A transfobia não nasce do nada. Ela é sustentada por uma cultura que tenta impor “normalidade” pela intimidação. E, nessa engrenagem, um elemento aparece com frequência: masculinidades tóxicas — o conjunto de padrões que associa “ser homem” a controlar, dominar, humilhar, ameaçar e provar força pela agressividade.

Esse padrão funciona como linguagem social: ele dá autorização para o ataque, transforma a humilhação em espetáculo e “premia” a violência como demonstração de poder. Quando a pessoa trans rompe normas rígidas de gênero, vira alvo preferencial dessa lógica. O resultado é uma escalada que começa em “piadas” e desumanização e pode terminar em agressões físicas e ataques extremos.

Conjuntura: quando a queda numérica não é melhora real

O próprio dossiê da ANTRA reforça que a redução numérica observada precisa ser lida com cuidado, citando contexto adverso, com tentativas de assassinato e ausência de políticas efetivas — o que exige prevenção e ação continuada, não apenas reação pontual.

Nesse cenário, a ComCausa vem estruturando uma resposta preventiva: a organização foi selecionada pelo UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas/ONU) para criar o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, com implementação entre dezembro de 2025 e junho de 2027 e acompanhamento técnico do UNFPA.

O plano prevê apresentação pública e diálogo com parceiros e comunidades da Baixada Fluminense e da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, ampliando a capacidade de mobilização, comunicação e articulação em rede.

A lógica é direta: se a transfobia é alimentada por uma cultura de coerção e humilhação, prevenção exige disputar essa cultura. Isso significa promover referências públicas de masculinidade baseadas em cuidado, autocontrole, corresponsabilidade e convivência segura — e tratar essa mudança como política permanente, não como campanha de data.

Rede pública existe — e precisa conversar com o território

No estado, o Programa Rio Sem LGBTIfobia informa contar com 18 equipamentos e Centros de Cidadania LGBTI+ oferecendo atendimento social, psicológico e acompanhamento jurídico. O desafio, sobretudo na Baixada, é transformar a existência de rede em acesso real, com encaminhamento, acolhimento sem discriminação e integração com educação, assistência e segurança.

“Masculinidade tóxica é quando humilhar vira ‘normal’, ameaçar vira ‘postura’ e controlar vira ‘direito’. Esse modelo alimenta a transfobia.”

ComCausa – Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida

ComCausa – Defesa da Vida, com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU), estrutura o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida como um caminho comunitário: rodas de conversa orientadas, pactos de convivência, ferramentas práticas de maturidade emocional e mobilização pública para transformar autocontrole em proteção real, dentro e fora de casa.

Este artigo integra o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, estruturado pela ComCausa – Defesa da Vida com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU). A proposta enfrenta padrões de masculinidade associados a conflitos familiares e violências cotidianas, com foco em atitudes práticas: autocontrole, convivência pacífica, respeito, corresponsabilidade e cuidado.

Parceria UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU):

UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU) ComCausa Masculinidades

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