Ser homem de verdade é ser responsável: com o que você sente, com o que você faz, com a vida ao redor.

A virada não precisa ser um teste de força, nem um “acerto de contas” disfarçado de celebração. Ela pode ser um marco de maturidade: a decisão consciente de fazer da convivência um lugar de segurança, não de disputa. Depois de quatro dias de diagnóstico, raiz, impacto e espelho, a mensagem final é positiva e prática: o roteiro pode mudar quando responsabilidade vira hábito e o cuidado vira compromisso público.

Essa mudança é urgente — e os sinais aparecem com clareza nos canais de ajuda. Em 2024, a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) registrou mais de 750 mil atendimentos somando telefone, WhatsApp e e-mails (mais de 2 mil por dia). E, só em ligações, foram 691.444 chamadas recebidas, um aumento de 21,6% em relação ao ano anterior. O dado mais duro, porém, é o que ele revela sobre persistência: em 46,4% das denúncias registradas, a vítima relatou agressões diárias.

Masculinidades Positivas: presença que protege

Masculinidades Positivas não pedem que o homem “deixe de ser homem”. Propõem algo melhor: uma presença que protege. É o homem que sabe pausar, regular o tom, reconhecer emoções e dividir o cuidado. É o homem que troca performance por responsabilidade — e faz disso um padrão, não uma exceção de fim de ano.

A própria realidade do Ligue 180 mostra que a violência nem sempre começa “no tapa”: na lista de violações relatadas em 2024, a violência psicológica aparece como a mais frequente (101.007 registros), seguida da violência física (78.651). Isso reforça um ponto central desta série: mudar o roteiro antes da escalada é proteção concreta.

Quatro pactos simples para uma virada com dignidade

A virada precisa sair do discurso e entrar no corpo. Aqui vão quatro pactos diretos — para combinar com a família e praticar consigo:

1) Regular o álcool como cuidado (sem performance): Se você percebe que “passou do ponto”, esse é o momento de escolher limite como maturidade: alternar com água, comer, desacelerar, parar antes de virar risco.

2) Trocar disputa por escuta: Convivência não é campeonato. Escuta ativa é perguntar mais do que afirmar, baixar o volume, aceitar encerrar o assunto quando virar ringue.

3) Nomear emoções antes que virem raiva: Dizer “não estou bem”, “estou no limite”, “preciso de cinco minutos” é coragem prática. É o contrário de explodir.

4) Dividir cuidado como responsabilidade, não “ajuda”: Assumir tarefas reais — antes, durante e depois da festa — reduz tensão e injustiça. Cuidado compartilhado é prevenção.

Compromisso público: um texto curto para colocar em prática

“Na virada, eu me comprometo a manter a casa como lugar de cuidado, não de disputa. Vou respeitar limites, regular o álcool, falar sem gritar, fazer pausa quando eu escalar e dividir responsabilidades. Minha presença precisa ser segurança, não tensão. Virada é compromisso.”

Quando o risco aparece: pedir ajuda também é proteção

A virada positiva não ignora o risco. Se houver ameaça, intimidação, violência física, medo real ou alguém impedido de sair, isso não é “clima ruim”. É violência e precisa de rede. O Ligue 180 funciona 24h e também pode ser acionado por WhatsApp; em emergência, o caminho é o 190.

No final, sempre volta ao essencial: Defesa da Vida

Virada é compromisso porque a vida não pode depender do humor de ninguém. Por isso, a ComCausa – Defesa da Vida, com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU), estrutura o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida como um caminho comunitário: rodas de conversa orientadas, pactos de convivência, ferramentas práticas de maturidade emocional e mobilização pública para transformar autocontrole em proteção real, dentro e fora de casa.

Este artigo integra o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, estruturado pela ComCausa – Defesa da Vida com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU). A proposta enfrenta padrões de masculinidade associados a conflitos familiares e violências cotidianas, com foco em atitudes práticas: autocontrole, convivência pacífica, respeito, corresponsabilidade e cuidado.

Imagem de capa ilustrativa.

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