A Bispo do Rosário Associação Cultural (BRASS) atua como uma das instituições mais importantes da Zona Oeste do Rio de Janeiro ao apoiar o Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea (mBrac) e promover práticas de arte, cultura, educação e saúde mental no território histórico da Colônia Juliano Moreira, na Taquara, em Jacarepaguá. A associação desenvolve projetos que integram criação artística, memória social e cuidado psicossocial, atendendo pessoas em vulnerabilidade e fortalecendo o diálogo entre arte e direitos humanos.
Um território marcado pela história e ressignificado pela cultura
Instalada dentro do Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira (IMASJM), antiga Colônia Juliano Moreira — um dos maiores complexos manicomiais do país — a BRASS atua em um espaço onde memórias de sofrimento, exclusão e violência institucional convivem hoje com práticas culturais, educativas e de inclusão social.
O museu preserva mais de 800 obras de Arthur Bispo do Rosário, artista sergipano que transformou sua vivência no manicômio em um legado artístico singular, reconhecido no Brasil e no mundo.
Um museu vivo que preserva, educa e transforma
O mBrac desenvolve suas ações em três eixos centrais:
1. Acervo
Preserva, estuda e difunde as obras de Arthur Bispo do Rosário, além de um amplo patrimônio documental sobre a história da psiquiatria no Brasil e a própria Colônia Juliano Moreira.
2. Exposições
Organiza duas mostras por ano nas quatro galerias da sede e no Polo Experimental. As exposições exploram temas contemporâneos e dialogam com o pensamento crítico sobre arte, território e saúde mental.
3. Polo Experimental de Convivência, Educação e Cultura
Promove oficinas, mediações, ações educativas, rodas de convivência e programas de formação voltados a crianças, jovens, adultos e moradores das residências terapêuticas.
O Circuito Cultural Colônia integra visitas ao Centro Histórico Rodrigues Caldas, ao Pavilhão 10, onde Bispo viveu e criou parte de sua obra, e ao Polo Experimental, permitindo ao visitante compreender a relação entre arte, memória e território.
A BRASS e sua missão de inclusão social
A BRASS desenvolve ações continuadas que ampliam a autonomia, a renda e a qualidade de vida de moradores da Colônia e pessoas em sofrimento mental. Seus programas apostam na economia criativa, na geração de renda, na formação profissional e em práticas comunitárias que integram arte, cuidado e cidadania.
A associação foi contemplada em chamadas públicas e editais dedicados à saúde, cultura e direitos humanos, incluindo o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, promovido pela Fiocruz.
Linha do tempo: como o museu se transformou
A história do museu reflete a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil:
- 1952 — Criação do setor Egaz Muniz, dedicado à produção artística dos pacientes.
- Década de 1980 — Com a reforma psiquiátrica, o museu passa a se chamar Nise da Silveira.
- 1989 — Morte de Arthur Bispo do Rosário; o museu passa a custodiar seu acervo.
- 2000 — A instituição assume o nome Museu Bispo do Rosário.
- 2002 — Inclui “Arte Contemporânea” e inicia diálogo com a arte moderna.
- 2013 — Amplia atuação social e incorpora memória como eixo estratégico.
- Atualidade — Se consolida como dispositivo cultural fundamental da Zona Oeste.
Cada mudança de nome evidencia a virada histórica: do silenciamento manicomial ao reconhecimento da criação artística e dos direitos das pessoas em sofrimento mental.
O Pavilhão 10 e a cela de Bispo: memória viva do manicômio
O Pavilhão 10 é o único remanescente do antigo Núcleo Ulisses Vianna, onde homens considerados agitados eram trancados em celas-fortes.
Bispo transformou essas celas em espaço de criação. Ali ele bordou estandartes, reuniu objetos, construiu peças e desenvolveu sua missão artística — uma tentativa de representar o mundo para o dia do Juízo Final.
Obras de recuperação do Pavilhão estão em andamento para transformá-lo em um espaço expositivo permanente dedicado à memória do passado asilar e ao processo criativo de Bispo.
Quem foi Arthur Bispo do Rosário
Nascido em 1909, em Japaratuba (SE), Bispo teve passagem pela Marinha, foi pugilista e trabalhava como vulcanizador. Após experiências místicas, foi internado e passou grande parte da vida na Colônia Juliano Moreira, onde criou sua obra monumental com linhas desfiadas de uniformes, objetos do cotidiano e materiais reciclados.
Mesmo marginalizado por raça, pobreza e sofrimento psíquico, Bispo subverteu o espaço manicomial e produziu uma das obras mais potentes da arte contemporânea brasileira. Morreu em 1989, deixando um legado artístico e político que inspira debates sobre saúde mental e cidadania.
Exposições de destaque
Quilombo do Rosário (2018)
A mostra reuniu artistas negros e dialogou com ancestralidade, território e antirracismo. O destaque foi um mapa da África feito por Bispo, apresentado pela primeira vez.
Paredes da Minha Casa – Experiência B (2014)
Residência do artista Daniel Murgel no Polo Experimental. Criou tijolos com terra do próprio território e ergueu uma obra coletiva e colaborativa, hoje transformada em “ruína programada”.
Participação no Plano Integrado de Saúde nas Favelas
O projeto Arte, Horta & Cia, desenvolvido pela BRASS, teve impacto direto na comunidade ao unir arte, saúde mental e sustentabilidade.
Resultados:
- 623 pessoas atendidas
- 4,2 toneladas de alimentos distribuídos
- Hortas comunitárias implantadas, fortalecendo segurança alimentar
- Acompanhamento psicossocial contínuo
- Integração entre cultura, cuidado e pertencimento
O projeto mostrou como a arte e o cuidado podem caminhar juntos na Defesa da vida, promovendo vínculos, autonomia e saúde integral.
Comunicação e presença digital
E-mail: contato@museubispodorosario.com
Telefone: (21) 3432-2402
Sobre o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro
A rede Saúde da Favela, atualmente denominada 146x Favela, representa uma construção inédita que une o saber científico das universidades à vivência concreta das comunidades. Nela, instituições de referência como Fiocruz, IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco atuam em cooperação direta com coletivos de base, movimentos populares e organizações locais, formando uma estrutura de colaboração sem precedentes em escala e profundidade.
Hoje, a rede articula 146 iniciativas comunitárias, cada uma com sua história, identidade e base territorial. Essa capilaridade é um de seus maiores diferenciais, permitindo que o debate sobre o direito à saúde chegue a espaços onde o Estado historicamente se ausenta — nas vielas, becos, ocupações, periferias urbanas e áreas rurais marginalizadas.
Outro pilar essencial é a diversidade dos parceiros: associações de moradores, coletivos de juventude, grupos de comunicação comunitária, instituições de educação popular, terreiros de matriz africana, articulações indígenas, movimentos de mulheres, LGBTQIAPN+ e tantos outros. É essa pluralidade de experiências e saberes que dá vida à iniciativa, transformando-a em um verdadeiro instrumento de democratização da saúde.
Ao integrar-se à rede, a ComCausa Defesa da Vida busca fortalecer esse potencial coletivo, contribuindo para consolidar uma política de saúde fundada na escuta, na ciência e na dignidade humana — pilares de um futuro em que a favela não seja vista como espaço de carência, mas como território de potência, conhecimento e esperança.

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