Nesta sexta-feira, 6 de junho de 2025, a ComCausa participou do encontro intersetorial “Articulando Assistência Social, Saúde e Movimentos Sociais no Enfrentamento da Tuberculose”, realizado no Centro Administrativo São Sebastião (CASS), sede da Prefeitura do Rio de Janeiro. A organização marcou presença por meio do projeto ComuniSaúde, que atua na conscientização sobre a tuberculose em favelas da Baixada Fluminense.

O evento, que ocorreu das 9h30 às 13h, reuniu representantes da saúde, assistência social e sociedade civil para discutir estratégias conjuntas e apresentar dados atualizados sobre a tuberculose. O objetivo foi fortalecer a integração entre políticas públicas e controle social no combate à doença.

Estiveram presentes representantes da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), do Fórum de Tuberculose do Estado do Rio de Janeiro, dos Conselhos Municipais de Assistência Social (CMAS) e de Saúde (CMS), além do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e ISTs do Ministério da Saúde (Dathi/CGTM/MS). 

Entre os destaques da programação estiveram a apresentação do Plano Nacional Pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública, lançado pelo Governo Federal, e exposições técnicas das secretarias municipais, que abordaram os desafios e os avanços no enfrentamento da doença na capital.

O Fórum de Tuberculose RJ também promoveu um painel sobre o papel da sociedade civil e as possibilidades de articulação intersetorial nos territórios mais vulneráveis. O encontro foi aberto ao público, com espaço para perguntas e participação ativa dos presentes.

Débora Barroso, que representou a ComCausa no evento, destacou a importância da mobilização local:
“A tuberculose ainda é uma realidade nas periferias da Baixada Fluminense. É essencial que os territórios tenham voz ativa nas decisões e ações públicas, e o projeto ComuniSaúde tem atuado justamente nesse sentido — promovendo informação, prevenção e articulação comunitária.”

A presença da ComCausa, através do ComuniSaúde, reforça o compromisso com a defesa da vida e o enfrentamento das desigualdades sociais que agravam a permanência da tuberculose nas periferias.

A tuberculose e os desafios enfrentados na Baixada Fluminense

A Baixada Fluminense, composta por 13 municípios e cerca de 4 milhões de habitantes, é uma região historicamente marcada por profundas desigualdades sociais e desafios estruturais. Com alta densidade populacional, infraestrutura precária, falta de saneamento básico e acesso limitado a serviços essenciais, seus moradores enfrentam condições adversas como exclusão social, moradias inadequadas e ausência de políticas públicas eficazes.

Esse contexto territorial favorece a disseminação de doenças como a tuberculose. A situação se agrava devido a barreiras sociais e culturais, o que torna o enfrentamento da doença ainda mais difícil para as populações vulneráveis.

Para se ter uma ideia da gravidade do cenário, dados de 2021 da Secretaria Estadual de Saúde (SES) apontaram 16.099 casos e 867 óbitos por tuberculose no estado do Rio de Janeiro. Desse total, 86% dos casos estavam concentrados em 16 municípios, sendo 10 deles localizados na Baixada Fluminense: Belford Roxo, Duque de Caxias, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Queimados e São João de Meriti.

Em 2023, o estado do Rio apresentou a terceira maior incidência de tuberculose no Brasil, com 70,7 casos por 100 mil habitantes, e a segunda maior taxa de mortalidade, com 4,7 óbitos por 100 mil habitantes. A Região Metropolitana I, que inclui a Baixada Fluminense, concentrou 75,7% dos casos registrados no estado, abrangendo 60,6% da população fluminense.

Além das condições territoriais, a falta de informação, o estigma social associado à doença e o desconhecimento sobre os serviços de saúde disponíveis contribuem para o atraso no diagnóstico, o abandono do tratamento e o reforço de preconceitos. Isso perpetua o ciclo de desigualdades, afetando principalmente os grupos mais vulnerabilizados, que enfrentam obstáculos adicionais para acessar direitos básicos.

Entre os grupos mais afetados estão pessoas em situação de rua e a população carcerária. A ausência de moradia, a insegurança alimentar e a exclusão social dificultam o diagnóstico precoce e a continuidade do tratamento para a população de rua. Já nas unidades prisionais, como a Penitenciária Milton Dias Moreira, em Japeri, e as unidades do Degase, as condições de superlotação, insalubridade e falta de acesso a cuidados médicos adequados criam um ambiente propício à propagação da doença.

Pessoas vivendo com HIV também estão entre os grupos prioritários. A coinfecção com a tuberculose agrava os riscos à saúde e exige uma resposta integrada dos serviços. Da mesma forma, indivíduos com comorbidades, como diabetes, enfrentam desafios específicos que requerem atenção diferenciada para garantir diagnóstico e tratamento adequados.

Outros grupos que demandam atenção são os usuários de álcool e outras drogas. Muitos enfrentam estigmas e barreiras no acesso aos serviços de saúde. Para esses casos, são necessárias ações com linguagem inclusiva, abordagens personalizadas e campanhas direcionadas que considerem suas realidades.

Também é essencial ampliar estratégias de informação e cuidado voltadas a adultos, crianças e adolescentes que convivem com pessoas diagnosticadas ou pertencentes aos grupos de risco. A exposição constante aumenta o risco de infecção, exigindo ações preventivas específicas.

Por fim, é crucial implementar estratégias voltadas à população negra e aos moradores de favelas. Esses grupos enfrentam barreiras históricas e estruturais no acesso à saúde, o que torna ainda mais urgente o desenvolvimento de políticas públicas inclusivas, sensíveis à cultura local e capazes de garantir o direito à saúde e à vida digna para todos.

ComuniSaúde e o impacto nas favelas

ComuniSaúde visa melhorar o acesso ao atendimento básico, promover saúde mental e fortalecer as redes comunitárias nas favelas da Baixada Fluminense. O projeto será implementado nas principais favelas de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis e Mesquita, em colaboração com secretarias municipais de saúde e instituições locais. O envolvimento dos moradores será crucial para mapear as necessidades e garantir que a campanha atinja todos de forma inclusiva.

O lançamento da plataforma digital ComuniSaude.org.br também será parte importante do projeto, fornecendo informações detalhadas sobre os serviços de saúde disponíveis. A ComCausa também disponibilizará um número de telefone com aplicativos de mensagens para fornecer suporte durante a campanha, garantindo que a população tenha fácil acesso a orientações sobre os serviços de saúde.

Acesse: comunisaude.org.br

Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro

Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFFUENFUFRJUERJPUCRJSBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas.

ComuniSaúde ComCausa Fiocruz

Realização:
Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS)Prefeitura do Rio de Janeiro

Parcerias:
SUS | Ministério da Saúde | Governo Federal | Prefeitura do Rio de Janeiro | Fórum de Tuberculose do Estado do Rio de Janeiro

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