Após três anos de espera, sofrimento e mobilizações constantes, está marcado para o dia 12 de maio de 2025 o julgamento de Wellington Galindo de Queiroz, acusado do assassinato brutal da adolescente Lara Maria Oliveira Nascimento, de 12 anos, ocorrido em março de 2022, em Campo Limpo Paulista (SP). O julgamento será realizado pelo Tribunal do Júri da 1ª Vara Criminal da Comarca de Campo Limpo Paulista, e será conduzido pelo juiz Dr. Lucas Dadalto Sahão.

O caso teve início no dia 16 de março de 2022, quando Lara saiu de casa para comprar pão e desapareceu. Três dias depois, seu corpo foi encontrado em uma área de mata nas proximidades de sua residência, apresentando sinais evidentes de violência. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a menina foi vítima de traumatismo craniano, causado por pelo menos quatro golpes desferidos com um objeto contundente, como um martelo ou picareta. Havia também a presença de cal sobre o corpo — o que, segundo os peritos, indicava uma tentativa deliberada de acelerar a decomposição.

As investigações, conduzidas pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí, resultaram na identificação de Wellington Galindo como principal suspeito. Imagens de câmeras de segurança o flagraram dirigindo um carro prata na região onde Lara foi vista pela última vez. O suspeito, com passagens criminais por tráfico de drogas, receptação e associação criminosa, foi intimado para depor, mas fugiu, tornando-se foragido da Justiça.

Durante dois anos, Wellington foi procurado pelas autoridades de diversos estados e chegou a entrar na lista de foragidos da Interpol. Informações não confirmadas apontavam sua possível presença em estados do Nordeste. Entretanto, foi somente em abril de 2024 que ele foi capturado pela Polícia Federal, em Foz do Iguaçu (PR), região da Tríplice Fronteira.

No momento da abordagem, registrada em vídeo pelas autoridades, Wellington tentou se passar por outra pessoa, identificando-se como “Diego Rodrigues Alves”. Alegou trabalhar como eletricista e morar na cidade há um ano e três meses. Sem documentos, foi encaminhado à delegacia e, após confronto com os dados disponíveis, confessou sua identidade real. Contra ele havia mandado de prisão preventiva pelos crimes de homicídio qualificado, além de uma ordem judicial por porte ilegal de arma de fogo, expedida pela Vara de Execuções Penais de Pernambuco.

Julgamento marcado encerra longa espera da família de Lara Maria: dor, resistência e a busca por justiça

A prisão de Wellington Galindo de Queiroz, ocorrida em abril de 2024 após dois anos foragido, permitiu o avanço decisivo do processo judicial que investiga o assassinato da adolescente Lara Maria Oliveira Nascimento, de 12 anos. Com o réu agora sob custódia, a Comarca de Campo Limpo Paulista anunciou a data do julgamento: será no dia 12 de maio de 2025, em sessão de júri popular, presidida pelo juiz Dr. Lucas Dadalto Sahão.

A Promotoria de Justiça de São Paulo, responsável pela condução do caso desde o início, será reforçada pela atuação das advogadas criminalistas Dra. Marli Carvalho e Dra. Janira Rocha, que compõem a assistência de acusação e representam os interesses da família de Lara. Ambas acompanham o caso desde os primeiros momentos, contribuindo para que a voz da família seja efetivamente ouvida nos autos do processo.

Desde o crime, os pais de Lara enfrentam uma realidade marcada por sofrimento emocional e dificuldades materiais. A mãe, Luana Nascimento, que trabalhava com confeitaria, abandonou a atividade profissional após a perda da filha, incapaz de retomar a rotina em um ambiente repleto de lembranças. O pai, igualmente abalado, precisou afastar-se do trabalho por recomendação médica. Com outras duas filhas pequenas, o casal contou com o apoio da rede de solidariedade de amigos, vizinhos e da comunidade local para enfrentar o luto e a longa espera por justiça.

Acompanhamento da ComCausa

A trajetória da família recebeu suporte também de organizações da sociedade civil, como a ComCausa, que acompanha o caso por meio do programa ACOLHER por indicação de outro familiar de vitima. A iniciativa oferece apoio emocional, orientação institucional e articulação com a imprensa, os movimentos sociais e as autoridades, ajudando a manter viva a memória da vítima e a pressionar por justiça. Para a ComCausa, o julgamento representa muito mais do que a resolução de um processo:

“Não é apenas por Lara. É por todas as crianças vítimas de violência que precisam ser lembradas e protegidas. Este julgamento é um símbolo contra a impunidade e a banalização da dor que tantas famílias enfrentam no país”, divulgado em nota pela instituição.

A sessão será aberta ao público, e a presença da comunidade é esperada como um gesto coletivo de solidariedade e vigilância democrática. A mobilização nas redes sociais segue forte, principalmente por meio da campanha com a hashtag #JustiçaPorLaraMaria, que impulsionou atos simbólicos, caminhadas e homenagens ao longo dos últimos anos.

Kuta da família de Lara

Desde o dia do desaparecimento, em 16 de março de 2022, até a localização do corpo da menina três dias depois — com graves lesões e indícios de tentativa de ocultação —, a família de Lara viveu uma jornada marcada pela dor, mas também por coragem. A luta por justiça transformou-se em uma missão de vida para os pais, que esperam, com o julgamento, poder honrar a memória da filha e encerrar um ciclo de sofrimento.

“A luta é para que a verdade apareça e que a justiça finalmente aconteça. Queremos lembrar a Lara como ela era: uma menina cheia de sonhos, carinhosa e doce. O que nos resta agora é garantir que sua memória não seja esquecida e que seu nome represente resistência”, declarou Luana, emocionada.

A sociedade de Campo Limpo Paulista, duramente impactada pela tragédia, também aguarda o desfecho do caso como um marco de reparação coletiva. Para muitos moradores, o julgamento simboliza o compromisso com a verdade e a reafirmação de que a justiça pode até tardar, mas não pode falhar.


Julgamento de Wellington Galindo de Queiroz
Data: 12 de maio de 2025 (segunda-feira)
Horário: 9h30
Local: Fórum de Campo Limpo Paulista – 1ª Vara
Endereço: Rua Marechal Deodoro da Fonseca 550 – Vila Tavares

 Veja o caso completo em

https://comcausa.org.br/memoria-menina-lara-maria/

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