Destaque

Dia da Saúde da Favela - Arquivo ComCausa

Dia Estadual de Saúde nas Favelas reúne organizações no MUF no Rio em 10 de fevereiro

Organizações de favelas do Rio de Janeiro se reuniram nesta terça-feira, 10 de fevereiro, no Museu de Favela (MUF), no Complexo Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, para marcar o Dia Estadual de Saúde nas Favelas com um encontro de escuta, troca de experiências e construção coletiva. A atividade integra uma programação coordenada pelo Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, iniciativa ligada à Fiocruz que articula organizações sociais, universidades e coletivos comunitários em diferentes regiões do estado. A mensagem central do encontro foi direta: políticas de cuidado feitas a partir dos territórios populares produzem saúde não só para quem vive nas favelas, mas para a cidade como um todo. Participantes defenderam que o cuidado já existente nos territórios — coletivo e cotidiano — precisa ser reconhecido, fortalecido e integrado às políticas públicas, em vez de tratado como algo “paralelo” ou apenas emergencial. Troca de experiências e construção coletiva O encontro no MUF reuniu organizações dos territórios para compartilhar práticas e apontar prioridades. A proposta, segundo a organização, foi juntar escuta e ação: compreender necessidades locais, valorizar soluções comunitárias e construir encaminhamentos a partir do que já funciona nas favelas. Na avaliação apresentada no evento, o cuidado nas favelas envolve muito mais do que atendimento em unidade de saúde. Ele aparece ligado a redes de apoio, iniciativas comunitárias e respostas rápidas diante de crises — uma “primeira linha” de proteção que sustenta a vida cotidiana em contextos de desigualdade. O que a agenda cobra do poder público Entre os pontos defendidos no encontro está a ideia de que não há política universal efetiva sem justiça territorial: planejamento, recursos e decisões precisam considerar as condições reais de cada território. A cobrança principal é por continuidade — presença do Estado que não seja episódica —, com articulação entre saúde e outras áreas que impactam diretamente o bem-estar, como segurança alimentar, renda, educação e proteção social. Ao colocar as favelas no centro do debate sobre cuidado, as organizações argumentam que fortalecer esses territórios é estratégia de saúde pública. O raciocínio é simples: quando a rede de cuidado funciona onde as vulnerabilidades são mais intensas, a cidade inteira ganha — com prevenção, resposta mais rápida e menos sofrimento evitável. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. Imagem de capa ilustrativa. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:  

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Ser aliado no Carnaval - Campanha Carnaval ComCausa com apoio UNFPA

“Ser aliado”: o que homens podem fazer quando veem assédio no Carnaval?

