A Frente de Mobilização da Maré nasceu em março de 2020, quando comunicadores comunitários decidiram enfrentar a pandemia com informação acessível e ação direta. O objetivo inicial era simples e urgente: levar orientações claras sobre sintomas, prevenção, higiene e isolamento social aos moradores das 16 comunidades da Maré, território que abriga cerca de 140 mil pessoas na zona norte do Rio de Janeiro.
Com o avanço da crise sanitária e social, a iniciativa cresceu e se transformou em uma ampla rede de solidariedade. Hoje, a Frente segue atuando contra os efeitos da covid-19 e da fome, dois problemas que caminham juntos nas favelas brasileiras. Em dois anos, mais de 4.500 famílias receberam cestas básicas, impactando diretamente mais de 16 mil pessoas.
A comunicação comunitária sempre foi um dos pilares da atuação. Faixas espalhadas pelas ruas, carros de som, panfletos, grafites e cards digitais alertaram sobre o coronavírus, divulgaram dados de casos e mortes e reforçaram a importância do uso de máscara e da higiene. As redes sociais do coletivo ampliaram o alcance das informações, chegando também a outras favelas do país.
Em 2021, a Frente deu um passo decisivo ao inaugurar a Cozinha Solidária da Maré, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz. O espaço se tornou referência no combate à insegurança alimentar. Atualmente, cerca de 200 pessoas são atendidas toda semana com refeições preparadas dentro da própria favela, fortalecendo laços comunitários e garantindo dignidade a quem mais precisa.
A urgência do trabalho é reforçada pela realidade local. Grande parte da população depende do trabalho informal, setor que já apresentava crescimento antes da pandemia, segundo dados da Agência Brasil. Com a redução da renda e o isolamento social, muitas famílias ficaram sem condições mínimas de subsistência. A falta de saneamento básico e os cortes de recursos na saúde pública aumentam ainda mais a vulnerabilidade dos moradores da Maré.
A Frente de Mobilização da Maré reúne mais de 50 voluntários, entre moradores, educadores, profissionais de saúde, assistentes sociais e coletivos culturais. Desde o início da pandemia, o grupo atua para minimizar os impactos da crise por meio de informação confiável, mobilização social e distribuição de alimentos e itens de higiene.
Para manter as ações, o coletivo segue contando com doações de pessoas físicas e jurídicas. A contribuição garante a continuidade da comunicação comunitária, da segurança alimentar e da defesa da vida em um dos maiores conjuntos de favelas do Brasil. A mobilização mostra que, onde o poder público não chega, a organização popular faz a diferença.
Sobre o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro
A rede Saúde da Favela, atualmente denominada 146x Favela, representa uma construção inédita que une o saber científico das universidades à vivência concreta das comunidades. Nela, instituições de referência como Fiocruz, IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco atuam em cooperação direta com coletivos de base, movimentos populares e organizações locais, formando uma estrutura de colaboração sem precedentes em escala e profundidade.
Hoje, a rede articula 146 iniciativas comunitárias, cada uma com sua história, identidade e base territorial. Essa capilaridade é um de seus maiores diferenciais, permitindo que o debate sobre o direito à saúde chegue a espaços onde o Estado historicamente se ausenta — nas vielas, becos, ocupações, periferias urbanas e áreas rurais marginalizadas.
Outro pilar essencial é a diversidade dos parceiros: associações de moradores, coletivos de juventude, grupos de comunicação comunitária, instituições de educação popular, terreiros de matriz africana, articulações indígenas, movimentos de mulheres, LGBTQIAPN+ e tantos outros. É essa pluralidade de experiências e saberes que dá vida à iniciativa, transformando-a em um verdadeiro instrumento de democratização da saúde.
Ao integrar-se à rede, a ComCausa Defesa da Vida busca fortalecer esse potencial coletivo, contribuindo para consolidar uma política de saúde fundada na escuta, na ciência e na dignidade humana — pilares de um futuro em que a favela não seja vista como espaço de carência, mas como território de potência, conhecimento e esperança.

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