O adoecimento psíquico relacionado à gravidez e ao pós-parto atinge uma em cada quatro mulheres e ainda permanece pouco reconhecido no Brasil. Apesar da frequência, grande parte dos casos não recebe diagnóstico nem tratamento adequado, o que agrava o sofrimento das mães e pode afetar também o desenvolvimento dos bebês.
A depressão, a ansiedade e outros transtornos mentais podem surgir durante a gestação ou após o nascimento da criança. Os sinais, muitas vezes confundidos com cansaço natural da maternidade, incluem alteração no sono, mudança de apetite, irritabilidade, tristeza persistente, sensação de incapacidade, medo intenso e perda de interesse por atividades cotidianas.
Segundo a psiquiatra Patrícia Piper, uma das fundadoras do Movimento Maio Furta-Cor, 82% das mulheres com depressão nesse período não recebem diagnóstico ou tratamento. Ela alerta que sintomas importantes acabam invisibilizados porque a atenção da família e dos serviços de saúde costuma se concentrar quase exclusivamente no recém-nascido.
“Tudo isso é muito pouco falado. Sinais da doença, como privação de sono e mudança de apetite, passam despercebidos durante todo o processo de cuidar do recém-nascido”, afirma a médica.
A falta de cuidado em saúde mental materna revela uma falha histórica das políticas públicas e da rede de atendimento. Embora o pré-natal seja um momento estratégico para identificar sofrimento psíquico, a escuta sobre emoções, medo, exaustão e vulnerabilidade ainda é insuficiente em muitos serviços.
O problema também envolve desigualdade. Mulheres pobres, negras, jovens, sem rede de apoio ou vítimas de violência enfrentam maior risco de adoecimento e menor acesso a atendimento especializado. A sobrecarga doméstica, a cobrança social pela maternidade idealizada e a ausência de suporte após o parto ampliam o quadro.
Especialistas defendem que a saúde mental materna seja tratada como parte essencial do cuidado no pré-natal, no parto e no puerpério. Isso inclui capacitação das equipes, triagem adequada, acolhimento sem julgamento, acompanhamento psicológico e encaminhamento rápido para tratamento quando necessário.
ComuniSaúde e o impacto nas favelas
O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento.
ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br
Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro
Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas.
Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável.
Imagem de capa ilustrativa.
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