A Mobilização Periferia Pelas Mulheres, iniciativa da Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades, reforça o enfrentamento à violência contra as mulheres a partir de uma leitura territorial: nas periferias, onde o acesso a políticas públicas, proteção e serviços costuma ser mais limitado, a violência se torna ainda mais grave e exige respostas articuladas, acessíveis e enraizadas na realidade comunitária. A própria apresentação oficial da campanha afirma que a mobilização nasce dessa urgência e reconhece a força das redes de cuidado, apoio e solidariedade entre mulheres nos territórios periféricos.

Mais do que uma ação de comunicação, a mobilização se apresenta como um chamado coletivo. Seu objetivo é ampliar o acesso à informação, fortalecer redes locais de proteção, prevenir situações de violência e mobilizar comunidades inteiras em defesa da vida das mulheres. A iniciativa está organizada em três eixos: “Cuide da sua mana”, voltado ao fortalecimento das redes de apoio; “Protege as mana, as mina, as mona”, com foco em prevenção e sensibilização; e “Periferias por elas”, direcionado à valorização de lideranças e iniciativas que já atuam nos territórios.

A campanha também oferece instrumentos concretos de orientação e proteção. Entre eles, estão a divulgação do sinal universal de pedido de socorro para mulheres em situação de ameaça, o acesso a materiais de mobilização, formação e comunicação para uso comunitário e a orientação para acionar o Ligue 180, canal nacional de denúncia, orientação sobre direitos e localização de serviços de apoio. A proposta é clara: transformar informação em proteção prática, especialmente onde a rede pública chega de forma desigual.

Encontro Nacional das Periferias

A mobilização ganhou visibilidade no contexto do 1º Encontro Nacional das Periferias, realizado em 21 de março de 2026, na Casa de Portugal, em São Paulo. Segundo o Ministério das Cidades, o evento reuniu cerca de 1.000 representantes de 350 favelas e comunidades urbanas de todo o país. A programação incluiu a cerimônia do Prêmio Periferia Viva 2025, oficinas, exposições, atividades culturais e o lançamento do Raio-X das Iniciativas Periféricas, compondo um espaço de articulação nacional voltado ao reconhecimento do protagonismo das periferias brasileiras.

Foi nesse ambiente de articulação política, reconhecimento territorial e fortalecimento de redes que a pauta da proteção às mulheres periféricas ganhou ainda mais relevância. Embora as fontes públicas consultadas não tragam a formulação literal de que a mobilização tenha sido “lançada oficialmente” no evento, o cruzamento das informações mostra que a campanha foi projetada publicamente no mesmo ecossistema político e institucional do encontro, o que ampliou sua repercussão e inserção no debate nacional sobre periferias, direitos e proteção social.

A ComCausa esteve no encontro em São Paulo e acompanhou a programação de perto. A presença da organização foi informada pelo Portal C3, que registrou que a entidade seria representada por Adriano Dias no evento. Depois, outra publicação confirmou a cobertura ao vivo da agenda, reiterando que a organização acompanhava diretamente a programação na capital paulista. Assim, não se tratou apenas de uma intenção de participação: a ComCausa efetivamente esteve presente no 1º Encontro Nacional das Periferias, inserida nas discussões e atividades do evento.

A presença institucional da ComCausa também aparece ligada a uma leitura política mais ampla sobre o papel dos territórios populares. Em uma das publicações sobre o encontro, Adriano Dias destacou a centralidade da organização coletiva nas periferias e afirmou: “O que esse encontro evidencia é que a periferia não está esperando solução cair do céu.” Na mesma fala, ele sustenta que os territórios já produzem resposta, organizam redes e criam saídas concretas para problemas históricos, reforçando uma visão em que a periferia não é lugar de carência passiva, mas de formulação, resistência e transformação social.

Essa leitura dialoga diretamente com a proposta da Mobilização Periferia Pelas Mulheres. Ao reconhecer a violência contra as mulheres como um problema estrutural, mas também reconhecer a potência comunitária já existente nas periferias, a iniciativa do Ministério das Cidades sinaliza que políticas públicas eficazes precisam dialogar com quem já sustenta o cuidado no cotidiano. Nesse sentido, a campanha não parte do zero: ela tenta se conectar com redes que já existem, que acolhem, orientam, denunciam e protegem mulheres em contextos de vulnerabilidade.

A importância dessa abordagem é ainda maior quando se observa o cenário das periferias urbanas brasileiras. Nesses territórios, a violência de gênero costuma se somar à precariedade do acesso à informação, à distância de equipamentos públicos, à insuficiência de atendimento especializado e à sobrecarga imposta às mulheres. Ao mesmo tempo, são nesses mesmos espaços que florescem estratégias coletivas de sobrevivência e proteção, construídas por lideranças locais, coletivos e redes informais de solidariedade. A mobilização tenta justamente transformar essa força em estratégia pública de prevenção e proteção.

Ao participar do encontro em São Paulo, a ComCausa se posiciona dentro de uma agenda nacional que articula periferia, direitos humanos, políticas públicas e defesa da vida. A presença da organização no evento reforça seu compromisso com o fortalecimento dos territórios populares e com a difusão de pautas que exigem respostas concretas do Estado e da sociedade. No caso da Mobilização Periferia Pelas Mulheres, isso significa sustentar uma mensagem objetiva: o enfrentamento à violência contra as mulheres precisa chegar às periferias com escuta, presença, linguagem acessível e rede de proteção efetiva.

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