O Centro de Integração na Serra da Misericórdia (CEM) atua desde 2011 no Complexo da Penha como um espaço de integração socioambiental, cultural e comunitária. A organização, sem fins lucrativos, desenvolve ações que articulam educação, comunicação e cidadania para fortalecer a relação das favelas do entorno com a Serra da Misericórdia — último grande fragmento de Mata Atlântica na região com maior densidade demográfica da cidade do Rio.
Localizado em uma área marcada por escassez de verde, baixos índices de qualidade do ar e intensa vulnerabilidade social, o CEM se coloca como um contraponto à lógica de desigualdade urbana. Seu trabalho se estrutura na agroecologia e na agricultura urbana como ferramentas de transformação, autonomia e direito à cidade.
Entre as iniciativas mais importantes estão os encontros conhecidos como intercâmbios de quintais. Esses espaços de troca reúnem moradores, equipamentos públicos, escolas, creches e a clínica da família. Nos intercâmbios, a comunidade compartilha saberes sobre plantio, alimentação saudável, cuidado ambiental e saúde coletiva. A dinâmica fortalece vínculos, amplia o acesso aos serviços públicos e aproxima instituições do território. O processo gera autonomia, planejamento participativo e maior capacidade comunitária de enfrentar desafios comuns — reforçando a Defesa da vida no território.
A atuação durante a pandemia
Na pandemia de Covid-19, o CEM ampliou sua presença e sua rede de proteção social. A associação realizou o cadastro de moradores, acompanhou demandas urgentes e articulou grupos de trabalho voltados à solidariedade. Foram distribuídas cestas de alimentos agroecológicos, kits de autocuidado, materiais informativos e ações de apoio emocional. O coletivo também participou de lives de formação, campanhas de arrecadação e ações de sustentabilidade.
Um dos marcos desse período foi a mobilização para construir uma cisterna comunitária, passo importante para fortalecer a autonomia hídrica da localidade. A resposta rápida e integrada reforçou o papel do CEM como articulador social e ambiental em um dos territórios mais impactados pela crise sanitária.
Hoje, o CEM segue ativo, cultivando agroecologia, fortalecendo redes comunitárias e defendendo o direito à cidade para quem vive na Serra da Misericórdia. A organização reafirma que preservar a floresta, investir em vínculos sociais e criar espaços de formação coletiva são caminhos para garantir vida digna, justiça ambiental e cidadania na favela.
Comunicação e presença digital
E-mail: cem.contatos@gmail.com
Telefone: (21) 99744-4870
Sobre o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro
A rede Saúde da Favela, atualmente denominada 146x Favela, representa uma construção inédita que une o saber científico das universidades à vivência concreta das comunidades. Nela, instituições de referência como Fiocruz, IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco atuam em cooperação direta com coletivos de base, movimentos populares e organizações locais, formando uma estrutura de colaboração sem precedentes em escala e profundidade.
Hoje, a rede articula 146 iniciativas comunitárias, cada uma com sua história, identidade e base territorial. Essa capilaridade é um de seus maiores diferenciais, permitindo que o debate sobre o direito à saúde chegue a espaços onde o Estado historicamente se ausenta — nas vielas, becos, ocupações, periferias urbanas e áreas rurais marginalizadas.
Outro pilar essencial é a diversidade dos parceiros: associações de moradores, coletivos de juventude, grupos de comunicação comunitária, instituições de educação popular, terreiros de matriz africana, articulações indígenas, movimentos de mulheres, LGBTQIAPN+ e tantos outros. É essa pluralidade de experiências e saberes que dá vida à iniciativa, transformando-a em um verdadeiro instrumento de democratização da saúde.
Ao integrar-se à rede, a ComCausa Defesa da Vida busca fortalecer esse potencial coletivo, contribuindo para consolidar uma política de saúde fundada na escuta, na ciência e na dignidade humana — pilares de um futuro em que a favela não seja vista como espaço de carência, mas como território de potência, conhecimento e esperança.

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