A ComCausa propõe uma reflexão crítica sobre as masculinidades no contexto do futebol e da Copa do Mundo. A organização compreende que o esporte é um importante espaço de formação de valores, identidades e relações sociais. Mais do que celebrar resultados dentro de campo, é necessário discutir como o futebol influencia comportamentos, percepções sobre gênero, formas de convivência e modelos de masculinidade presentes na sociedade.

Para a ComCausa, a Copa do Mundo oferece uma oportunidade privilegiada para promover debates sobre prevenção da violência, respeito à diversidade, igualdade de gênero, combate ao racismo, enfrentamento da homofobia e construção de uma cultura de paz.

Ao reunir milhões de pessoas em torno do futebol, o torneio também se torna um espaço de educação cidadã e transformação social. A organização defende que novas masculinidades podem ser construídas a partir de valores como diálogo, cuidado, solidariedade, empatia e respeito às diferenças.

Nesse sentido, o futebol pode deixar de ser apenas um espaço de reprodução de estereótipos e se tornar uma ferramenta de promoção dos direitos humanos, inclusão social e fortalecimento comunitário.

A proposta da ComCausa é estimular o debate sobre o papel dos homens na construção de relações mais saudáveis e não violentas, utilizando o futebol e a Copa do Mundo como pontos de partida para reflexões sobre cidadania, convivência democrática e responsabilidade coletiva. Dessa forma, o esporte se transforma em instrumento de educação popular, mobilização social e promoção da dignidade humana.

A Copa do Mundo transforma o futebol em palco global de emoções, identidades nacionais e disputas simbólicas sobre o que significa “ser homem”. Durante o torneio, comportamentos associados à masculinidade tradicional ganham visibilidade dentro e fora de campo, entre jogadores, torcedores, comentaristas e nas redes sociais.

A cobrança por força, coragem, resistência emocional, agressividade e vitória a qualquer custo aparece como parte de uma cultura ainda marcada pela ideia de que homens devem esconder fragilidades, dominar adversários e reagir com hostilidade diante da derrota. No futebol, esse padrão pode ser reforçado por xingamentos, provocações, violência entre torcidas e ataques a quem não corresponde ao modelo esperado de virilidade.

A Copa também evidencia contradições. O mesmo espaço que reúne festa, pertencimento e afeto coletivo pode reproduzir machismo, homofobia, racismo e xenofobia. Mulheres que acompanham, comentam, narram ou praticam futebol ainda enfrentam desconfiança e hostilidade. Jogadores negros, estrangeiros ou LGBTQIA+ também seguem expostos a ataques discriminatórios.

Ao mesmo tempo, o torneio pode abrir caminhos para novas formas de convivência. A presença crescente de mulheres no jornalismo esportivo, na arbitragem, nas arquibancadas e no futebol profissional amplia o debate sobre igualdade. Campanhas contra discriminação e iniciativas de clubes, escolas, projetos sociais e torcidas organizadas ajudam a transformar o futebol em ferramenta educativa.

Discutir masculinidades no contexto da Copa é questionar se a vitória precisa estar ligada à violência, se torcer pode ser uma experiência de cuidado e respeito e como o esporte pode contribuir para enfrentar machismo, homofobia e racismo. A pauta também dialoga com saúde mental masculina, prevenção da violência e cultura de paz.

O futebol, por sua força popular, tem capacidade de formar comportamentos. Por isso, a Copa pode tanto reforçar masculinidades agressivas quanto estimular modelos mais solidários, antirracistas, não machistas e abertos à diversidade. O desafio é transformar paixão esportiva em convivência democrática.

Futebol e masculinidades em um palco global

A discussão sobre masculinidades ganha relevância especial durante a Copa do Mundo porque o torneio é um dos maiores eventos midiáticos do planeta. A final da Copa de 2022, entre Argentina e França, foi acompanhada por cerca de 1,5 bilhão de espectadores, enquanto aproximadamente 5 bilhões de pessoas tiveram algum tipo de envolvimento com a competição ao longo do torneio. Os números mostram que a Copa ultrapassa o campo esportivo e se consolida como um fenômeno cultural capaz de influenciar comportamentos, identidades e valores sociais.

A edição de 2026 ampliará ainda mais esse alcance. Pela primeira vez, a Copa será disputada por 48 seleções, distribuídas em 16 cidades dos Estados Unidos, México e Canadá, totalizando 104 partidas. A expansão reforça o papel do futebol como espaço de debate sobre nacionalismo, pertencimento, raça, gênero, diversidade e diferentes formas de construção das masculinidades.

No Brasil, a relação entre futebol e identidade masculina possui raízes históricas. Durante quase quatro décadas, entre 1941 e 1979, o futebol feminino foi proibido no país por normas que consideravam determinadas modalidades esportivas incompatíveis com as mulheres. A restrição institucional ajudou a consolidar a ideia de que o futebol seria um território exclusivamente masculino, contribuindo para desigualdades que ainda persistem.

Apesar desse histórico, a presença feminina no esporte tem crescido de forma significativa. A Copa do Mundo Feminina de 2023, realizada na Austrália e na Nova Zelândia, reuniu 32 seleções e registrou 75.784 espectadores na final entre Espanha e Inglaterra. O avanço da modalidade desafia estereótipos e amplia a percepção de que o futebol é um espaço plural, aberto à participação de diferentes públicos.

A diversidade sexual também faz parte da história do futebol brasileiro. Um exemplo emblemático foi a Coligay, torcida formada por homens gays que apoiou o Grêmio entre 1977 e 1983. Em um período marcado por forte conservadorismo, o grupo ocupou espaços nas arquibancadas e mostrou que diferentes expressões de masculinidade sempre estiveram presentes no futebol, mesmo diante do preconceito.

As disputas em torno da diversidade também apareceram na Copa do Mundo de 2022. Questões relacionadas aos direitos da população LGBTQIA+ ganharam repercussão internacional, especialmente diante de debates sobre símbolos de apoio à diversidade e liberdade de expressão nos estádios. O episódio evidenciou que o futebol continua sendo um espaço de disputa sobre quem pode ocupar as arquibancadas, como se expressar e quais identidades são reconhecidas ou marginalizadas.

Nesse cenário, especialistas apontam que a Copa do Mundo pode tanto reforçar padrões tradicionais de masculinidade baseados na agressividade e na exclusão quanto estimular modelos mais inclusivos, pautados pelo respeito, pela igualdade e pela convivência democrática. A forma como torcedores, atletas, clubes, federações e meios de comunicação enfrentam essas questões ajuda a definir o papel social do futebol dentro e fora dos gramados.

ComCausa – Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida

ComCausa – Defesa da Vida, com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU), estrutura o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida como um caminho comunitário: rodas de conversa orientadas, pactos de convivência, ferramentas práticas de maturidade emocional e mobilização pública para transformar autocontrole em proteção real, dentro e fora de casa.

Este artigo integra o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, estruturado pela ComCausa – Defesa da Vida com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU). A proposta enfrenta padrões de masculinidade associados a conflitos familiares e violências cotidianas, com foco em atitudes práticas: autocontrole, convivência pacífica, respeito, corresponsabilidade e cuidado.

Parceria UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU):

UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU) ComCausa Masculinidades

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