11 de fevereiro de 2026

Violência contra mulher

Metade das mulheres já sofreu assédio no Carnaval: por que a violência se repete todo ano?

A ideia de que “metade das mulheres já sofreu assédio no Carnaval” não é apenas impressão: pesquisas divulgadas nos últimos anos apontam cerca de 50% de mulheres relatando assédio na folia e 73% dizendo ter medo de sofrer novamente (ou pela primeira vez). A repetição anual do problema, apontam organizações e políticas públicas recentes, tem raízes culturais e falhas práticas de prevenção e resposta em eventos de massa. Observação de transparência: não consegui checar os estudos e números na internet nesta conversa (ferramenta de navegação indisponível). A reportagem abaixo usa as informações do texto-base enviado pelo usuário e referências legais públicas (número e conteúdo geral das leis). Por que a violência se repete todo ano Normalização do assédio como “brincadeira”Parte do público ainda trata situações como “roubar beijo”, encostar sem consentimento e insistir após um “não” como algo aceitável na festa. Essa permissividade social cria um ambiente de tolerância e reforça a sensação de impunidade, especialmente em meio à confusão dos blocos. Multidão, álcool e anonimatoA lógica do Carnaval — aglomeração, contato físico constante e circulação intensa — reduz a vigilância social. O agressor se “dissolve” na multidão. O consumo de álcool, embora não explique o crime, pode aumentar a desinibição do autor e dificultar uma reação rápida e coordenada de quem presencia. Baixa intervenção de terceirosMuitas agressões acontecem diante de outras pessoas, mas pouca gente intervém. Medo de conflito, dúvida sobre como ajudar e a ideia de que “não é da minha conta” são barreiras frequentes. Quando homens não responsabilizam outros homens, o assédio segue como comportamento “de grupo”. Subnotificação e barreiras para denunciar na horaMesmo quando a vítima quer denunciar, surgem obstáculos: localizar apoio, registrar o caso, identificar o agressor, medo de revitimização e falta de informação. Ainda assim, canais oficiais registram aumento no período carnavalesco. O texto-base cita que, no Carnaval de 2024, o Disque 100 registrou 73,9 mil violações a partir de 11,3 mil denúncias (de 8 a 14 de fevereiro), acima de 2023. Falhas estruturais na gestão do eventoNem todo bloco ou evento tem protocolo claro, equipe treinada, pontos de acolhimento e fluxo de encaminhamento (segurança, saúde, polícia). Sem estrutura, a resposta vira improviso — e, muitas vezes, chega tarde. Por que a lei não resolve sozinha O Brasil tipifica a importunação sexual (art. 215-A do Código Penal, incluído pela Lei 13.718/2018), com pena de 1 a 5 anos. Mas a aplicação depende de etapas difíceis em ambiente lotado: identificar o autor, acolher imediatamente, reunir testemunhas e encaminhar a ocorrência. Em eventos de massa, esses passos viram o gargalo. Campanha da ComCausa mira masculinidades positivas Neste Carnaval, a ComCausa lançou uma campanha voltada à promoção de masculinidades positivas e à prevenção de violências contra mulheres, com apoio do UNFPA — Fundo de População das Nações Unidas. A iniciativa busca engajar homens como aliados ativos no enfrentamento do assédio, apontado como problema recorrente durante a maior festa popular do país. Com o lema “Ser aliado faz Carnaval seguro”, a campanha chama atenção para a responsabilidade coletiva dos homens, especialmente no enfrentamento de comportamentos violentos praticados por outros homens. A proposta é transformar padrões de masculinidade historicamente associados à coerção, à agressividade e à exclusão, substituindo-os por atitudes de cuidado, respeito e corresponsabilidade. O que muda o cenário, na prática Protocolos obrigatórios e treinamentoA Lei 14.786/2023 criou o protocolo “Não é Não”, com medidas de prevenção e proteção à vítima em espaços de grande circulação e a previsão de um selo de local mais seguro. Na prática, a efetividade passa por treinamento real, equipe identificada e procedimentos conhecidos por trabalhadores e público. Resposta rápida no territórioPontos de apoio, atendimento visível, segurança orientada para interromper a violência e acolher, e articulação com serviços públicos aumentam a chance de proteção e responsabilização. Intervenção de terceiros, especialmente homensInterromper com segurança, acionar a organização/seguranças e apoiar a vítima reduz a impunidade percebida e desarma a dinâmica do assédio. Campanhas que responsabilizam o agressor — e não apenas “orientam a vítima” — tendem a mudar normas sociais. Dados e transparênciaPublicar balanços, rotinas de atendimento e resultados de protocolos ajuda a corrigir falhas e cria pressão por melhoria. Sem dados, o problema fica invisível e se repete. ComCausa – Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida a ComCausa – Defesa da Vida, com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU), estrutura o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida como um caminho comunitário: rodas de conversa orientadas, pactos de convivência, ferramentas práticas de maturidade emocional e mobilização pública para transformar autocontrole em proteção real, dentro e fora de casa. Este artigo integra o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, estruturado pela ComCausa – Defesa da Vida com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU). A proposta enfrenta padrões de masculinidade associados a conflitos familiares e violências cotidianas, com foco em atitudes práticas: autocontrole, convivência pacífica, respeito, corresponsabilidade e cuidado. Parceria UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU): Leia também  01. “Ser aliado”: o que homens podem fazer quando veem assédio no Carnaval? | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Encontro no MUF marca Dia Estadual de Saúde nas Favelas no Rio

