Criada em 2011, na favela da Rocinha, Zona Sul do Rio de Janeiro, a Favela Verde se consolidou como uma organização de referência na promoção da sustentabilidade urbana e da participação social em territórios populares. A iniciativa nasce da necessidade de enfrentar desafios ambientais e sociais a partir do protagonismo comunitário e da construção coletiva de soluções.
Em 2015, a organização iniciou uma nova fase, batizada de Favela Verde 2.0, marcada pela renovação de estratégias e pelo fortalecimento de processos participativos voltados ao desenvolvimento sustentável urbano nas favelas do Rio. A proposta passou a integrar educação ambiental, intervenções urbanas e geração de renda, sempre com base no diálogo com moradores e lideranças locais.
Os projetos da Favela Verde são desenvolvidos junto à comunidade e organizados em três grandes eixos de atuação. No campo da educação, a organização realiza campanhas de sensibilização ambiental, ações educativas no ensino formal e não formal e atividades culturais voltadas à consciência ecológica. No eixo da intervenção, atua na gestão de resíduos, na implantação de hortas comunitárias, sistemas agroflorestais, bacias de evapotranspiração, reflorestamento e revitalização de espaços públicos. Já no eixo do empreendedorismo, investe em ecoturismo de base comunitária e em iniciativas de empreendedorismo social.
O objetivo central da Favela Verde é promover a sustentabilidade e a resiliência urbana por meio da participação social, fortalecendo o vínculo da comunidade com o território e incentivando práticas que respeitam o meio ambiente e a vida coletiva.
A organização também se destacou em editais públicos. Por meio da Associação Soluções Urbanas: Urbanismo, Cultura e Cidadania, a Favela Verde participou de duas chamadas do edital da Fiocruz. Na primeira, com o projeto “Alimentar é Vital: Soberania alimentar e agroecologia na favela do Vital Brasil”, foram atendidas 456 famílias. A iniciativa garantiu a distribuição de 4,8 toneladas de alimentos agroecológicos, além da realização de mutirões para implantação de hortas comunitárias e ações de reciclagem.
Na segunda chamada, com o projeto “Semear é Vital: Resgatando os saberes da Terra”, o foco esteve na reconexão das comunidades com práticas agroecológicas e saberes tradicionais. A ação buscou fortalecer o vínculo com a terra, promover educação ambiental e estimular a soberania alimentar de forma sustentável.
Ao longo de sua trajetória, a Favela Verde reafirma seu compromisso com a Defesa da vida, a justiça socioambiental e a construção de cidades mais inclusivas. A experiência mostra que soluções urbanas eficazes nas favelas passam, necessariamente, pela escuta ativa, pela participação comunitária e pelo reconhecimento dos saberes locais.
Comunicação e presença digital
E-mail: favelaverde@gmail.com
Sobre o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro
A rede Saúde da Favela, atualmente denominada 146x Favela, representa uma construção inédita que une o saber científico das universidades à vivência concreta das comunidades. Nela, instituições de referência como Fiocruz, IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco atuam em cooperação direta com coletivos de base, movimentos populares e organizações locais, formando uma estrutura de colaboração sem precedentes em escala e profundidade.
Hoje, a rede articula 146 iniciativas comunitárias, cada uma com sua história, identidade e base territorial. Essa capilaridade é um de seus maiores diferenciais, permitindo que o debate sobre o direito à saúde chegue a espaços onde o Estado historicamente se ausenta — nas vielas, becos, ocupações, periferias urbanas e áreas rurais marginalizadas.
Outro pilar essencial é a diversidade dos parceiros: associações de moradores, coletivos de juventude, grupos de comunicação comunitária, instituições de educação popular, terreiros de matriz africana, articulações indígenas, movimentos de mulheres, LGBTQIAPN+ e tantos outros. É essa pluralidade de experiências e saberes que dá vida à iniciativa, transformando-a em um verdadeiro instrumento de democratização da saúde.
Ao integrar-se à rede, a ComCausa Defesa da Vida busca fortalecer esse potencial coletivo, contribuindo para consolidar uma política de saúde fundada na escuta, na ciência e na dignidade humana — pilares de um futuro em que a favela não seja vista como espaço de carência, mas como território de potência, conhecimento e esperança.

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