Homens que desejam atuar como aliados no combate ao assédio durante o Carnaval podem fazer diferença real quando sabem como intervir de forma segura, apoiar a vítima e contribuir para a responsabilização do agressor. Essa é a premissa de um guia prático divulgado no âmbito da campanha de Carnaval da ComCausa, com apoio do UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas), voltada à promoção de masculinidades positivas e à prevenção de violências contra mulheres. O material parte de um princípio central: segurança vem sempre em primeiro lugar. Em situações de risco de violência física — quando o agressor está alterado, em grupo, armado ou em local isolado — a orientação é clara: não confrontar sozinho. Nesses casos, a ação mais eficaz é buscar apoio imediato, acionando seguranças do bloco ou do evento, brigadistas, equipes de organização, policiamento ou pessoas de apoio próximas. A proposta do guia é deslocar o enfrentamento do assédio de uma responsabilidade individual das mulheres para uma ação coletiva, com protagonismo dos homens, sobretudo quando o agressor é outro homem. A lógica é simples: quando homens intervêm, rompem o silêncio que sustenta a violência e reduzem a sensação de impunidade comum em ambientes de festa e multidão. Para orientar a prática, o guia apresenta cinco formas de intervenção segura, que podem ser escolhidas de acordo com o contexto. A primeira é distrair, quebrando a dinâmica do assédio sem confronto direto. Entrar na frente, puxar um assunto neutro, oferecer ajuda ou convidar a pessoa a sair do local são estratégias que ajudam a encerrar o contato e criar uma saída segura. Outra possibilidade é delegar, acionando quem tem autoridade ou estrutura para agir. Em muitos casos, chamar segurança, organizadores, brigadistas, policiais ou até ambulantes próximos é o caminho mais rápido e seguro para interromper a violência, especialmente em locais cheios. O guia também cita a documentação com cuidado, apenas quando houver segurança. Anotar horário, local e características do agressor pode ajudar posteriormente, mas o registro nunca deve expor a vítima nem substituir o acolhimento. Gravar imagens só faz sentido se contribuir para a proteção e se a vítima concordar. Há ainda a intervenção direta, chamada de direcionar, que consiste em interromper o agressor com frases curtas e firmes, como “Parou. Ela disse não” ou “Respeita”. A recomendação é evitar xingamentos ou disputas de ego, que tendem a escalar a situação. O objetivo é cessar o assédio e permitir que a vítima se afaste. Depois da interrupção, entra o passo considerado essencial: acolher e acompanhar. O aliado deve perguntar o que a pessoa deseja — sair do local, encontrar amigas, ir a um ponto seguro ou denunciar — e oferecer apoio prático, respeitando sempre a decisão da vítima. A orientação é devolver a ela o controle da situação, sem pressionar ou minimizar o ocorrido. O guia também destaca o que não deve ser feito, mesmo com boas intenções. Minimizar a violência com frases como “é só brincadeira” ou “Carnaval é assim”, culpar a vítima, pressionar para denunciar imediatamente ou expor a situação em redes sociais são atitudes que reforçam a violência em vez de combatê-la. Um ponto central da campanha é a responsabilização entre homens. Quando o agressor é amigo ou conhecido, a recomendação é chamar de canto e ser direto: “Não foi consentido. Isso é assédio. Para agora.” Além disso, cortar risadas, aplausos e qualquer forma de validação social é visto como essencial para mudar a cultura que normaliza o assédio. Em casos de risco imediato, o guia reforça a importância de acionar os canais oficiais: o 190 para emergências, o 180 — Central de Atendimento à Mulher — para orientação e encaminhamento, e o Disque 100 para denúncias de violações de direitos humanos. Em blocos e eventos, equipes de segurança e organização também devem ser procuradas. Ao transformar orientação em prática, a ComCausa aposta que homens aliados podem contribuir de forma concreta para um Carnaval mais seguro, ajudando a interromper violências no momento em que elas acontecem e fortalecendo uma cultura de respeito, cuidado e Defesa da Vida. ComCausa – Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida a ComCausa – Defesa da Vida, com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU), estrutura o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida como um caminho comunitário: rodas de conversa orientadas, pactos de convivência, ferramentas práticas de maturidade emocional e mobilização pública para transformar autocontrole em proteção real, dentro e fora de casa. Este artigo integra o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, estruturado pela ComCausa – Defesa da Vida com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU). A proposta enfrenta padrões de masculinidade associados a conflitos familiares e violências cotidianas, com foco em atitudes práticas: autocontrole, convivência pacífica, respeito, corresponsabilidade e cuidado. Parceria UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU): Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Em nota pública ComCausa cobra políticas de paz após ataque que matou seis em Nova Iguaçu

