A Associação ComCausa – Cultura de Direitos dará início, em maio, no Rio de Janeiro, à implantação do Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social (CAIS), programa vinculado à política pública sobre drogas do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (SENAD).

A iniciativa integra uma estratégia federal voltada ao acolhimento, à redução de danos, à inclusão social, à promoção de direitos humanos e à construção de autonomia para pessoas em situação de vulnerabilidade social, especialmente aquelas com demandas relacionadas ao uso de álcool e outras drogas.

O que é o CAIS

O CAIS é um espaço de portas abertas, com base comunitária, voltado ao acolhimento, à escuta qualificada e ao acesso a direitos. Mais do que um equipamento físico, o programa funciona como uma metodologia de cuidado e inclusão, articulando diferentes políticas públicas para atender pessoas que muitas vezes circulam entre serviços sem conseguir acompanhamento contínuo.

A proposta é aproximar a população vulnerabilizada de serviços de saúde, assistência social, justiça, trabalho, cultura, documentação civil, proteção social e inclusão produtiva. Dessa forma, o CAIS busca transformar atendimentos isolados em percursos acompanhados, com orientação, encaminhamento assistido, retorno da rede e construção de autonomia.

O papel da SENAD

A SENAD é o órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública responsável por coordenar políticas públicas sobre drogas no país. Sua atuação envolve prevenção, cuidado, reinserção social, redução de danos, articulação intersetorial e fortalecimento de respostas públicas voltadas a pessoas e grupos em situação de vulnerabilidade.

Dentro dessa política, os CAIS surgem como instrumentos de cuidado em liberdade, garantia de direitos e inclusão social. A diretriz é colocar a pessoa no centro da política pública, e não a substância, reconhecendo que o uso problemático de álcool e outras drogas está muitas vezes ligado a contextos de pobreza, racismo, violência, situação de rua, desemprego, sofrimento psíquico, ausência de documentação e rompimento de vínculos familiares e comunitários.

Redução de danos como eixo central

Um dos principais pilares do CAIS é a redução de danos, abordagem que busca proteger a vida, diminuir riscos e construir vínculos de cuidado sem criminalização, preconceito ou imposição moral.

Na prática, isso significa atuar com escuta, orientação, presença territorial, informação qualificada, prevenção de agravamentos e encaminhamento responsável para a rede pública. A redução de danos reconhece que cada pessoa tem uma trajetória própria e que o cuidado precisa respeitar sua realidade concreta.

Para a ComCausa, essa diretriz dialoga diretamente com sua missão institucional de defesa da vida, promoção da cultura de direitos e enfrentamento das vulnerabilidades sociais.

A atuação da ComCausa no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, a ComCausa será responsável pela implantação e execução do CAIS. A organização levará para o projeto sua trajetória em direitos humanos, comunicação pública, mobilização comunitária, mediação social, defesa da vida e articulação de redes.

A entidade tem atuação territorial no Rio e na Baixada Fluminense, com experiência em escuta qualificada, encaminhamento assistido, acompanhamento de famílias e pessoas em situação de violação de direitos, produção de informação pública e fortalecimento de redes comunitárias.

O CAIS ComCausa deverá combinar uma base fixa de acolhimento com ações territoriais, buscando chegar também às pessoas que não acessam espontaneamente os serviços públicos por desconfiança institucional, barreiras de mobilidade, estigma, situação de rua ou fragilidade de vínculos.

Público prioritário

O projeto será voltado prioritariamente a pessoas em situação de vulnerabilidade social agravada, com atenção especial a pessoas em situação de rua, população negra periférica, mulheres em situação de violência, pessoas LGBTQIA+, egressos do sistema prisional, pessoas idosas, pessoas com deficiência, famílias com vínculos fragilizados e outros grupos expostos a múltiplas violações de direitos.

A proposta reconhece que essas vulnerabilidades não aparecem de forma isolada. Elas se cruzam com desigualdades raciais, territoriais, econômicas, familiares, geracionais e institucionais. Por isso, o atendimento deverá ser intersetorial, humanizado, não discriminatório e orientado pela garantia de direitos.

