Publicação apresenta orientações para prevenção e resposta a deslizamentos, inundações, incêndios florestais, secas e ondas de calor, incentivando comunidades a construírem seus próprios planos de proteção.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) disponibilizou o Guia para Diálogos Autogestionados – Protocolos de Educação Ambiental em Cenários de Eventos Extremos, publicação criada para apoiar comunidades na prevenção, preparação e resposta diante de eventos climáticos de grande impacto.
O material apresenta orientações voltadas a situações como deslizamentos de terra, inundações, incêndios florestais, secas e ondas de calor, buscando fortalecer a capacidade dos territórios de reconhecer riscos, organizar respostas e construir estratégias coletivas de proteção.
A publicação foi desenvolvida em parceria entre o Departamento de Educação Ambiental e Cidadania do MMA, o Programa Cemaden Educação, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Centro de Educação e Cooperação Socioambiental de São Paulo, a Universidade Zumbi dos Palmares, o Instituto Allma Hub e especialistas convidados.
Cada comunidade pode adaptar o protocolo à sua realidade
Um dos principais objetivos do guia é permitir que as orientações sejam adaptadas às características de cada território.
O material foi elaborado com linguagem acessível e recursos visuais, oferecendo informações sobre como agir antes, durante e depois de eventos extremos. A proposta é que bairros, assentamentos, aldeias, quilombos, escolas, coletivos e outras comunidades possam desenvolver planos próprios, considerando suas condições sociais, ambientais e culturais.
De acordo com o MMA, o guia não pretende oferecer uma solução única para todos os lugares. Os protocolos devem funcionar como instrumentos de apoio para que as próprias comunidades reconheçam seus desafios, recursos disponíveis e formas de organização.
Mapeamento de riscos e rotas de fuga estão entre as orientações
A publicação apresenta um passo a passo para auxiliar na elaboração dos protocolos comunitários.
Entre as medidas recomendadas estão a identificação dos principais riscos existentes no território, a definição de ações imediatas para situações de emergência e o mapeamento de rotas de fuga, pontos de encontro e locais que possam funcionar como abrigo.
O guia também orienta as comunidades a identificar pessoas e grupos que possam estar em situações de maior vulnerabilidade durante uma emergência e a mapear previamente os serviços públicos e instituições que deverão ser acionados.
Esse planejamento pode contribuir para reduzir improvisações em momentos de crise e fortalecer a participação comunitária nas ações de prevenção e resposta.
Educação ambiental como ferramenta de prevenção
Além das orientações práticas, o documento reforça o papel da educação ambiental na construção de comunidades mais preparadas para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
O guia está organizado em tópicos que abordam o diagnóstico do território, princípios da educação ambiental, importância dos protocolos, identificação dos atores envolvidos e etapas para elaboração dos planos de proteção.
A proposta é estimular processos coletivos de diálogo, permitindo que moradores, organizações sociais, escolas e instituições públicas discutam conjuntamente os riscos existentes e as possíveis respostas.
Material será levado a debates internacionais sobre clima
Os protocolos foram apresentados inicialmente em agosto de 2026, durante a COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, realizada na Mongólia, e também em atividade na Universidade Zumbi dos Palmares, em São Paulo.
Segundo o MMA, o conteúdo também será debatido durante a COP31 da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, na Turquia, entre 9 e 20 de novembro, e no X Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, previsto para ocorrer em Brasília entre 23 e 28 de novembro.
O Ministério pretende difundir o material entre organizações da sociedade civil, redes, centros de educação ambiental, estados, municípios e instituições que atuam na agenda climática. Também estão previstas oficinas de formação e a produção de um vídeo tutorial.
Guia permanece aberto a contribuições
Outra característica da publicação é a possibilidade de participação de comunidades e organizações em seu aprimoramento.
O MMA informa que pessoas, instituições públicas e organizações da sociedade civil podem enviar sugestões por meio dos QR Codes disponíveis no próprio documento.
Além do guia principal, foram disponibilizados cadernos temáticos específicos sobre deslizamentos, inundações, incêndios florestais, secas e ondas de calor, ampliando as possibilidades de utilização do material conforme os riscos enfrentados em cada território.
A iniciativa busca transformar conhecimento e organização comunitária em instrumentos de prevenção. Em um cenário de aumento dos impactos relacionados às mudanças climáticas, preparar os territórios para reconhecer riscos e construir respostas coletivas pode ser decisivo para proteger vidas e reduzir danos.
Prevenção começa com conhecimento do território
Além de orientar sobre procedimentos de emergência, o guia também ajuda a fortalecer uma cultura de prevenção nos territórios. Isso significa estimular moradores e organizações locais a conhecerem melhor os riscos existentes antes que uma situação grave aconteça. Ao identificar áreas sujeitas a alagamentos, encostas vulneráveis, locais com maior exposição ao calor ou regiões próximas a vegetação com risco de incêndio, a comunidade passa a ter mais condições de planejar respostas e cobrar ações preventivas do poder público.
Outro ponto importante é a articulação entre conhecimento comunitário e informações técnicas. Moradores conhecem de perto as mudanças que acontecem no território, como pontos que alagam com frequência, locais onde a água sobe mais rapidamente ou áreas onde determinadas famílias podem ter mais dificuldade para se deslocar. Quando essas informações são organizadas e combinadas com orientações da Defesa Civil, serviços públicos e instituições de pesquisa, os protocolos comunitários podem se tornar mais eficientes e adequados à realidade local.
Imagem de capa ilustrativa.
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