Luiz Antônio Mello, jornalista, radialista, produtor musical e escritor, faleceu aos 70 anos nesta terça-feira, 30 de abril de 2025, em Niterói, vítima de uma parada cardíaca enquanto se recuperava de uma pancreatite. Sua morte representa uma perda significativa para a comunicação, a cultura e a música brasileira. Em reconhecimento à sua trajetória, a Prefeitura de Niterói decretou luto oficial de três dias.
“Luiz Antônio Melo era um niteroiense apaixonado por nossa cidade e que tinha uma mente, uma capacidade inventiva e criativa extraordinária. Participou diretamente de um dos momentos mais marcantes da música brasileira e do rock nacional através da rádio fluminense na década de 80. Niterói, o rock e o jornalismo estão de luto com a sua partida. Mas ele deixou um legado, suas ideias”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves.
Nascido no Rio de Janeiro em 18 de fevereiro de 1955, Luiz Antônio Mello iniciou sua carreira ainda nos anos 1970, atuando como cronista no Jornal de Icaraí. Com uma trajetória marcada pela ousadia editorial, ele passou por veículos como Rádio Federal AM, Rádio Tupi AM, Jornal do Brasil, Última Hora, O Pasquim e Opinião, construindo uma sólida reputação como cronista e defensor da liberdade de expressão.
Sua maior marca, no entanto, foi como criador e diretor da histórica Fluminense FM — a lendária “Rádio Maldita” — ao lado de Samuel Wainer Filho. Lançada em 1981, a emissora rompeu paradigmas ao promover exclusivamente artistas do rock nacional, abrindo espaço para bandas que mais tarde se tornariam ícones, como Blitz, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana e Barão Vermelho. A rádio se transformou em referência para uma geração e pilar do movimento cultural que consolidou o rock como linguagem da juventude brasileira dos anos 80.
Luiz Antônio Mello também foi autor do livro “A Onda Maldita” (1992), no qual relatou os bastidores da criação e auge da Fluminense FM, expondo as dificuldades e conquistas de uma rádio que ousou desafiar o mainstream. Sua trajetória inspirou o filme “Aumenta que é Rock’n’Roll” (2024), dirigido por Tomás Portella, em que foi interpretado por Johnny Massaro.
Mesmo após o fim da fase mais conhecida da Fluminense FM, Luiz seguiu atuando como cronista e formador de opinião, sempre engajado em causas sociais e culturais. Sua presença em programas e entrevistas era marcada por reflexões afiadas sobre o papel da mídia, da juventude e da cultura na transformação social.
A trajetória de Luiz Antônio Mello ecoa não apenas nos estúdios de rádio, mas também na memória afetiva e política de toda uma geração. Para a organização ComCausa, que atua com direitos humanos e juventude, Mello foi um dos nomes que ajudaram a consolidar a cultura como instrumento de defesa da vida e da cidadania, especialmente em territórios populares.
Seu legado permanece vivo nas ondas do rádio, nos livros, nos palcos e nas histórias que ajudou a construir — e amplificar.
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