Metade das mulheres já sofreu assédio no Carnaval: por que a violência se repete todo ano?
A ideia de que “metade das mulheres já sofreu assédio no Carnaval” não é apenas impressão: pesquisas divulgadas nos últimos anos apontam cerca de 50% de mulheres relatando assédio na folia e 73% dizendo ter medo de sofrer novamente (ou pela primeira vez). A repetição anual do problema, apontam organizações e políticas públicas recentes, tem raízes culturais e falhas práticas de prevenção e resposta em eventos de massa. Observação de transparência: não consegui checar os estudos e números na internet nesta conversa (ferramenta de navegação indisponível). A reportagem abaixo usa as informações do texto-base enviado pelo usuário e referências legais públicas (número e conteúdo geral das leis). Por que a violência se repete todo ano Normalização do assédio como “brincadeira”Parte do público ainda trata situações como “roubar beijo”, encostar sem consentimento e insistir após um “não” como algo aceitável na festa. Essa permissividade social cria um ambiente de tolerância e reforça a sensação de impunidade, especialmente em meio à confusão dos blocos. Multidão, álcool e anonimatoA lógica do Carnaval — aglomeração, contato físico constante e circulação intensa — reduz a vigilância social. O agressor se “dissolve” na multidão. O consumo de álcool, embora não explique o crime, pode aumentar a desinibição do autor e dificultar uma reação rápida e coordenada de quem presencia. Baixa intervenção de terceirosMuitas agressões acontecem diante de outras pessoas, mas pouca gente intervém. Medo de conflito, dúvida sobre como ajudar e a ideia de que “não é da minha conta” são barreiras frequentes. Quando homens não responsabilizam outros homens, o assédio segue como comportamento “de grupo”. Subnotificação e barreiras para denunciar na horaMesmo quando a vítima quer denunciar, surgem obstáculos: localizar apoio, registrar o caso, identificar o agressor, medo de revitimização e falta de informação. Ainda assim, canais oficiais registram aumento no período carnavalesco. O texto-base cita que, no Carnaval de 2024, o Disque 100 registrou 73,9 mil violações a partir de 11,3 mil denúncias (de 8 a 14 de fevereiro), acima de 2023. Falhas estruturais na gestão do eventoNem todo bloco ou evento tem protocolo claro, equipe treinada, pontos de acolhimento e fluxo de encaminhamento (segurança, saúde, polícia). Sem estrutura, a resposta vira improviso — e, muitas vezes, chega tarde. Por que a lei não resolve sozinha O Brasil tipifica a importunação sexual (art. 215-A do Código Penal, incluído pela Lei 13.718/2018), com pena de 1 a 5 anos. Mas a aplicação depende de etapas difíceis em ambiente lotado: identificar o autor, acolher imediatamente, reunir testemunhas e encaminhar a ocorrência. Em eventos de massa, esses passos viram o gargalo. Campanha da ComCausa mira masculinidades positivas Neste Carnaval, a ComCausa lançou uma campanha voltada à promoção de masculinidades positivas e à prevenção de violências contra mulheres, com apoio do UNFPA — Fundo de População das Nações Unidas. A iniciativa busca engajar homens como aliados ativos no enfrentamento do assédio, apontado como problema recorrente durante a maior festa popular do país. Com o lema “Ser aliado faz Carnaval seguro”, a campanha chama atenção para a responsabilidade coletiva dos homens, especialmente no enfrentamento de comportamentos violentos praticados por outros homens. A proposta é transformar padrões de masculinidade historicamente associados à coerção, à agressividade e à exclusão, substituindo-os por atitudes de cuidado, respeito e corresponsabilidade. O que muda o cenário, na prática Protocolos obrigatórios e treinamentoA Lei 14.786/2023 criou o protocolo “Não é Não”, com medidas de prevenção e proteção à vítima em espaços de grande circulação e a previsão de um selo de local mais seguro. Na prática, a efetividade passa por treinamento real, equipe identificada e procedimentos conhecidos por trabalhadores e público. Resposta rápida no territórioPontos de apoio, atendimento visível, segurança orientada para interromper a violência e acolher, e articulação com serviços públicos aumentam a chance de proteção e responsabilização. Intervenção de terceiros, especialmente homensInterromper com segurança, acionar a organização/seguranças e apoiar a vítima reduz a impunidade percebida e desarma a dinâmica do assédio. Campanhas que responsabilizam o agressor — e não apenas “orientam a vítima” — tendem a mudar normas sociais. Dados e transparênciaPublicar balanços, rotinas de atendimento e resultados de protocolos ajuda a corrigir falhas e cria pressão por melhoria. Sem dados, o problema fica invisível e se repete. ComCausa – Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida a ComCausa – Defesa da Vida, com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU), estrutura o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida como um caminho comunitário: rodas de conversa orientadas, pactos de convivência, ferramentas práticas de maturidade emocional e mobilização pública para transformar autocontrole em proteção real, dentro e fora de casa. Este artigo integra o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, estruturado pela ComCausa – Defesa da Vida com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU). A proposta enfrenta padrões de masculinidade associados a conflitos familiares e violências cotidianas, com foco em atitudes práticas: autocontrole, convivência pacífica, respeito, corresponsabilidade e cuidado. Parceria UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU): Leia também 01. “Ser aliado”: o que homens podem fazer quando veem assédio no Carnaval? | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:


