A Fiocruz lançou uma campanha impactante sobre saúde mental que recoloca no centro do debate público um tema muitas vezes tratado com descaso: o estigma que desautoriza o sofrimento psíquico. Com a frase direta “Saúde Mental NÃO é piada”, a série “Caixa de Estigmas” reúne expressões comuns que, travestidas de “conselhos” ou “brincadeiras”, acabam alimentando o silêncio e afastando pessoas da rede de cuidado.
Frases como “Isso é frescura”, “CAPS é coisa de maluco”, “Ansiosa de quê? Vai lavar uma louça que passa” e “Como você tem depressão se vive sorrindo?” são exemplos de um discurso que, embora naturalizado, produz barreiras reais ao acesso à saúde.
O recado da campanha é claro: minimizar o sofrimento não é opinião, é exclusão. E pode custar vidas.
CAPS não é meme: é cuidado em liberdade
A campanha também faz um alerta sobre a banalização do tema nas redes sociais, onde o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), serviço do SUS voltado ao cuidado em saúde mental, por vezes vira objeto de piada.
A Fiocruz lembra que o CAPS é uma porta de acolhimento e não um rótulo. É parte da lógica de cuidado em liberdade e em comunidade, que se opõe à internação compulsória e aos antigos manicômios.
Quando se faz piada com esse serviço, o que se atinge não é apenas a imagem da instituição, mas o direito das pessoas a serem cuidadas com dignidade.
Rede de Atenção Psicossocial: acesso antes, durante e depois da crise
Outro ponto central da campanha é divulgar a RAPS (Rede de Atenção Psicossocial) do SUS. A estrutura não é feita só para situações extremas: é um conjunto de serviços que oferece acolhimento, prevenção, acompanhamento e cuidado contínuo, inclusive nos territórios mais vulnerabilizados.
Combater o estigma significa também superar o mito de que só se busca ajuda quando “já passou dos limites”. Saúde mental se cuida todos os dias, e quanto mais cedo se reconhece o sofrimento, melhor.
Mapa de serviços para as periferias do Rio
A campanha também apresenta a cartilha “Cuidar de quem cuida – Mapa de Serviços de Saúde Mental nas Periferias do Rio de Janeiro”, ferramenta prática para quem vive em territórios com menos acesso à informação confiável.
A ideia é transformar a frase genérica “procure ajuda” em um caminho concreto: onde ir, por onde começar, o que esperar. Em áreas marcadas por sobrecarga, desigualdade e violência, esse tipo de material pode fazer a diferença entre o isolamento e o cuidado.
Comunicação popular como instrumento de saúde pública
A campanha da Fiocruz dialoga diretamente com o Projeto ComuniSaúde, que atua com base territorial para enfrentar estigmas e desinformação. Com linguagem clara, presença comunitária e articulação com a rede pública, o projeto aposta na comunicação como estratégia de cuidado e mobilização social.
O que a campanha pede é simples: respeito e responsabilidade
Frases como “isso é moleza” ou “depressão é falta de Deus” podem parecer inofensivas, mas produzem vergonha, medo e afastamento do cuidado. A campanha da Fiocruz lembra que acolher salva, e que saúde mental deve ser tratada com a mesma seriedade que qualquer outro aspecto da saúde.
Falar com responsabilidade sobre sofrimento psíquico é compromisso com a vida, com os direitos humanos e com o fortalecimento do SUS.
ComuniSaúde e o impacto nas favelas
O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento.
ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br
Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro
Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas.
Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável.
Imagem de capa ilustrativa.
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