A campanha nacional #AprenderParaPrevenir: Cidades Sem Risco representa uma importante iniciativa de mobilização social, educação climática e prevenção de desastres no Brasil. Realizada pelo Ministério das Cidades, em parceria com o Cemaden Educação, a campanha busca fortalecer a cultura de prevenção e valorizar ações desenvolvidas por escolas, comunidades, organizações sociais, Defesas Civis, educadores e agentes locais.
A cerimônia de premiação da 9ª edição será realizada no dia 27 de junho de 2026, às 13h, no Teatro Cacilda Becker, em São Bernardo do Campo/SP. O evento reunirá experiências de diferentes regiões do país que desenvolveram ações voltadas à redução de riscos, adaptação climática, educação ambiental e proteção de comunidades vulneráveis.
A ComCausa participará da cerimônia como organização que integrou a mobilização em 2026, com a campanha “A Chuva Não Mata Sozinha: Memória e Justiça Climática no Rio de Janeiro”. A presença da entidade tem como objetivo acompanhar as iniciativas premiadas, aprender com as metodologias apresentadas e buscar interlocução para futuras ações de prevenção na Baixada Fluminense.
Uma agenda urgente para as cidades brasileiras
A campanha Cidades Sem Risco parte de um diagnóstico cada vez mais evidente: os desastres relacionados ao clima não atingem todos da mesma forma. Chuvas fortes, enchentes, alagamentos, deslizamentos, secas e ondas de calor provocam impactos mais graves em territórios marcados por desigualdade urbana, falta de saneamento, moradia precária, ausência de drenagem e infraestrutura insuficiente.
Por isso, falar em prevenção de desastres é também falar em direito à cidade, moradia digna, participação social, justiça climática e proteção de vidas. A campanha propõe que escolas e comunidades sejam parte ativa desse processo, estimulando ações educativas, percepção de riscos, mobilização local e construção de respostas coletivas.
O Cemaden Educação contribui para essa agenda ao levar conhecimento científico para o campo da educação e da participação comunitária. Ao trabalhar com escolas, estudantes, professores e comunidades, o programa ajuda a transformar o tema dos desastres em aprendizado prático e ação preventiva.
Essa dimensão educativa é essencial. Um alerta técnico pode salvar vidas, mas ele precisa ser compreendido pelas pessoas que vivem em áreas de risco. A informação precisa chegar em linguagem simples, com confiança, por canais acessíveis e com envolvimento das lideranças locais.
O papel do Ministério das Cidades e da Secretaria Nacional de Periferias
A participação do Ministério das Cidades na campanha reforça a relação entre prevenção de desastres e política urbana. O tema não pode ser tratado apenas como resposta emergencial. Ele precisa estar vinculado a planejamento territorial, habitação, drenagem, contenção de encostas, saneamento, obras preventivas, mapeamento e participação social.
No âmbito do ministério, a Secretaria Nacional de Periferias tem papel estratégico ao reconhecer que os territórios periféricos são fortemente afetados pelos riscos climáticos e urbanos. A estratégia Periferia Sem Risco aponta para a necessidade de fortalecer capacidades locais de infraestrutura, planejamento, informação e participação social, buscando reduzir vulnerabilidades relacionadas a deslizamentos e inundações.
Essa abordagem é importante porque combina ações estruturais, como obras e planejamento, com ações comunitárias, educativas e participativas. A prevenção precisa estar tanto nos projetos de engenharia quanto nas escolas, nas comunidades, nas associações de moradores e nos espaços públicos.
A experiência da ComCausa em Tinguá
No Rio de Janeiro, a ComCausa participou da campanha com uma ação voltada à memória das tragédias climáticas e à justiça climática. A iniciativa “A Chuva Não Mata Sozinha” buscou lembrar que enchentes, deslizamentos e alagamentos não podem ser vistos apenas como fatalidades naturais.
A campanha trabalhou a memória de eventos climáticos no estado do Rio de Janeiro, relacionando episódios históricos com desafios atuais. Segundo o material da própria ComCausa, a proposta incluiu comunicação comunitária, educação popular, mobilização social, cartilha eletrônica, cards, vídeos, matérias jornalísticas e atividade presencial em Tinguá.
Em Tinguá, a organização buscou chamar atenção para a importância da escuta comunitária. Moradores conhecem pontos de alagamento, ruas que ficam interditadas, locais onde a água sobe mais rápido, áreas de risco e famílias que precisam de maior apoio durante temporais.
A ComCausa entende que esse conhecimento local não substitui o trabalho técnico dos órgãos públicos, mas pode contribuir para políticas mais próximas da realidade. Quando o saber comunitário dialoga com dados técnicos, alertas, mapas e planejamento público, a prevenção se torna mais eficaz.
Buscar interlocução é parte da prevenção
A ida da ComCausa à cerimônia nacional deve ser vista como uma etapa desse processo. A organização busca interlocução de forma humilde e colaborativa, reconhecendo o papel do Cemaden, do Ministério das Cidades, das Defesas Civis, das universidades, das escolas e das organizações comunitárias.
O objetivo não é centralizar a pauta, mas somar. A ComCausa pretende aprender com experiências premiadas, compreender metodologias, ampliar contatos e avaliar possibilidades de futuras ações de comunicação, formação e mobilização comunitária.
A iniciativa Cidades Sem Risco oferece um espaço importante para esse diálogo porque reúne diferentes atores que compartilham uma preocupação comum: evitar que tragédias anunciadas continuem se repetindo.
Para a ComCausa, a prevenção precisa ser construída com responsabilidade pública e participação social. A organização acredita que nenhuma comunidade deve enfrentar sozinha os efeitos da crise climática. Por isso, a interlocução com instituições e redes nacionais é vista como um caminho para fortalecer ações locais, sem perder o vínculo com os territórios.
Imagem de capa – Chuvas em Xerém.
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