A ComCausa, organização voltada aos direitos humanos, divulgou uma nota pública pedindo “paz e vida na Baixada Fluminense” após um ataque a tiros em Nova Iguaçu que, segundo o texto, matou seis pessoas e deixou outras feridas. A entidade manifestou solidariedade às famílias e cobrou investigação rigorosa, transparência e responsabilização dos autores. No posicionamento, a ComCausa afirma que cada morte representa uma “ruptura irreparável” e aponta que o caso expõe a vulnerabilidade cotidiana de quem vive e circula na Baixada Fluminense. A organização também critica a naturalização de chacinas e execuções, dizendo que esse tipo de crime não pode ser tratado como parte do dia a dia. Por que isso importa A nota destaca que episódios de violência armada têm impacto que vai além do número de vítimas: ampliam o medo, mudam rotinas, afetam o comércio local, a circulação em espaços públicos e o acesso a serviços. Para a ComCausa, a resposta do poder público não deve se limitar ao “pós-crime”, mas envolver ações contínuas que interrompam ciclos de violência. A entidade defende que, junto da apuração do caso, o Estado precisa reforçar políticas públicas de prevenção, inteligência, controle de armas e cuidado com as populações mais expostas à violência. “A Baixada Fluminense precisa de investimento social, presença do Estado que proteja — e não apenas reprima — e ações contínuas”, diz o texto. Falhas históricas e responsabilidades A ComCausa atribui o cenário a falhas históricas na garantia de segurança pública e na prevenção da violência, cobrando medidas estruturais. Na avaliação da organização, o território demanda políticas integradas que unam proteção, prevenção e acesso a direitos, com foco na preservação da vida. A nota também reforça compromisso com a Defesa da Vida e com os direitos humanos, e conclui com uma frase-síntese: “Não há desenvolvimento possível sem segurança, não há segurança sem justiça, e não há justiça sem a centralidade da vida.” As informações detalhadas sobre dinâmica do ataque, autoria e andamento oficial da investigação não estão confirmadas neste material de entrada. Para confirmação, é recomendado acompanhar comunicados de órgãos oficiais responsáveis pela apuração e atualizações de veículos jornalísticos locais e do Rio de Janeiro. Nota pública da ComCausa – Pela paz e pela vida na Baixada Fluminense A ComCausa manifesta profunda solidariedade às famílias e pessoas afetadas pelo ataque a tiros ocorrido em Nova Iguaçu, que resultou na morte de seis pessoas e deixou outras feridas. Cada vida perdida representa uma ruptura irreparável e reforça a urgência de enfrentar a violência armada que atinge, de forma recorrente, a Baixada Fluminense. O massacre evidencia a vulnerabilidade cotidiana de quem vive e circula pelo território e expõe falhas históricas na garantia de segurança pública, prevenção da violência e proteção da vida. A naturalização de chacinas e execuções não pode ser aceita como parte do cotidiano. A ComCausa defende que a resposta a crimes dessa gravidade deve ir além da investigação pontual. É fundamental assegurar apuração rigorosa, transparência e responsabilização dos autores, ao mesmo tempo em que se fortalecem políticas públicas de prevenção, inteligência, controle de armas e cuidado com as populações mais expostas à violência. Reafirmamos nosso compromisso com a Defesa da Vida, com os direitos humanos e com a construção de uma cultura de paz. A Baixada Fluminense precisa de investimento social, presença do Estado que proteja — e não apenas reprima — e ações contínuas que interrompam ciclos de violência. Não há desenvolvimento possível sem segurança, não há segurança sem justiça, e não há justiça sem a centralidade da vida. ComCausaPela vida. Pela paz. Pela Baixada Fluminense. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Campanha Carnaval ComCausa com apoio UNFPA

