O assédio que muita gente chama de “brincadeira” é, na prática, uma porta de entrada do ciclo de violência. Em shows, festivais e ruas lotadas, o toque sem consentimento, a perseguição, a humilhação pública e a pressão do grupo tendem a ganhar “licença” — e o medo vira rotina para mulheres e meninas. É nesse cenário que a ComCausa – Defesa da Vida diz executar o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida (ComCausa/UNFPA) com uma virada de foco: em vez de repetir para mulheres “se proteja”, afirmar para homens “não assedie”.

A proposta, segundo a organização, é tratar masculinidades como convivência segura: autocontrole, respeito, cuidado coletivo e corresponsabilidade como norma pública. A ideia é simples e incômoda: assédio não é detalhe do cotidiano; é violência que se sustenta pela impunidade cultural — a relativização, o riso, o silêncio, o “é assim mesmo”.

Ação em eventos: “Vem Meu Igual – Cuida dos manos / Cuida das minas”

Um exemplo da estratégia aplicada no território cultural é a campanha “Vem Meu Igual – Cuida dos manos / Cuida das minas”, lançada pela ComCausa e assinada por Débora Barroso. No texto de apresentação, a iniciativa se define como resposta direta “à necessidade urgente de enfrentar o assédio e a violência em ambientes culturais da Baixada Fluminense”.

A campanha se apresenta como ação permanente voltada a promover respeito, cuidado coletivo e convivência segura. A ativação inicial ocorreu na Parada LGBT de Nova Iguaçu (21/09/2025) e depois ampliou presença no Rock Festival de Nova Iguaçu (05/10/2025), de acordo com as informações do material.

A escolha de eventos de grande circulação não é casual. É nesses espaços — com aglomeração, álcool, pressão do grupo e sensação de anonimato — que a socialização masculina aparece “sem filtro” e o corpo alheio é tratado como disponível. Levar prevenção para esses lugares é marcar um limite público: não é normal.

Dados: importunação é rotina e a violência extrema segue alta

O texto da campanha recupera números atribuídos ao Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025: em 2024, o Brasil teria registrado 37.972 casos de importunação sexual e 8.353 de assédio sexual.

Na outra ponta do ciclo, o mesmo conjunto de dados citado no seu material aponta 1.492 feminicídios em 2024, com perfil majoritário de mortes dentro de casa e autoria de parceiros ou ex-parceiros. Também aparece o dado que expõe falha de proteção: 121 vítimas estavam sob medida protetiva em 2023 e 2024.

Para a ComCausa, esses números não são “camadas separadas”. Eles formam um circuito: violência simbólica e sexual tolerada, escalada psicológica, agressão física e, no extremo, morte — que só “surpreende” quem preferiu não ver o que vinha antes.

Leis mais duras e cultura que ainda autoriza o abuso

A ComCausa conecta a ação preventiva ao marco legal: a Lei 13.104/2015 reconheceu o feminicídio como qualificadora do homicídio e crime hediondo, e a Lei 14.994/2024 endureceu o cenário ao transformar o feminicídio em crime autônomo e elevar a pena para 20 a 40 anos, além de agravar punições em crimes associados à violência contra mulheres, conforme o resumo trazido no seu texto-base.

O argumento é que lei é essencial, mas não muda sozinha a norma cultural que absolve o cotidiano: “ele só estava brincando”, “é coisa de festa”, “não foi nada”. Por isso, masculinidades positivas entram como prevenção aplicada: criar referência pública de homem que se governa, e não que domina.

O que muda na prática: do “se proteja” ao “não assedie”

Na execução do projeto, a prevenção não é ensinar mulheres a evitar risco, mas responsabilizar homens e meninos. Isso é traduzido em mobilização, pactos de convivência, comunicação pública e redes locais de cuidado, com um objetivo claro: tornar socialmente inaceitável a coerção travestida de “postura”.

“A campanha pretende sustentar respeito, cuidado coletivo e convivência segura como regra permanente, não como gesto simbólico de calendário.” diz Débora Barroso da ComCausa

ComCausa – Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida

ComCausa – Defesa da Vida, com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU), estrutura o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida como um caminho comunitário: rodas de conversa orientadas, pactos de convivência, ferramentas práticas de maturidade emocional e mobilização pública para transformar autocontrole em proteção real, dentro e fora de casa.

Este artigo integra o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, estruturado pela ComCausa – Defesa da Vida com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU). A proposta enfrenta padrões de masculinidade associados a conflitos familiares e violências cotidianas, com foco em atitudes práticas: autocontrole, convivência pacífica, respeito, corresponsabilidade e cuidado.

Parceria UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU):

UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU) ComCausa Masculinidades

Leia também

Fale conosco! | Nos conheça

Projeto Comunicando ComCausa

Portal C3 | Instagram C3 Oficial

______________________

Comunicando ComCausa Pêmio Periferia Viva Ministério Cidades 2025

______________________

Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com

Pix ComCausa

______________________

Compartilhe: