A violência contra mulheres no Brasil segue em patamar alto e com um padrão que se repete: acontece dentro de casa, muitas vezes diante de testemunhas, e tem como autores pessoas próximas. O retrato aparece em dois levantamentos citados pela ComCausa – Defesa da Vida para defender uma agenda de prevenção baseada em masculinidades positivas: o relatório Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil (5ª edição, 2025), do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com o Datafolha, e o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, do FBSP.
Pelos dados do Visível e Invisível (2025), 37,5% das mulheres relataram ter vivido alguma situação de violência nos 12 meses anteriores — uma estimativa mínima de ao menos 21,4 milhões de vítimas. No recorte por tipos de agressão, o sumário executivo aponta 31,4% com ofensas verbais (insultos e humilhações), 16,9% com agressão física (tapas, socos, empurrões e chutes), 16,1% com ameaças e 16,1% com stalking. As vítimas relataram, em média, mais de três tipos diferentes de violência, segundo o estudo (FBSP/Datafolha, Visível e Invisível, 2025).
Violência que acontece com “plateia” e normalização do abuso
A mesma pesquisa chama atenção para um ponto que costuma ficar invisível: parte relevante das agressões ocorre na presença de terceiros. Para a leitura apresentada no texto-base, isso expõe uma “rede de permissões” que sustenta o ciclo — silêncio, relativização, acobertamento e a ideia de que a violência doméstica é “assunto do casal”. Quando a agressão acontece diante de outras pessoas, o problema deixa de ser apenas individual e vira também comunitário: quem presencia, quem protege, quem denuncia, quem interrompe.
A ponta extrema: feminicídio em recorde e falha de proteção
No extremo do ciclo, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 registrou 1.492 feminicídios em 2024. O perfil descrito no material reforça a marca doméstica: maioria das vítimas negras, entre 18 e 44 anos, mortas dentro de casa, com autoria frequentemente atribuída a companheiros ou ex-companheiros. Outro dado citado como síntese da falha de proteção é o número de mulheres assassinadas mesmo estando sob medida protetiva: 121 casos em 2023 e 2024 (FBSP, Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025).
Onde entra a ComCausa: “disputar cultura para não chegar tarde”
É nesse cruzamento — lei mais dura e violência persistente — que a ComCausa enquadra sua estratégia: se a violência é aprendida e normalizada (no controle “tido como cuidado”, nas “piadas”, na posse e na humilhação), a prevenção exige desaprender publicamente, com método e continuidade.
Na execução do Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, a organização diz operar com ferramentas práticas de convivência e responsabilização: rodas orientadas, pactos de convivência, maturidade emocional, mobilização pública e articulação em rede. O objetivo, segundo o texto-base, é deslocar a masculinidade do domínio para a maturidade — autocontrole, cuidado, corresponsabilidade e respeito como regra, não como exceção.
“O que a ComCausa afirma estar enfrentando é o ‘masculinismo’: um movimento que, segundo a organização, está em expansão no Brasil” afirma Adriano Dias da ComCausa
Por que os dados mudam o debate
Para a ComCausa, os números não servem apenas para “chocar”. Eles ajudam a tratar a violência como o que ela é: estrutural, cotidiana e, em muitos casos, previsível. Se a maioria dos feminicídios acontece no espaço doméstico e com autores próximos, políticas públicas e ações comunitárias precisam agir antes do “último ato” — reforçando proteção, interrompendo sinais de risco e responsabilizando comportamentos que a cultura costuma desculpar.
ComCausa – Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida
a ComCausa – Defesa da Vida, com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU), estrutura o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida como um caminho comunitário: rodas de conversa orientadas, pactos de convivência, ferramentas práticas de maturidade emocional e mobilização pública para transformar autocontrole em proteção real, dentro e fora de casa.
Este artigo integra o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, estruturado pela ComCausa – Defesa da Vida com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU). A proposta enfrenta padrões de masculinidade associados a conflitos familiares e violências cotidianas, com foco em atitudes práticas: autocontrole, convivência pacífica, respeito, corresponsabilidade e cuidado.
Parceria UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU):
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