ComCausa lança campanha de Carnaval para engajar homens no combate ao assédio

A ComCausa lançou uma campanha de Carnaval voltada à promoção de masculinidades positivas e à prevenção de violências contra mulheres, com apoio do UNFPA — Fundo de População das Nações Unidas. A iniciativa busca engajar homens como aliados ativos no enfrentamento do assédio, problema recorrente durante a maior festa popular do país. Com o lema “Ser aliado faz Carnaval seguro”, a campanha chama atenção para a responsabilidade coletiva dos homens, especialmente no enfrentamento de comportamentos violentos praticados por outros homens. A proposta é transformar padrões de masculinidade historicamente associados à coerção, à agressividade e à exclusão, substituindo-os por atitudes de cuidado, respeito e corresponsabilidade. Assédio no Carnaval é realidade para metade das mulheres Dados de um levantamento nacional do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro Brasil mostram que cerca de 50% das mulheres brasileiras já sofreram assédio sexual durante o Carnaval. O medo também é generalizado: 73% das entrevistadas afirmaram sentir receio de passar por esse tipo de violência durante a folia. Entre mulheres negras, os números são ainda mais alarmantes. Segundo a pesquisa, aproximadamente 52% relatam já ter sido assediadas no Carnaval, e 75% dizem sentir medo de sofrer violência nesse período, evidenciando como gênero e raça ampliam a vulnerabilidade nos espaços festivos. Mudança de foco: homens no centro da prevenção Historicamente, as campanhas contra o assédio no Carnaval têm se concentrado quase exclusivamente nas mulheres, com ações de orientação, denúncia e autoproteção. Mesmo homens que se identificam como aliados, em geral, permanecem como observadores. A campanha da ComCausa propõe romper com essa lógica. A ideia é convocar os homens a assumirem um papel ativo, intervindo, apoiando vítimas e questionando atitudes machistas entre seus pares, como estratégia central para a construção de ambientes mais seguros. A iniciativa dialoga com diretrizes do UNFPA, que defende o envolvimento de homens e meninos na promoção da igualdade de gênero como caminho fundamental para a prevenção de violências e a Defesa da Vida de mulheres e meninas. Materiais e ações previstas A campanha contará com materiais impressos e digitais sobre masculinidades positivas e prevenção ao assédio, produzidos em linguagem acessível e distribuídos amplamente nas redes. Também serão disponibilizados materiais de apoio para rodas de conversa e encontros virtuais, com o objetivo de ampliar o alcance da iniciativa e estimular o debate em diferentes territórios. A expectativa da ComCausa é que a campanha contribua para deslocar o enfrentamento da violência de uma responsabilidade individual das mulheres para uma ação coletiva, com protagonismo masculino na construção de um Carnaval mais seguro, diverso e respeitoso. ComCausa – Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida a ComCausa – Defesa da Vida, com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU), estrutura o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida como um caminho comunitário: rodas de conversa orientadas, pactos de convivência, ferramentas práticas de maturidade emocional e mobilização pública para transformar autocontrole em proteção real, dentro e fora de casa. Este artigo integra o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, estruturado pela ComCausa – Defesa da Vida com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU). A proposta enfrenta padrões de masculinidade associados a conflitos familiares e violências cotidianas, com foco em atitudes práticas: autocontrole, convivência pacífica, respeito, corresponsabilidade e cuidado. Parceria UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU): Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Luiz Felipe Silva dos Santos, acervo da familia

Fórum Pop Rua (RJ) destaca condenação por assassinato de Luiz Felipe e cobra políticas públicas para impedir novas mortes

