No dia 19 de setembro de 1990, o Brasil dava um passo histórico com o nascimento oficial do Sistema Único de Saúde (SUS), regulamentado pela Lei nº 8.080. Desde então, a política pública se consolidou como um dos maiores sistemas de saúde do mundo, referência pela universalidade e pelo atendimento gratuito a toda a população. Trinta e cinco anos depois, o SUS segue sendo não apenas um direito conquistado, mas também inspiração para iniciativas locais que buscam ampliar o acesso à saúde em territórios marcados por vulnerabilidades sociais.

Na Baixada Fluminense, a ComCausa desenvolve o projeto ComuniSaúde, uma ação que nasce da experiência comunitária e tem como objetivo conscientizar sobre o direito ao atendimento básico, promover saúde mental e fortalecer redes comunitárias em favelas e periferias. A iniciativa se conecta diretamente aos princípios do SUS, como universalidade, integralidade e equidade, adaptando-os às realidades locais onde as carências de infraestrutura e de acesso ainda são desafios diários.

O ComuniSaúde atua em três frentes principais. A primeira é a informação, orientando moradores sobre o funcionamento do sistema público e seus direitos de acesso a consultas, exames e programas de prevenção. A segunda é a valorização da saúde mental, com rodas de conversa, oficinas e atividades culturais que ajudam a reduzir estigmas e ampliar o cuidado com o bem-estar emocional. A terceira é o fortalecimento de redes comunitárias, criando pontes entre associações de moradores, lideranças locais e serviços de saúde para garantir que as demandas cheguem de forma organizada às instâncias públicas.

A proposta dialoga com a essência do SUS, que surgiu da mobilização popular na Constituinte de 1988, quando a sociedade reivindicou saúde como direito universal. Criado no contexto de redemocratização, o sistema veio para superar as desigualdades históricas do país, oferecendo desde vacinação até tratamento de doenças complexas. Seus princípios fundamentais – universalidade, integralidade, equidade, descentralização e participação social – permanecem como guia para políticas públicas e para projetos locais como o ComuniSaúde.

Apesar dos avanços, o SUS ainda enfrenta grandes desafios, como o subfinanciamento, a desigualdade regional no atendimento, a carência de infraestrutura em algumas áreas e problemas de gestão. Na Baixada Fluminense, esses obstáculos são sentidos de forma intensa, já que muitas comunidades vivem em áreas periféricas, distantes de equipamentos de saúde e com alta demanda por serviços. É nesse cenário que o ComuniSaúde ganha relevância ao atuar como elo entre a população e o sistema público.

O projeto também reforça conquistas importantes alcançadas pelo SUS, como a redução da mortalidade infantil, o acesso universal ao tratamento de HIV/AIDS e os programas de vacinação em massa, reconhecidos internacionalmente. Na prática, iniciativas como o ComuniSaúde ampliam a capacidade de mobilização da sociedade civil para que esses direitos não fiquem apenas no papel, mas se tornem realidade cotidiana.

Ao completar 35 anos, o SUS reafirma sua importância como um dos maiores legados da democracia brasileira. O fortalecimento do financiamento, da gestão e da infraestrutura é essencial para o futuro do sistema. Ao mesmo tempo, ações como o ComuniSaúde demonstram que a transformação também começa no território, onde moradores, coletivos e organizações se unem para defender o que está na essência do SUS: saúde como direito de todos e dever do Estado.

ComuniSaúde e o impacto nas favelas

ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento.

ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br

Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro

Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFFUENFUFRJUERJPUCRJSBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas.

Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável.ComuniSaúde ComCausa Fiocruz

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