modelo seletivo de justiça, onde determinadas vidas seguem sendo descartáveis.

A luta por Gabriel é, portanto, a luta contra a lógica da letalidade naturalizada, da impunidade garantida, e da violência institucional mascarada de ação legítima.

Foto: A Nova Democracia

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