O Fórum Permanente de Defesa dos Direitos da População em Situação de Rua do Estado do Rio de Janeiro divulgou, nesta terça-feira (4), uma nota pública sobre a condenação do autor do assassinato de Luiz Felipe Silva dos Santos, homem em situação de rua morto de forma brutal no Centro do Rio. Segundo a nota, o Tribunal do Júri da 2ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, em julgamento realizado no dia 3 de fevereiro, condenou a 15 anos de prisão o segurança Carlos Alberto Rodrigues do Rosário Júnior, apontado como autor do crime. Luiz Felipe era pai de três filhos, não possuía antecedentes criminais e foi perseguido, espancado e morto a pauladas, em um crime classificado como motivado por “motivo fútil” e cometido com extrema crueldade. O homicídio ocorreu em frente ao Museu de Arte do Rio (MAR), em uma área turística da cidade, após um desentendimento que teria sido provocado pelo pedido de comida feito pela vítima, que tentava matar a fome. Para o Fórum, o caso expõe uma realidade alarmante: a indiferença social e a banalização da vida de pessoas pobres, tratadas frequentemente como ameaça e não como sujeitos de direitos. Na avaliação da entidade, o assassinato de Luiz Felipe “nos desumaniza enquanto sociedade”, pois revela o quanto a violência extrema contra pessoas vulneráveis tem sido naturalizada. A nota ressalta que nenhuma circunstância pode justificar a brutalidade do crime e que a morte de pessoas em situação de rua em espaços públicos não pode ser tratada como algo comum ou aceitável. Apesar da dor e da revolta causadas pelo caso, o Fórum destaca que a condenação representa um passo importante no enfrentamento da violência contra a população em situação de rua, que segue invisibilizada, estigmatizada e frequentemente privada de direitos básicos. O documento afirma que o julgamento simboliza o reconhecimento de que Luiz Felipe tinha valor e dignidade, mesmo diante da ojeriza que parte da sociedade dirige às pessoas pobres. Reconhecimento à atuação do Ministério Público e da Defensoria O Fórum também parabenizou o Ministério Público e a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro pela condução do processo. Para a entidade, a atuação dessas instituições foi decisiva para que o caso não fosse apagado ou esquecido, garantindo que o episódio fosse retirado da invisibilidade e se tornasse um marco na luta pelos direitos da população em situação de rua. A nota ressalta que o trabalho do Ministério Público e da Defensoria foi fundamental tanto para o convencimento dos jurados quanto para garantir o acesso dos familiares de Luiz Felipe ao Poder Judiciário, evidenciando compromisso institucional com a justiça social e com a dignidade humana. Justiça não se limita à prisão No entanto, o Fórum reforça que justiça não pode ser reduzida à punição penal. Segundo o documento, é necessário que a sociedade e o poder público assumam compromissos concretos com políticas públicas de acolhimento, proteção e garantia de direitos para impedir que tragédias semelhantes voltem a acontecer. A nota lembra que o assassinato de Luiz Felipe remete ao episódio conhecido como “Massacre da Praça da Sé”, ocorrido em São Paulo em 2004, quando sete pessoas em situação de rua foram assassinadas e outras seis ficaram gravemente feridas. O crime deu origem ao Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, celebrado em 19 de agosto, marco histórico na mobilização nacional contra a violência e o abandono institucional. Denúncia de violência estrutural e necropolítica A entidade também denuncia que existem inúmeros relatos de violações de direitos e formas brutais de violência contra a população em situação de rua. O caso de Luiz Felipe, para o Fórum, não deve ser tratado como um episódio isolado, mas como reflexo de um padrão de violência urbana direcionada a um grupo historicamente vulnerabilizado, predominantemente negro. A nota classifica o assassinato como expressão de violência estrutural e necropolítica, reforçando que essa população tem sido historicamente exposta à barbárie, sobretudo nos centros urbanos. O documento aponta ainda que o Rio de Janeiro vem se configurando como um “laboratório” de violações de direitos, onde se fortalecem políticas e práticas autoritárias, como remoções involuntárias de pessoas e de seus pertences e até restrições à oferta solidária de refeições a quem vive nas ruas. Para o Fórum, tais práticas normalizam e minimizam violências, criando um ambiente social permissivo para agressões extremas. Racismo estrutural e invisibilidade social A nota afirma que a relação entre o crescimento da população em situação de rua e o racismo estrutural é “irrefutável”, e que isso exige esforços conjuntos do poder público e da sociedade, com políticas de reparação e fortalecimento do protagonismo dessa população em espaços de poder e decisão. O Fórum reforça que a população em situação de rua é heterogênea e inclui grupos historicamente discriminados, como pessoas LGBTQIA+, mulheres, crianças e adolescentes, e pessoas idosas. Para a entidade, essas pessoas foram levadas à rua por contextos extremos e devem ser reconhecidas e respeitadas incondicionalmente em sua dignidade humana. Decisões judiciais cobram medidas urgentes O documento também cita decisões recentes do Judiciário que reforçam a obrigação do Estado em garantir direitos dessa população. Entre elas, a decisão da 35ª Vara Federal, que determinou, em 29 de janeiro, que a Prefeitura do Rio adote medidas urgentes para assegurar direitos da população em situação de rua. A decisão judicial prevê, entre outras ações, a criação do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Municipal para a População em Situação de Rua (CIAMP Rua) no prazo de 30 dias, além da pactuação com a União para implementar o Plano Ruas Visíveis e a elaboração de um plano de ação em 60 dias, com participação da sociedade civil. Além disso, o Fórum destaca que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADPF 976/2023, reconheceu violação sistemática de direitos da população em situação de rua e determinou que os entes federativos adotem medidas concretas para garantir dignidade mínima, proibindo práticas higienistas, repressivas e discriminatórias. Para a entidade, essas decisões deixam claro que políticas públicas