Ações previstas

Entre as ações previstas no CAIS ComCausa estão atendimentos individuais e coletivos, acolhimento inicial, escuta qualificada, orientação social, psicossocial e jurídica, elaboração de planos de acompanhamento, encaminhamentos assistidos, contrarreferência com a rede pública, ações de rua, mobilização territorial, oficinas, cursos, trilhas formativas, atividades de inclusão socioprodutiva, comunicação pública e produção de relatórios de monitoramento.

A proposta é que o atendimento não se limite a uma orientação pontual. O objetivo é acompanhar trajetórias, verificar se os encaminhamentos foram efetivos e construir condições reais para acesso a direitos, cuidado, proteção social e autonomia.

Articulação com a rede pública

Um dos diferenciais do CAIS é a articulação permanente com a rede pública. O projeto deverá dialogar com equipamentos do SUS, como CAPS AD, Consultório na Rua e unidades de saúde; com serviços do SUAS, como CRAS, CREAS e acolhimentos institucionais; com órgãos do sistema de justiça; com políticas de trabalho, cultura e educação; e com coletivos comunitários, universidades, pontos de cultura e redes de economia solidária.

Essa articulação pretende reduzir a fragmentação das respostas públicas. Em vez de apenas encaminhar pessoas para serviços, o CAIS buscará acompanhar o acesso, pactuar fluxos, fortalecer contrarreferências e enfrentar gargalos que dificultam a continuidade do cuidado.

Inclusão socioprodutiva e autonomia

Além do acolhimento e da articulação de rede, o CAIS ComCausa também terá ações voltadas à inclusão socioprodutiva. A proposta prevê oficinas, trilhas formativas, cursos de curta duração, mentorias e iniciativas relacionadas ao trabalho decente, à economia solidária e à economia criativa.

A ideia é compreender que o acesso a direitos também depende das condições materiais de vida. Por isso, a inclusão produtiva será tratada como parte da reconstrução de trajetórias, do fortalecimento da autonomia e da ampliação das possibilidades de futuro para as pessoas atendidas.

Metas do projeto

O plano de trabalho prevê, ao longo da execução, pelo menos 1.200 atendimentos, abertura e acompanhamento de 600 Planos Terapêuticos Singulares ou Planos Individuais de Atendimento, 300 contrarreferências assistidas, 12 reuniões mensais de articulação de rede, 8 turmas formativas, 160 vagas em atividades de formação e 80 inserções socioprodutivas diretas ou indiretas. Também estão previstos relatórios trimestrais, publicação final e devolutiva pública dos resultados.

Etapas de implantação

A implantação será organizada em três ciclos. O primeiro será dedicado à mobilização inicial, contratação e formação da equipe, estruturação da base, organização dos fluxos internos, preparação dos instrumentos de registro e planejamento integrado das ações.

O segundo ciclo concentrará a execução das atividades finalísticas, com acolhimento, acompanhamento, ações territoriais, articulação de rede, redução de danos, oficinas, formações, comunicação pública e inclusão socioprodutiva.

O terceiro ciclo será voltado à sistematização da experiência, elaboração de publicação final, devolutiva pública dos resultados e fechamento técnico-metodológico da parceria.

Compromisso com direitos humanos

Com a implantação do CAIS no Rio de Janeiro, a ComCausa reforça seu compromisso com uma política pública baseada na defesa da vida, na dignidade humana e na garantia de direitos. A iniciativa busca enfrentar a exclusão social não pela via da punição ou da invisibilidade, mas pelo cuidado em liberdade, pela presença territorial, pela escuta qualificada e pela construção de caminhos concretos de cidadania.

A expectativa é que o CAIS ComCausa contribua para fortalecer redes de cuidado, ampliar o acesso da população vulnerabilizada às políticas públicas e consolidar uma resposta mais humana, integrada e eficaz às situações de vulnerabilidade associadas ao uso de álcool e outras drogas no Rio de Janeiro.

Leia também

ComCausa abre chamada para profissionais atuarem em projeto de Cuidados Digitais em parceria com agência da ONU

Fale conosco! | Nos conheça

Projeto Comunicando ComCausa

Portal C3 | Instagram

______________________

Comunicando ComCausa Pêmio Periferia Viva Ministério Cidades 2025

______________________

Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com

Pix ComCausa

______________________

Compartilhe: