ComCausa lança campanha “Vem Meu Igual – Cuida dos manos / Cuida das minas” contra assédio e violência em eventos culturais

Compartilhe este post: Share on X (Twitter) Share on Facebook Share on Pinterest Share on LinkedIn Share on Email Share on WhatsAppA ComCausa – Defesa da Vida lançará a campanha “Vem Meu Igual – Cuida dos manos / Cuida das minas”, uma iniciativa que nasce da necessidade urgente de enfrentar o assédio e a violência em ambientes culturais, especialmente em shows e festivais de grande porte, onde milhares de pessoas se reúnem para celebrar a música e a arte, mas onde, infelizmente, ainda se registram situações recorrentes de agressões, constrangimentos e violações de direitos. A proposta da campanha é clara: reforçar a cultura do cuidado coletivo e da convivência respeitosa. A ComCausa reconhece que o ambiente dos grandes festivais, embora seja espaço de celebração, também expõe vulnerabilidades específicas. Mulheres, pessoas LGBTQIA+, adolescentes e pessoas em situação de embriaguez ou sob efeito de drogas estão entre os grupos mais afetados por assédio sexual, violências físicas e psicológicas, bem como pela negligência diante de situações de risco. A campanha busca, portanto, despertar a consciência coletiva de que a responsabilidade pela segurança não é apenas da organização do evento ou das forças policiais, mas de todas as pessoas presentes. O lema “respeito é base” traduz essa proposta de forma simples e direta: cada indivíduo deve estar atento, solidário e comprometido em agir diante de qualquer situação de violência. Contexto e números preocupantes Casos de assédio e violência em festivais e shows não são exceção, mas uma realidade documentada por pesquisas e levantamentos. Em 2023, a ONG Think Olga divulgou um estudo apontando que 97% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de assédio em espaços públicos, entre eles shows, festas e transportes coletivos. Esse dado, por si só, revela a dimensão estrutural do problema. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública trouxe números igualmente preocupantes: apenas em 2022 foram registrados mais de 62 mil casos de estupro no Brasil, a maioria contra mulheres e adolescentes, e muitos desses episódios ocorreram em contextos de lazer e entretenimento, quando a vítima está mais vulnerável. No cenário internacional, os dados confirmam a gravidade da questão. Um levantamento conduzido no Reino Unido revelou que 53% das mulheres jovens já sofreram assédio em festivais de música. A partir dessa constatação, alguns organizadores passaram a adotar medidas específicas, como áreas exclusivas de acolhimento feminino e protocolos de resposta rápida. Outras pesquisas globais também indicam que a cada três mulheres, uma relata ter sofrido alguma forma de assédio em eventos culturais de grande porte. Além disso, registros de violência homofóbica e transfóbica em shows e baladas reforçam que o problema é interseccional e atinge múltiplas identidades sociais. Esses números evidenciam a urgência de campanhas educativas como a proposta pela ComCausa, que se colocam não apenas como ações pontuais, mas como estratégias permanentes de transformação cultural. Ações práticas durante o Rock Festival A proposta prevê também uma campanha de comunicação de convocação para o Rock Festival de Nova Iguaçu 2025, vinculada aos portais RedeDH e PortalC3, além das redes sociais da ComCausa – Defesa da Vida, Rock ComCausa e da própria Minerva Ink. No dia do festival, também serão distribuídos materiais de conscientização da campanha. Durante os dias do festival, a campanha ganhará corpo no estande da Minerva Ink, estúdio parceiro que se somou à ComCausa para transformar arte em instrumento de cidadania. No local, o público encontrará flash tattoos, camisetas, souvenires e artes exclusivas, que estarão integrados a ações de conscientização. Cada interação será acompanhada de mensagens educativas, materiais impressos, informações sobre canais de denúncia e orientações sobre como agir diante de situações de assédio ou violência. Um chamado coletivo Segundo Adriano Dias, fundador da ComCausa, a campanha foi inspirada na canção “Meu Igual”, da banda Cólera, um clássico do punk nacional que traduz em poesia a ideia de união e resistência: “Sozinho não dá, vem meu igual; seja qualquer cor, de onde for, somos um só”. Para ele, a letra simboliza exatamente o que se espera em eventos culturais: que ninguém se sinta sozinho diante da violência, que todos possam contar com a força coletiva. “Queremos que cada pessoa que vá a um show ou festival sinta que não está sozinha. Que existe uma rede de cuidado e solidariedade pronta para enfrentar o assédio e as violências. Nosso objetivo é que o rock, a música e a cultura sejam espaços de liberdade e não de medo”, destacou Dias. Um marco no enfrentamento às violências Com a campanha “Vem Meu Igual – Cuida dos manos / Cuida das minas”, a ComCausa reforça sua missão histórica de unir direitos humanos, arte e cidadania em defesa da vida. A iniciativa não apenas alerta para a gravidade do problema, mas também oferece caminhos práticos de mobilização, colocando o público como protagonista da mudança. Mais do que uma campanha, trata-se de um convite coletivo: cuidar uns dos outros é a verdadeira base de qualquer celebração cultural. 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