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6ª Teia Nacional de Pontos de Cultura

TEIA 2026: como participar do maior reencontro nacional dos Pontos de Cultura

A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, marcada para acontecer de 24 a 29 de março de 2026, em Aracruz (ES), promete ser um dos momentos mais importantes da cultura comunitária brasileira nos últimos anos. Com o tema Justiça Climática, o encontro deve reunir iniciativas de todo o país em uma grande mobilização da rede Cultura Viva, articulando Pontos de Cultura, coletivos, comunicadores populares e agentes culturais ligados aos territórios. Considerada o principal espaço de encontro e construção coletiva da Política Nacional Cultura Viva, a TEIA é mais do que um evento cultural: trata-se de um espaço de articulação política, troca de experiências, formação, celebração e organização social. É onde as redes se encontram para reafirmar a cultura como direito e fortalecer a participação social na gestão das políticas públicas. Quem pode participar da TEIA 2026 A TEIA é voltada principalmente para Pontos de Cultura, Pontões, coletivos culturais comunitários, movimentos territoriais e iniciativas ligadas à cultura popular. Também participam comunicadores, artistas, educadores e articuladores culturais que atuam diretamente nas comunidades e nas redes culturais regionais. A presença na TEIA não se limita a quem já tem certificação formal: o encontro costuma ser um espaço aberto para iniciativas que tenham atuação cultural concreta nos territórios e que compartilhem a proposta de cultura viva, participação social e fortalecimento comunitário. Participar é integrar a rede e construir coletivamente Participar da TEIA não significa apenas “assistir” à programação. Para muitos grupos, estar presente é uma oportunidade de: apresentar ações e experiências do território; compartilhar metodologias de trabalho comunitário; fortalecer alianças com outras redes culturais do país; construir propostas coletivas para políticas culturais; ampliar visibilidade e reconhecimento público das iniciativas e articular agendas comuns sobre cultura, direitos e território. A TEIA também é um espaço onde se consolidam encaminhamentos políticos, debates sobre prioridades nacionais e estratégias para fortalecer a rede Cultura Viva em cada estado. Como se preparar para estar na TEIA 2026 Para quem deseja participar, o caminho começa antes da viagem. A preparação envolve articulação local e construção de presença pública, reunindo histórico e resultados das ações realizadas no território. Iniciativas que chegam organizadas, com memória de suas atividades, materiais de comunicação e clareza de proposta, tendem a fortalecer sua participação e ampliar conexões durante o encontro. Também é recomendável acompanhar as mobilizações estaduais e regionais, pois as TEIAS costumam ser construídas a partir de etapas preparatórias que fortalecem fóruns e redes locais. Justiça Climática: cultura e território no centro do debate Ao escolher Justiça Climática como tema central, a TEIA 2026 amplia o sentido do encontro e conecta a cultura comunitária a um dos maiores desafios do século. A proposta é discutir como enchentes, calor extremo, insegurança alimentar e desigualdades ambientais atingem diretamente os territórios, e como a cultura popular pode atuar como instrumento de resistência, organização social e proteção comunitária. Nesse contexto, a TEIA reforça a cultura como ferramenta concreta de mobilização e defesa da vida, especialmente em regiões periféricas e vulnerabilizadas. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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