Memória: menina Lara Maria de Judiaí

Compartilhe este post: Share on X (Twitter) Share on Facebook Share on Pinterest Share on LinkedIn Share on Email Share on WhatsAppO desaparecimento e assassinato da adolescente Lara Maria Oliveira Nascimento, de apenas 12 anos, em 16 de março de 2022, causou comoção em Campo Limpo Paulista (SP) e em todo o país. Lara saiu de casa para ir a uma padaria próxima e desapareceu. A mobilização pela busca da adolescente envolveu familiares, vizinhos, voluntários, imprensa e autoridades policiais. Três dias depois, seu corpo foi encontrado em uma área de mata a menos de cinco quilômetros da residência da família, com claros sinais de violência. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que Lara foi vítima de traumatismo craniano, provocado por ao menos quatro golpes violentos com objeto contundente, possivelmente um martelo ou uma picareta. O corpo apresentava ainda vestígios de cal, substância comumente utilizada em tentativas de acelerar a decomposição. A brutalidade do crime levantou fortes suspeitas de homicídio premeditado, com agravantes de ocultação de cadáver e violência sexual. Investigações e fuga do suspeito As investigações, conduzidas pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí, analisaram mais de 5 mil imagens de câmeras de segurança. O trabalho meticuloso permitiu identificar Wellington Galindo de Queiroz como o principal suspeito. Com extensa ficha criminal — incluindo envolvimento com tráfico de drogas, crimes contra o patrimônio, associação criminosa e receptação — Wellington foi flagrado circulando de carro prata pelas redondezas onde Lara havia sido vista pela última vez. A prisão temporária foi solicitada pela Polícia Civil e decretada em 28 de março de 2022. No entanto, ao ser intimado a comparecer à delegacia, Wellington fugiu, tornando-se foragido da Justiça. Informações indicaram que ele teria se escondido em estados do Nordeste, como Paraíba ou Pernambuco, o que dificultou a sua localização e exigiu articulação entre as forças de segurança estaduais e federais. Prisão em Foz do Iguaçu e tentativa de enganar os policiais A captura do suspeito ocorreu em 21 de março de 2024, após quase dois anos de buscas. A Polícia Federal, com base em denúncias anônimas e informações da inteligência policial, passou a monitorar a presença de Wellington na região da Tríplice Fronteira. No momento da abordagem, registrada em vídeo, os policiais se aproximam de Wellington sob o pretexto de pedir informações. Quando o chamam pelo nome verdadeiro, ele tenta se passar por outro indivíduo, identificando-se como “Diego Rodrigues Alves”, afirmando estar sem documentos e dizendo que trabalhava como eletricista em obras residenciais na região. Alegou morar em Foz do Iguaçu há cerca de um ano e três meses e declarou ser natural da Bahia. A tentativa de enganar os agentes não surtiu efeito. Ao ser confrontado, Wellington acabou confessando sua verdadeira identidade. Ele foi preso e conduzido à Delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu. Além do mandado de prisão por homicídio qualificado e estupro de vulnerável em outro caso, também pesava contra ele uma ordem de prisão expedida pela Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça de Pernambuco, por porte ilegal de arma de fogo. O nome de Wellington constava na lista de procurados da Interpol e ele era monitorado tanto pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí quanto pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Polícia Federal. Dor e resistência: a luta da família Nascimento Desde a tragédia, a família de Lara tem enfrentado dificuldades emocionais e financeiras. A mãe, Luana Nascimento, que atuava na produção e venda de bolos e doces para eventos, relata não conseguir retornar ao trabalho por conta das lembranças dolorosas que os utensílios de cozinha lhe trazem. O pai da adolescente também precisou se afastar do emprego por problemas de saúde decorrentes do luto. Com outras duas filhas pequenas, o casal depende da ajuda de amigos e considera se mudar da casa onde viveram por quase seis anos com Lara. Apoio do programa ACOLHER da ComCausa A ComCausa foi acionada por indicação de outro familiar de vítima de violência e entrou em contato direto com os pais de Lara Maria Oliveira Nascimento, colocando-se à disposição para contribuir no que fosse possível por meio do Programa ACOLHER — iniciativa dedicada ao acompanhamento de famílias que enfrentam a dor e as consequências da violência. A proposta do ACOLHER é atuar de forma efetiva nas etapas do processo, oferecendo suporte emocional e institucional, além de promover articulações com a imprensa, movimentos sociais e autoridades públicas, para garantir que a dor dessas famílias não seja invisibilizada. O caso de Lara reforça a urgência da mobilização social e da presença ativa da sociedade civil na luta por justiça e na proteção das infâncias. Para a ComCausa, ações como essa são essenciais para assegurar que a voz da família seja ouvida e respeitada, que a verdade dos fatos seja revelada com transparência e que a justiça seja, finalmente, cumprida. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe: Compartilhe este post: Share on X (Twitter) Share on Facebook Share on Pinterest Share on LinkedIn Share on Email Share on WhatsApp