O Dia Estadual de Saúde nas Favelas teve nesta terça-feira, 10 de fevereiro, seu ponto central no Museu de Favela (MUF), no Complexo Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, no Rio de Janeiro. Organizações dos territórios participaram de um encontro de escuta, troca de experiências e construção coletiva, dentro da programação coordenada pelo Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, iniciativa vinculada à Fiocruz que reúne organizações sociais, universidades e coletivos comunitários em diferentes regiões do estado, segundo os organizadores. Mais do que uma agenda simbólica, o encontro funcionou como recado político: uma saúde que se diz universal não pode existir como promessa abstrata, distante do território onde a vida acontece. A avaliação compartilhada no evento foi que, sem reconhecer as formas de cuidado que já sustentam as favelas, o Estado tende a repetir um modelo que chega tarde, fragmentado e sem vínculo com a realidade concreta. A mobilização também retomou uma ideia que vem ganhando força no debate público: o cuidado nas favelas já ocorre de forma coletiva e cotidiana e precisa ser tratado como parte estruturante da saúde pública — não como exceção. Para participantes, essas redes operam como proteção social e sanitária em tempo real, articulando solidariedade e respostas imediatas diante das desigualdades. Cuidado que vira política Ao reunir organizações para compartilhar práticas e definir prioridades, o encontro reforçou que saúde não se limita a serviços formais. O que está em disputa, segundo as falas no MUF, é o reposicionamento do território: as práticas sociais que garantem continuidade, acolhimento e sobrevivência precisam orientar planejamento, investimento e organização do SUS. A ComCausa esteve presente e foi representada por Adriano Dias. Ele resumiu o sentido do encontro: “Quando a favela fala de cuidado, ela fala de sobrevivência e de política pública ao mesmo tempo. O que a gente faz no território é saúde em movimento, mas isso precisa ser reconhecido, apoiado e integrado às políticas do Estado.” A discussão apontou que dar visibilidade às redes de cuidado não é só reconhecimento simbólico. É condição material para entrar no planejamento, orientar orçamento e virar prioridade contínua. “O que não aparece, não conta. E o que não conta, não recebe investimento. Por isso a gente insiste: dar visibilidade é proteger a vida”, afirmou Adriano, no encontro. Nesse contexto, participantes citaram a importância de ferramentas de mapeamento das práticas de cuidado como forma de evidenciar quem cuida, onde o cuidado acontece e quais são os vazios de política pública no entorno. “Quando você mapeia o cuidado, você prova que ele existe, mostra como ele funciona e revela onde o Estado está ausente. Isso muda a conversa: deixa de ser opinião e vira evidência”, disse. Outro ponto repetido nas falas foi o alerta contra a ideia de que cuidado comunitário deve depender de “boa vontade” permanente. Para Adriano, rede precisa de condições, formação, apoio e integração. Caso contrário, o território fica preso à lógica da emergência, sempre “apagando incêndio”. Ao reafirmar que políticas de cuidado nas favelas produzem saúde para todas as pessoas, o Dia Estadual deslocou o olhar tradicional sobre esses territórios. Em vez de reduzir favelas à “carência”, as organizações defenderam reconhecê-las como produtoras de saber, tecnologia social e soluções coletivas. A síntese do encontro foi que fortalecer essas redes é, ao mesmo tempo, justiça social e estratégia de saúde pública: quando o cuidado territorial é reconhecido e integrado, a resposta do sistema melhora para a cidade inteira. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. Imagem de capa ilustrativa. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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